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Wednesday, February 25, 2015

Esclarecendo os "blusões em pele": escolher, comprar e usar (ou não)

Françoise Hardy
Moto jacket (ou biker jacket), bomber jacket (ou aviator/bombardier/flight jacket), perfecto ou, simplesmente, blusão de cabedal. São quase um básico de moda por direito próprio (digo "quase" porque ter um ou não depende muito do estilo pessoal) daquelas peças "problem solver", que se podem vestir a correr para acrescentar um certo je ne sais quois a um coordenado simples, vulgo top banalíssimo + jeans skinny pretos + bailarinas...e duram uma vida inteira.

 As raparigas francesas, discípulas de Françoise Hardy, consideram-no um acessório indispensável ao famoso chic parisiense. 


 É um casaco intemporal: apaixona as adolescentes, as jovens adultas e as suas mães ou tias- que começaram a usá-los desde os anos 60/70 ou 80 e nunca os abandonaram completamente.

 Mas ao contrário, por exemplo, da gabardina ou do blazer (básicos que a maioria consegue usar sem grande erro) o bom e velho blusão tem mais que se lhe diga. Enquanto um trench coat comprado às pressas numa marca acessível pode ter um aspecto razoável, um blusão não disfarça tão bem.

   Por aqui já tenho criticado o vício das portuguesas de abusar dos blusões (ou casacos do género) em detrimento de agasalhos mais compostos e democráticos. Isto porque quando se trata destes amiguinhos, não há meio termo: podem dar um ar soberbo a um visual ou fazê-lo parecer barato ou mal acabado.

Vejamos então umas dicas simples para escolher o exemplar certo: há quem goste de os coleccionar (em camurça, em pele, de vários modelos com diferentes fantasias) mas a verdade é que esta é uma peça que convém tornar sua. É o uso frequente que lhe dá o carácter (e a patine, pois o couro bem tratado quanto mais antigo é, mais interessante fica). Além disso, acabam por pesar bastante no armário e no fundo, precisa no máximo de três exemplares para ficar bem servida para a vida toda.

 Lá por casa existem vários - o meu tesourinho é um bomber Mac Douglas, casa francesa considerada la crème de la crème dos artigos em pele que se celebrizou em 1947 por este modelo - mas gravitam todos à volta do mesmo.


O perfecto
Perfectos Balenciaga e Balmain

Inventado em 1927, popularizado por Marlon Brando e reproduzido até à exaustão por designers como Jean Paul Gaultier, distingue-se dos outros por ser assertoado e ter zippers mais ou menos visíveis. É talvez o modelo mais difícil de escolher para a maioria das mulheres, porque convém que seja folgado q.b (especialmente, quando usado aberto) e que acomode devidamente o busto, mas com uma cintura ligeiramente vincada. As raparigas com pouco peito e anca poderão usar um modelo mais solto. Fazem-nos em todas as cores e materiais, mas é um desperdício optar por outra coisa que não pele preta, com fechos do mais comum que há. De momento é muito cool usá-lo de formas inesperadas - sobre um vestido ameninado, por exemplo.


O modelo clássico
Blusões Boss Orange e The Row
Mais versátil, tem um zipper a direito e sujeitam-no a todas as fantasias: com gola à Mao, com lapela, mais ou menos cintado, com aplicações, preto, castanho, encarnado...A vantagem é que pode usá-lo sobre roupa um pouco "séria" sem perder a sobriedade ou dar-lhe um ar mais rebelde (e.g, com botas compridas). É um casaco que pode perfeitamente vestir para trabalhar se o dress code da empresa o permitir. O defeito é que, como convém ser justo,  pode tornar-se demasiado rígido: procure um couro tão macio como manteiga. Se tem ancas pronunciadas, não escolha um com ombros muito estreitos. Escusado será dizer, o melhor investimento é em preto e sem enfeites...embora se façam alguns castanhos muito bonitos.

O Bomber Jacket
Bombardier clássico e modelo Mac Douglas no Ebay (não é o meu, mas é igualzinho)

Criados para os aviadores da I Guerra Mundial, tornaram-se populares a partir dos anos 1970. São mais folgados e quentinhos (muitos dispõem de forro acolchoado) e ligeiramente mais longos. Um bomber jacket digno desse nome é castanho escuro, numa pele rica e com uma gola de pelo.


Na hora de escolher qualquer um destes modelos, o mais importante é dispensar as imitações:
a napa pode ser um substituto aceitável em peças como calças extra justas (que para ficarem flexíveis e confortáveis em pele, têm de ser feitas no material mais caro e pelos melhores artesãos, logo nem sempre são uma opção viável) mas jamais num casaco. Os modelos em napa ou coisa pior são a principal razão de muitas mulheres ficarem com um ar duvidoso quando os vestem.  Em tempos idos, marcas acessíveis como as lojas da Inditex ou a Mango faziam modelos em couro que superavam, por vezes, os das lojas de peles. Eram mais maleáveis, macios e com cortes mais actuais. Hoje rareiam nas marcas de fast fashion, por isso poderá ter de fazer um investimento maior.


 Casas como a ASOS têm uma variedade de opções a preços razoáveis, e poderá sempre procurar um modelo vintage. Comprar algo mais exclusivo é sempre uma aquisição sensata - e as maiores griffes fazem-nos ano sim, ano sim- desde que saiba exactamente qual é o modelo certo para si.

 É que o mais provável é usá-lo até à reforma - e essa deve ser a pergunta a fazer na hora de o adquirir. Se tem cara de eterno, go for it.

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