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Friday, March 6, 2015

Os "Ashleys" e os "Rhetts"



No imortal romance/filme Gone with the Wind, a anti-heroina Scarlett passa o tempo dividida entre a alma gémea que ela ama embora não o admita, Rhett Butler, e o rapaz que ela julgava amar, Ashley Wilkes.

Só no final da história é que Scarlett percebe que nunca poderia ser feliz com Ashley pois, como ele passara a vida a dizer-lhe, eram "demasiado diferentes".

 Ashley Wilkes, embora criado para o papel tradicionalmente masculino de um cavalheiro (a caça, a guerra, etc) tinha um carácter introvertido e passivo. Ao longo do enredo, por várias vezes sucumbe à pressão de ver o mundo tal como o conhecera ruir à sua volta (Scarlett chega a ter de lhe acudir mais do que uma vez). Embora se sinta atraído pela vivacidade de Scarlett, prefere casar com a sua tímida e doce prima, Melanie. Não só porque ela era em tudo semelhante a ele (nisso estava coberto de razão) mas porque assim fora destinado, era o que estava à mão. E se não casasse com Melanie, teria provavelmente aceitado Scarlett quando ela, vendo que ele não atava nem desatava, arriscou e se declarou a ele (a meu ver, a pior atitude da protagonista ao longo do livro inteiro). Mas também isso...só porque era cómodo.




 Quando deixou de viver dos rendimentos como um "cavalheiro de meios", Ashley desorientou completamente, apesar de ter a mulher, o filho e a tia idosa a cargo. A única coisa que não o torna uma personagem detestável é o seu bom coração; ele é um "homem de honra" de acordo com o seu berço - mas até isso é posto em causa quando lhe falta pulso para pôr Scarlett no lugar. A outra sorte que tem é a esposa que lhe calhou: dócil e meiga, incapaz de o emascular, embora seja na realidade muito mais forte do que ele. Nas mãos de uma mulher como Scarlett, seria gato-sapato.


Se vivesse actualmente, Ashley seria o tipo perfeito de Homem Beta: passivo, indolente, com atitudes algo femininas e pouca fibra. Provavelmente casaria não com a prima porque isso hoje é mais raro, mas com uma colega de escola ou vizinha que conhecesse de toda a vida, ou com a primeira rapariga espertalhona que tomasse a iniciativa, mesmo que não estivesse muito apaixonado, porque seria demasiado preguiçoso para tentar conquistar uma que lhe agradasse mais.

E tal como o Ashley do antebellum, o Ashley de hoje podia tentar fazer-se passar por Homem Alfa. Podia ter (ou fazer por ter) um status social de destaque. Poderia ser alto, desempenado e aparentemente masculino. Alguns Homens Beta são mesmo agressivos, falam alto,  julgando que assim colmatam a assertividade que lhes falta.  Só que...não.




Já Rhett Butler é a representação perfeita do Homem Alfa: teve a mesma educação aristocrática de Ashley, mas temperada por carradas de espírito crítico, uma pitada de cinismo e coragem inata. Nem sempre procede bem (na maior parte das vezes "está-se nas tintas" para os princípios que recebeu) mas vai atrás do que quer (não tem medo das recusas de Scarlett) é um bom leitor das pessoas (consegue ver que ela o adora mesmo quando tenta demonstrar o contrário) e é um líder nato, capaz de perceber quando uma causa está perdida. Apesar de cometer erros (que o prejudicam mais a si próprio do que aos outros) sabe reconhecer que esteve mal e faz por repará-los. Não é pretensioso nem tenta ser perfeito. Quebra algumas regras quando é imperativo sobreviver, mas é honrado quando chega a ocasião. A sua basófia esconde um coração de ouro. E apesar de impetuoso, é firme e calmo o suficiente para refrear os assomos de Scarlett, quando *finalmente* casa com ela. E a cereja em cima do bolo, revela-se um óptimo pai.


Ashley é um Beta- um rapazinho. Rhett é um Alfa: um Homem.


De facto, uma mulher feminina mas forte como Scarlett (e há imensas) nunca poderá ser feliz com um Ashley. O mal é que muitas, tal como Scarlett, se iludem julgando que os Ashleys (gentis, excessivamente tolerantes, sensíveis e manipuláveis) é que lhes convêm...



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