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Friday, March 6, 2015

O "complexo Joy"



Gosto muito de ver a série Hot in Cleveland, porque sempre achei interessante conhecer as perspectivas de mulheres em idades diferentes - e porque a acho excepcionalmente bem escrita, com uma encantadora actriz veterana, Betty White.


Betty White na sua juventude

 Betty White foi, aliás, o factor que me cativou inicialmente no programa: adoro avozinhas com personalidade, que desmancham o mito da velhinha indefesa. Betty (que tem 93 anos e espírito suficiente para se atrever a dizer coisas destas)  é uma linda  actriz e escritora com uma carreira estável, embora não fulgurante, em Hollywood desde os anos 1950. Convidada inicialmente a fazer uma participação especial em Hot in Cleveland, o público gostou tanto dela que exigiu que Betty tivesse um papel permanente.

Mas vamos ao que nos trouxe aqui: o Complexo Joy.


Joy Scroggs

Para quem não conhece a série, trata-se da história de três mulheres de Hollywood (Victoria, actriz, Joy, esteticista das estrelas e Melanie, escritora) que decidem recomeçar a sua vida na pacatez do Ohio em casa da rebelde senhoria, a imigrante polaca Elka.
 Como a idade é um posto e Elka nunca foi nenhum anjo, apesar de ter uma grande amizade às inquilinas que lhe viraram a vida do avesso, não as poupa aos seus chistes, tratando-as de "galdérias" para baixo...

E a vítima principal das suas brincadeiras é a doce e tonta inglesa, Joy. Lembrei-me de escrever sobre o Complexo Joy porque é um parente próximo do Complexo Samantha, dois "males" das mulheres modernas.




Ambos nascem do mito que contaram às mulheres: não há mal nenhum em ser atiradiça e ter um longo historial de conquistas. Mas enquanto uma Samantha lida bem com as consequências morais, sociais ou amorosas dos seus actos, é segura de si, age casualmente porque só lhe interessam os relacionamentos fugazes e não olha para trás nem se envergonha das suas asneiras, uma Joy é uma romântica incurável. Envolve-se demasiado rápido e com muita gente, não por ter a leviandade como motivação mas porque acha que assim vai encontrar o amor da sua vida. Acha sempre que desta vez acertou, e lança-se de olhos fechados em cada nova relação.

 Resultado? Vai somando um extenso percurso amoroso (e uma reputação a condizer) e... ou se envolve com cavalheiros que são uma desilusão, ou acaba por se mostrar tão carente que eles fogem a correr.

Conheci em tempos uma rapariga que era exactamente como a Joy: um coração de ouro,bem intencionada, bonitinha, razoavelmente inteligente.

 Mas na pressa de assentar, revelava-se tão depressa - e instalava os "namorados" em casa tão depressa - que não concedia a si própria tempo para os conhecer (e para ver se eram gente decente ou uns crápulas de meter medo) nem dava aos rapazes oportunidade de ver a boa pessoa que ela era. A coitada da C. andava sempre triste por causa disso e todas as amigas a avisavam para ter mais calma e não facilitar tanto. O que ela andava a fazer não era o caminho para que ninguém se apaixonasse por ela, nem forma de estreitar laços, antes pelo contrário...

Ela fez um esforço por se mostrar mais independente e serena (não um grande esforço...as pessoas são como são!) e por acaso a história teve um final feliz: dali a algum tempo conheceu um rapaz encantador, acabaram por casar e estão muito bem.

É uma pena que tantas mulheres que procuram uma relação verdadeira - e que possuem qualidades para fazer um homem feliz -julguem que a parte física de uma relação é a única coisa que têm para oferecer.

Devia haver uma Elka na vida de cada Joy, para lhes contar umas verdades e pô-las no bom caminho...



1 comment:

C. N. Gil said...

Quando vi o título julgava que estavas a falar de pessoal viciado no sumo...

...só depois me lembrei que o sumo era Joi e não Joy...

LOL

TB adoro a Betty :)

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