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Tuesday, March 17, 2015

In the house: elegância x piropos


Estar fora de casa por alguns dias envolve sempre não só as peripécias de bagagem que já vos contei, como complicações de acesso *condigno* à internet e tempo para escrever (não imaginam as ideias divertidas que me passaram pela cabeça sem disponibilidade para as pôr no papel, sequer).

Outra possibilidade costumam ser eventuais surpresas com o hotel (raramente fico fora dos sítios do costume mas desta feita, por necessidade geográfica, fui parar a -adivinhem só- um simpático hotel hipster [eu!] sem um espelho capaz no quarto e que no lugar de armário tinha um criativo mas diminuto cabide para pendurar a roupa cujo braço principal se transformava num candelabro gigante estilo abat-jour verde alface; isto o design ultra moderno e as necessidades femininas raramente andam juntas e não imaginam a minha cara quando dei com aquela geringonça).

 Depois, entre os deveres profissionais e passeios surgem sempre episódios que dão que pensar, pessoas interessantes e imagens que ficam. Ao longo dos próximos dias devo partilhar algumas coisas convosco, conforme me for lembrando...

 Estava eu num evento cujo dress code exigia certo decoro e umas senhoras amorosas aproximaram-se fazendo alguns comentários simpáticos. 
 Isto acontece-me às vezes - malhas que as peças vintage e as silhuetas clássicas tecem - e dá sempre em conversas curiosas. Acabámos por tagarelar um pouco porque senhoras destas, se elogiam a roupa de alguém, é quase sempre no sentido de realçar a raridade contrapondo, com pena, a forma descuidada como muitas jovens se vestem. Ou seja, conteúdo que tem tudo a ver com o que se analisa por aqui...

Estávamos nisto e veio a talhe de foice a questão dos piropos, já amplamente tratada cá no blog. Diziam elas que não sabem como certas jovens se sentem bem em sair à rua com trajes que atraem abordagens desagradáveis. 
Respondi-lhes que também não fazia ideia nenhuma...e fiquei cá a pensar com os botões do meu trench coat que é raro ouvir um piropo atrevido. Na minha adolescência, naquela fase em que uma pessoa se está a situar style wise,  viam-se muito estas mini saias estilo anos 70 que agora estão de volta e  estavam mais na moda os tops estilo Kate Moss do que as camisas para raparigas. Resultado: de vez em quando lá surgia um "galanteio" de deixar uma pessoa furiosa. Achava isso um disparate - até porque nem eu nem as minhas amigas usávamos nada de exagerado e fazíamos tudo na nossa ingenuidade. Mas para grandes males, grandes remédios - tomei a lição para meu governo e comecei reparar em opções que me deixavam mais à vontade. 

 Não quero advogar um banimento da mini saia ou coisa que se pareça, mas...há lugares para tudo e tem de haver muito equilíbrio para não convidar nos outros (alguns, coitados, sem grande obrigação para ter modos) reacções que nos sejam desagradáveis. Consideremos isto uma forma de respeito próprio e de caridade (ou delicadeza) para com o próximo...e elegância também é isso: pensar nos demais.

Brutamontes hão-de existir sempre, nem que se ande de burka, mas temos o poder de limitar as intenções maliciosas nos outros. 

 Em boa verdade, as roupas sofisticadas e femininas também atraem piropos, mas dos que não ofendem...porque provocam reacções a condizer. Ouvir, de quem passa, um "que linda que a menina é!" ou "que elegante" constrange um bocadinho, mas apenas porque é feio envaidecer-se. Creio que até eles ficam surpreendidos por terem, perante uma mulher, um reflexo de simples admiração, e não de troça ou  brejeirice...






  

1 comment:

C. N. Gil said...

Há uma grande diferença num piropo que é dado com uma admiração genuína, porque se olha para uma mulher e se reconhece a beleza, mas sobretudo a classe e aquele que é mandado a uma mulher simplesmente porque tem demasiada pele à vista!

Falando por mim (e somente por mim, uma vez que as minhas opiniões são representativas apenas dos meus pensamentos) as segundas, em 90% dos casos, bem podiam esconder mais pele, porque o que deixam à vista acaba por ser deselegante e desagradável e, em relação às primeiras, observo e guardo os meus pensamentos para mim...

...até porque não vejo as primeiras como "objecto" de desejo, mas sim porque a beleza deve ser reconhecida e as segundas, por muito bonitas que sejam, fazem a beleza escoar-se na vulgaridade.

Mas qualquer macaco com cio gosta de se afirmar perante qualquer coisa do género feminino que mexa...

:)

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