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Sunday, February 22, 2015

Eu embirro com comédias românticas...mas esta aconselho.


Defendo muitas vezes que uma mulher deve ser absolutamente feminina na maior parte das coisas (nomeadamente, na forma de vestir e de estar) e que não há nada de errado em gostar e falar de enfim, miudezas de mulheres.  Apreciar compras, tricas de beleza e coisas desse jaez não faz de nós menos capazes, sérias, profundas ou inteligentes. Certo.

 Mas uma excepção serão os chick flicks ou como algumas pessoas dizem, filmes de rapariga (costuma usar-se outra expressão mais coloquial, mas francamente, acho isso feio).

 Fora clássicos como Breakfast at Tiffany´s (que preciso de rever) e The Seven Year Itch (porque adorava a Marilyn) ou casos pontuais como Pretty Woman (detestei a premissa, mas o guarda roupa é icónico) Ten Things I hate About you (é baseado em Shakespeare, tinha de gostar) ou Legally Blonde e mais uns quantos, é geralmente o tipo de filme que dispenso.

Eventualmente passo os olhos se estiver a dar na televisão - e se for assim um filme colorido com boa fotografia ou que se desenrole num cenário que me agrade - mas dificilmente pagaria para ver tal coisa.

                                  

   É que...desculpem lá. São, por norma francamente aborrecidos, além de resvalarem ora para o mau gosto com piadas escatológicas, ora para o dramalhão. Alguns demoram horas esquecidas para já se saber como vão acabar. As mulheres são geralmente umas tolas desleixadas que se dão ao luxo de cometer todos os erros - levianas idealistas e desastradas que detestaríamos conhecer na vida real, mas por quem é suposto torcermos até ao fim da trama.


 Os homens costumam dividir-se entre o antagonista parvalhão por quem a protagonista fraquinha do miolo anda a ser usada, e o bom rapaz compreensivo que atura tudo e com quem ela fica no fim.

                                      

 A moral da história costuma ser exactamente aquilo que as mulheres solitárias e teimosas nos seus erros querem ouvir: as vossas relações falhadas são todas culpa dos homens, a responsabilidade nunca é um bocadinho vossa, vocês não são umas chatas carentes nem nada, mas nunca temam-  depois de terem tido casos de uma noite com metade da cidade há sempre um executivo, médico ou chef bonitinho ao estilo telenovela, que adora piqueniques românticos e super bem sucedido disposto a aturar uma Bridget Jones da vida que andou indecisa entre ele e o parvalhão até ao último minuto, porque adora as imperfeições dela.

 Wishful thinking much? Não me entendam mal, eu gosto de finais felizes e não tenho nada contra o tipo de filme em que uma heroína convincente e injustiçada dá a volta por cima e fica com o Mr. Right. O que não me agrada são palmadinhas nas costas.



  Dito isto, fiquei agradavelmente surpreendida com The Ugly Truth, que deu na TV um dia destes. Será desde He´s Just not that into you (que não vi- só dei uma olhadela ao conteúdo do livro que o inspirou) uma das poucas comédias românticas que entretém o mulherio mas também ensina alguma coisa, mesmo (o título diz tudo) à custa de verdades inconvenientes.

Para já, o protagonista é um homem com H, Gerard Butler (nada de galãs com cara de folhetim) e a heroína é Catherine Heigl, a única coisa boa que saiu dessa ordinarice que foi a Anatomia de Grey, fenómeno responsável por meter *mais* ideias ridículas nos cérebros femininos. Ela é tão bonita que se lhe perdoa isso, e aqui redime-se um bocadinho.


 Catherine faz o papel de uma mulher moderna (bem sucedida mas mandona, com falta de uma presença masculina na sua vida, bonita mas demasiado prática, inteligente mas excessivamente idealista e ansiosa por vincar a sua opinião) e ele, de um guru dos relacionamentos que, depois de conhecer muitas mulheres que não prestam, decide cantar-lhes as verdades à bruta.



As verdades históricas, tradicionais, biológicas, escritas na pedra, estilo The Rules em perspectiva masculina: os homens, os a sério, são bastante simples (para não dizer "básicos") as mulheres é que hiper analisam (facto). Eles são muito visuais e acham sexy o que é tradicionalmente bonito, como os vestidos elegantes que não expõem mais do que o necessário e os cabelos compridos. Querem a sedutora, mas também a santa; fantasiam com a conquista fácil, mas desinteressam-se quando ela sucede; detestam que os critiquem e Marias Sabichonas, ou que julgam amar uma versão idealizada deles; sentem-se aprisionados por mulheres atiradiças que lhes roubam a emoção da conquista e não os deixam, por assim dizer, dirigir o espectáculo. E quando colocados perante uma paixão verdadeira, às vezes ficam apavorados.


Obviamente no fim ele apaixona-se também pelos defeitos dela, quando a conhece melhor, mas então já a magia inicial tinha feito o seu papel.

É claro que o filme (escrito por três mulheres mas realizado por um homem) não teve grandes críticas. As mulheres muito modernas detestam ouvir isto. Acham antiquado e pouco conveniente, porque obriga a um certo esforço de auto domínio. Muitas optam por homens de mentalidade efeminada, o que é uma opção individual mas raramente funciona.

 A guerra dos sexos não é opcional; é o que dá emoção à dinâmica mais antiga do mundo. 

 Se tiverem uma amiga aborrecida, desesperada e carente, aí está um filme abre-olhos para lhe recomendar. E acho que as vossas caras metade talvez achem certa piada, se ainda não viram.




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