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Tuesday, March 24, 2015

Marina Mota dixit: gente maluca


Nos bancos de escola era difícil não ser contagiado por certas deixas de programas de televisão. Como o humor tipicamente português ainda dava cartas no pequeno ecrã, mesmo quem não fazia muito caso disso acabava por ouvir, por influência dos colegas...e as rábulas de Marina Mota, com a sua banda Bat n´Avó e outras personagens, eram muito apelativas para os mais novos. Resultado, toda a gente imitava aquilo... lembro-me de ter achado muita graça a um sketch em que a actriz fazia daquele miúdo terrível, o Bisnaga: quando face às suas partidas a mãe chamou um Padre para exorcizar a casa, julgando que estava endemoninhada, e o sacerdote disse "vamos expulsar o mafarrico!", o Bisnaga ficou aflitíssimo, refilando "querem-me pôr fora de casa!". E claro, tratou de fazer honra à fama de Mafarrico...

 Embora revisteiro e nem sempre apropriado para aquelas idades, era um tipo de conteúdo bastante inocente comparado com os horrores a que agora certas crianças assistem como se fosse programa de família.

  Mas há um jargão que não recordo a que personagem pertencia, e que me ficou: "já estou farta de gente maluca *pausa* até à peruca!".

 É que é bem verdade, mesmo para quem nem no Entrudo recorre a tais artifícios (o mais que já usei foram umas extensões amovíveis por carolice, e olhem lá...).  Enfim, maluca tinha de rimar com alguma coisa. Adiante.

 Nem é preciso ser uma pessoa muito atenta. Basta não estar completamente isolada do mundo, sair para trabalhar, ter um mínimo de interacção com o nosso semelhante e fazer parte de qualquer rede social para ter a certeza absoluta de que das duas, uma: ou os manicómios têm requisitos de admissão super exigentes (logo não admitem metade dos que precisam) ou decidiram abrir, sem dizer nada a ninguém, pequenas concessões por todo o lado, num esforço de integrar os seus inquilinos na sociedade supostamente sã e escorreita.

 Às vezes imagino se muitas destas pessoas não viverão num regime semi-aberto e à noite recolhem para tomar as gotas...

 Entre os egocêntricos que fazem do mundo virtual confessionário para as suas banalidades íntimas, os que protestam contra tudo da forma mais malcriada e fora do contexto, num permanente "estou aqui e tenho algo muito importante a dizer", os gananciosos, os alpinistas sociais, os de moral de elástico e os que acham que o mundo lhes deve tudo, dá vontade de comprar uma peruca bem extravagante só para poder dizer o estribilho com propriedade...

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