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Monday, March 9, 2015

O escocês decidido da Rainha Vitória


Rezam as más línguas que depois de perder o seu adorado Príncipe Alberto, a ultra virtuosa Rainha Vitória se afeiçoou de forma inapropriada a um leal criado escocês do Castelo de Balmoral, John Brown.

 A natureza da amizade está por esclarecer até hoje, mas é um facto que a avó da Europa o favorecia muito, que ele foi a única pessoa capaz de a devolver a uma existência normal - e à vida pública - e que John tomava excessivas liberdades, nomeadamente entrando em contendas com o Príncipe de Gales. Era voz corrente que os filhos da Rainha se referiam ao cavalariço como "o amante da mamã", que os dois dormiam em quartos contíguos (indo contra a etiqueta e a decência) e rosnava-se à boca pequena que Sua Majestade teria casado com John em segredo, tendo tido inclusive uma filha ilegítima  - o que claro está, nunca se provou.

 O que é facto é que John Brown, highlander rude, grande e desempenado, era uma das poucas almas que não bajulava a soberana. Apesar de ser de uma devoção que beirava o doentio (em mais de trinta anos de serviço, não se ausentou do lado dela um dia que fosse) não lhe dizia o que ela queria ouvir, não aturava caprichos nem birras, não suportava disparates de ninguém (mesmo de quem lhe era hierarquicamente superior) e tratava-a informalmente por "mulher". Mulher assim, mulher assado.

É natural que a  Rainha, tão cansada de mandar em tudo e de ter o peso do mundo aos ombros, sucumbisse ao amparo de tão decidida masculinidade.  
  O kilt também teria o seu apelo - e já se sabe, é preciso ser varonil para vestir tal traje e nem por isso deixar de "usar as calças".

 Numa época em que os cavalheiros usam calças mas tantos não lhes fazem justiça e muitas mulheres se desesperam por mostrar que elas é que realmente as vestem (mesmo quando estão de saias), é bom recordar que não importa o papel que cada um desempenhe perante a sociedade: quando se trata de um casal, a velha fórmula "let a woman be a woman and a man be a man" nunca desilude. 


1 comment:

C. N. Gil said...

Pois...

...no fundo, uma mulher sério, precisa de um homem a sério...

...desequilíbrios acabam por dar maus resultados...

:)

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