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Sunday, March 1, 2015

A nobre arte do "conheci piores infernos do que o teu"


Todos já enfrentámos uma Némesis ou duas - e quem nunca passou por isso, é melhor preparar-se porque raramente alguém escapa a tal sorte. Sabem, aquelas pessoas ou acontecimentos que vos colocaram em grandes trabalhos, que vos deixaram estarrecidos, sem chão, furiosos ou desgostosos durante meses, verdadeiros pesadelos que pareciam nunca mais acabar. 

São circunstâncias /criaturas dessas que convencem a mais ingénua e positiva das almas daquela ideia medonha de que o mundo é mesmo um lugar mauzinho. De que há realmente monstros e infernos por aí, gente capaz de tudo (e quando digo tudo, é mesmo tudo, até maldades sem grande sentido ou proveito) e circunstâncias tão rocambolescas que superam uma novela mexicana.  E para mal dos nossos pecados pode haver mais do que uma edição do melodrama, ora em simultâneo ora à vez, para confirmar tão desagradável abre olhos. 

 Mas nada dura para sempre. E por isso, uma vez ultrapassados esses pequenos apocalipses de cada um, pela lei pirosa d´o que não mata torna-te mais forte e do é com os desaires que se aprende, que remédio  (não sei quanto a vocês: eu acho que há maneiras mais agradáveis de uma pessoa se instruir, mas como não se pode tirar outra vantagem do desatino, diz-se isso) as coisas que antigamente metiam medo, as pessoas que davam volta ao estômago só de pensar em lidar com elas, aquilo que nos tirava do sério - ou de receio, ou de irritação, ou de desorientação ou de stress- tornam-se muito mais pequenas.



 Aprende-se a relativizar, porque já se passou por pior e sabe-se que haja saúde, a roda gira e as coisas mudam de um dia para o outro.

Aprende-se a dar o desconto a muitos pequenos quês que costumavam ser um calcanhar de Aquiles: olhando para trás até podíamos ter sido mais tolerantes com fulano, ter tido outra paciência na situação X ou Y, não entrar em parafuso à conta de A ou B.  Mas não sabíamos, porque ainda não tínhamos enfrentado o piorzinho.

Também é verdade que ficamos mais desconfiados e juramos não voltar a ignorar o instinto- o que é mau por um lado, mas por outro nos faz agir e pensar rapidamente e ter outra confiança nas próprias decisões ou palpites: qualidade essencial das pessoas bem sucedidas, rezam a toda a hora as publicações da especialidade...

 Quando se volta à vida normal, por assim dizer, é na condição de veterano.  Ou seja, enfrentam-se os desafios comuns com a atitude dos heróis batidos dos filmes de acção, habituadíssimos a escapar a bombas e granadas, com um currículo de missões arriscadas nos confins do mundo, ao verem um vilão de trazer por casa: tu, meu maçarico?
 Ou mais ou menos assim, se preferirem uma versão de saias:







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