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Friday, February 27, 2015

Um Príncipe Playboy...com pouca sorte

Eva Bartok e o Príncipe Shiv

O Príncipe Shiv de Palitana, filho de um Marajá, era tido como um playboy das dúzias nos anos 1950. Cá entre nós que ninguém nos ouve, acho que para tanto sucesso muito jeito lhe dava ser um príncipe das Mil e Uma Noites, porque embora fosse desempoeirado e vestisse com elegância, não era nenhum Kabir Bedi... 

Talvez o Príncipe possuísse muito encanto pessoal, talvez se iludisse - e a mulheres de cabeça leve, ávidas de estatuto e diamantes, dispostas a amar o trono e não o homem - com o brilho da sua riqueza e do seu nascimento. A verdade é que da fama não se livrava...mas o seu defeito seria mais ser pinga-amores do que propriamente um D. Juan, como veremos.

Enquanto espalhava charme pela Europa, fazendo o que é suposto um príncipe exótico e namoradeiro fazer, em 1958 Shiv cortejou uma ruiva sorridente - e ao que parece, não muito esperta-  a modelo, barmaid e ex balconista de Londres Jane Buckingham. Incuravelmente romântica e fascinada com tanto glamour, Jane dizia a quem a queria ouvir que o príncipe ia casar com ela.

Jane Buckingham e Shiv 
 As intenções dele nunca as saberemos, mas talvez fosse verdade porque ele provou ser capaz disso...embora não da forma que Jane esperava. No ano seguinte, no espaço de duas semanas, Shiv deixou de ver Jane para se lançar nos braços da actriz húngara Eva Bartok- e escandalizou o pai Marajá ao bater o pé para casar com ela.

O romance de Shiv e Eva comentado na imprensa
 Eva parecia ser a contraparte feminina de Shiv, porque era tão namoradeira como ele. A sua história era no mínimo rocambolesca. Fora casada quatro vezes (a primeira vez, um casamento forçado) tinha uma filha de um dos maridos que muito mais tarde veio a alegar ser afinal de Frank Sinatra, com quem tinha tido um breve affair em 1956, e até conhecer Shiv estava supostamente noiva do bem parecido David Mountbatten, 3º Marquês de Milford Haven, a quem terá deixado pelo Príncipe.

Eva com David Mountbatten, de quem diziam estar noiva

O Marajá, lá na distante Índia, enfurecia-se com tais projectos - e à falta da bênção paterna, o Príncipe decidiu levar o casório a cabo em Roma.

 Ouvindo as declarações de amor de Shiv a actriz largou o namorado, largou o filme que ia protagonizar na Alemanha...e a outra, rejeitada, furiosa, em lágrimas, agiu como uma verdadeira mulher da luta: em vez de aceitar o desfecho com dignidade, saltou para um avião para tentar recuperá-lo em Nápoles.


 Toda a vida ouvi que tentar comover um homem com lágrimas e súplicas é a coisa mais patética (e inútil) que se pode fazer, especialmente se ele estiver apaixonado por outra; mas o caso da pobre Jane foi ainda mais digno de dó: teve tanta pouca sorte que o avião em que seguia chocou contra um caça, matando a tripulação e os passageiros, num total de 31 vítimas.



 Para tornar o enredo ainda mais esquisito, o Príncipe (que seguia de carro para Nápoles) teve um acidente também, em França, mas não sofreu nada.

 Quanto a Eva Bartok,  também não casou com ele: em Abril de 1959 mandou-o literalmente ao pai com um diplomático telegrama, dizendo "não posso separar a vossa família; que Deus te abençoe". 


A actriz nunca revelou a razão da ruptura. Talvez fosse uma mulher de emoções pouco firmes, talvez achasse que os seus casamentos estavam todos embruxados ou talvez pusesse fim ao noivado porque conhecia mal o Príncipe e ele viesse a revelar-se mais maçador do que ela julgara. Outra hipótese seria  por se sentir chocada com um desfecho tão trágico...ou por recear que a defunta ex a amaldiçoasse da sepultura. 

A verdade é que a bela Eva que não voltou a casar...e que as aventuras do Príncipe Shiv se perdem nos tablóides a partir dessa data.



1 comment:

Kaia Kakós said...

A verdade é sempre mais fascinante do que a ficção. Parabéns por partilhar estes momentos da História tão intrigantes. É sempre um prazer lê-la!

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