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Thursday, February 19, 2015

Mas porque é que os homens fazem isto?



"It is a distance to travel- from a woman's mouth to the man's ears"


Ouço muitas mulheres lamentarem "o meu namorado/noivo/marido é uma jóia de pessoa; é perfeito em tudo - se ao menos escolhesse melhor as companhias!".

O fenómeno é tão banal que quase se poderia dizer ser uma característica dos homens de bom coração, que são óptimos maridos, perfeitos em tudo...menos na escolha das amizades. Não falo dos mulherengos, mas dos que se deixam influenciar para o mal por amigos da onça ou pessoas com quem convivem apenas profissional ou socialmente - e às quais permitem excessiva familiaridade.


Pelos vastos exemplos que me tem sido dado ver, cavalheiros assim (mesmo quando têm personalidade forte e pulso firme noutras coisas) pecam por excesso de generosidade, gostam de agradar ao vulgo, de ser populares, de ajudar...e têm uma dificuldade danada em estabelecer limites, em tomar partidos e em dizer não. Mais facilmente prejudicam as pessoas muito chegadas - a namorada/mulher, os filhos - e os próprios negócios do que ofendem um amigalhaço ou um conhecido. Mesmo que esteja na cara que esse amigo ou conhecido metediço (ou um grupo de metediços; geralmente eles andam em quadrilha) é um interesseiro de marca maior.


Claro que tal como o mel atrai as moscas, um homem bem sucedido - pior ainda se for bom serás com tendência a bon vivant e um bocadinho machista, achando que sabe tudo - é magnético para gente assim, em busca de jeitos, de favores, de posição social ou simplesmente de festas, almoços e jantares à borla.

 Essas pessoas importunas causam diversos problemas: influenciar o homem em causa a desleixar os seus deveres familiares, a gastar o que tem e não tem;  aparecer sem convite estragando momentos em família; convencê-lo a fazer criancices (como frequentar lugares inapropriados às suas responsabilidades); intrometer-se em assuntos privados ou dar conselhos que ninguém pediu, fazendo-se muito íntimos e indispensáveis; e mesmo causar intrigas ou zaragatas entre o casal. Isto porque geralmente a cara metade vê perfeitamente as más intenções e não lhes mostra muito boa vontade, tornando-se um alvo a abater.

                          

 Há sempre um amigo farrista que não gosta que lhe estraguem a festa, um outro que acha que o líder da entourage era mas era bom para a sua irmã solteirona e uma amiga intrometida que vem por arrasto e tem uma paixoneta de infância por ele. E começam os argumentos, a puxar-lhe pelos brios: "mas tu deixas que a tua mulher mande em ti e diga onde vais ou não vais?", "a tua namorada é uma antipática", etc, etc.

Claro que nenhuma mulher pode competir com bajuladores - são eles a cobri-lo de elogios, a dar-lhe graxa, a dizer que sim a tudo e ela a barafustar, a ralhar e a dizer que não pode ser...eis um caso em que só há dois remédios: mandá-lo à fava ou...se esse é o único defeito que ele tem, ser diplomática e deixar que ele aprenda à sua própria custa.

 Na minha família houve um caso assim, nos anos 1950. Era um casal lindíssimo, casado há pouco tempo e com dois filhos pequenos. Ele tinha uma carreira em ascenção, era um marido impecável e só pecava mesmo por ter amigos estarolas. Como era o mais bem sucedido do grupo e tinha um belo carrão, os malandros não lhe largavam a porta. Resultado, o amigo levava a seita do Mau Mau a passear e a esposa e os pequenos ficavam em casa. Depois, não havia paz com A, B ou C a aparecer a toda a hora para o arrastar à estroinice e a dar bitaites. A mulher, sabendo que refilar não valia de nada pois ficava ela no papel de má da fita, ia rezando para se livrar daquelas carraças.


  Não sei que santo a terá ouvido, mas o caso teve um desfecho trágico-cómico: numa das noites de estúrdia, o bólide despistou-se por uma ladeira abaixo. Os malucos - como que a confirmar que o Céu protege os tolos - não sofreram quase nada, mas o carro foi para a sucata e o condutor ficou bastante maltratado. Um mês em repouso absoluto e dos "amigos", nem sinal! Nem um apareceu para saber se ele precisava de alguma coisa.

 Agora que já não havia boleias nem festa de graça, o grande amigo já não lhes convinha...e o marido teve de dar razão à mulher.

Claro que assim que ele recuperou - e comprou um carro novo - os penduras apareceram como que por magia. Mas aí, humilhado com a atitude da comandita, era o próprio que dizia à esposa  "vai lá livrar-te deles por mim!". 














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