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Saturday, March 7, 2015

Os homens e os duelos na era dos social media


Um reflexo masculino inato é o sentido territorial. Desde a noite dos tempos, face ao ciúme as mulheres arrepelavam-se e choravam, os homens partiam a desancar um rival - hipotético ou de facto. Por alguma razão houve duelos até meados do sec. XIX: as "pendências de honra" não eram mais que uma forma pretensamente civilizada de dar vazão ao instinto para a pancadaria.

 Actualmente os papéis inverteram-se tanto que se procurarmos no Google, como procurei para ilustrar este texto, uma imagem de "homens a lutar por uma mulher" encontraremos muito mais facilmente mulheres à luta por um homem que engana as duas, o que é deprimente...porque enfim, aos homens nunca caiu tão mal perder a cabeça nem lutar por uma dama. Se não for levado ao exagero, até é amoroso...já lá vamos.

 De qualquer forma,  ainda vai havendo  cavalheiros que fazem justiça ao instinto de galos de briga. Ou porque são mais tradicionais, ou simplesmente porque têm mais testosterona que os outros, ou porque sofrem de um ciúme e/ou de um ego mais acentuado. E que fazem esses cavalheiros? São uns exagerados. Se têm um relacionamento com -ou simplesmente, sentimentos fortes por - uma determinada menina ou senhora, fazem gala de controlar qualquer potencial rival. Ainda que não haja motivo para isso, a sombra de um homem atraente (ou que lhes pareça ameaçador lá na sua cabeça) perto da mulher de quem gostam faz-lhes ferver o sangue e partem para a provocação, a troca de palavras, a intimidação, a ameaça ou mesmo o bom e velho vias de facto. 

 Ora, noutros tempos essa pesquisa exigia algum trabalho: ou os rivais se conheciam e frequentavam o mesmo meio - o que permitia mandar um "recadinho" por um amigo comum, como primeiro aviso - ou era necessário andar a rondar-lhe a casa ou o emprego, como o transmontano d ´Os Maias, que se muniu de um facalhão para "beber o sangue ao Maia" (e recebeu uma data de bengaladas). Isto para fazer a coisa à traição e sem muita publicidade, evitando assim o duelo, que era sempre falado. Se tudo corresse pelo pior, havia uma cena de pugilato e a rapariga disputada, embora passasse uma aflição e uma vergonhaça, sempre ficava com o ego lá nos píncaros.

 Hoje, nem é preciso tanto: há sempre os avisos através de amigos e conhecidos e as "esperas", mas graças às redes sociais basta uma mensagem a insultar o atrevido de tudo quanto há, e se não se afastar dela vou fazer-lhe a vida tão infeliz que nem faz ideia, ou simplesmente um parto-te a cara, meu filho de mulher que não é honesta.

É mais discreto, mas também mais manhoso, e a dama disputada só vem a saber por portas travessas, se é que sabe de todo. 

Na maior parte das vezes, limita-se a perguntar-se porque é que o Manel, que era um rapaz tão simpático, agora foge a correr quando a vê.

 Não deixa de ser querido que o façam (de uma maneira controladora e parva, diga-se...) mas o romantismo vai-se pela chaminé. É que não é legítimo lutar por uma dama sem o fazer às claras...

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