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Thursday, March 5, 2015

Sic transit gloria mundi


Em 1960 a imprensa do coração noticiava a vitória obtida pela bela cantora Maria Callas, ao ser aceite no círculo social do homem com quem esperava casar - Aristóteles Onassis. A Princesa Grace recusara-se até então a receber a lendária soprano por lealdade à primeira mulher do armador grego, Athina, de quem era muito amiga. À data acedia finalmente aos pedidos do Príncipe Rainier para que cessassem as hostilidades, e Maria Callas deve ter-se sentido muito confiante e feliz...

 Mas é curioso ver estes recortes antigos sabendo o que viria a ser o futuro...uma pessoa sente-se como um viajante no tempo, o que às vezes acaba por ser um pouco melancólico.

 Em consequência do affair, Athina divorciar-se-ia efectivamente de Onassis nesse mesmo ano,  casando no ano seguinte com o Marquês de Blanford e mais tarde, com o milionário Stavros Niarchos, viúvo da sua irmã. Morreu aos 45 anos, de overdose, em Paris, e os dois filhos que tivera de Onassis sofreram mortes igualmente trágicas.

 Quanto a Maria Callas, como estarão recordados, não chegou a casar com o homem que amava apaixonadamente: em 1968 Aristóteles abandonava-a  para desposar Jackie Kennedy, dizendo-lhe "não passas de uma mulher com um apito na garganta; um apito que de resto, já nem funciona". A cantora nunca mais foi a mesma, acabando por definhar de desgosto.

 O casamento de Onassis e Jackie foi tão infeliz que ele se teria divorciado dela se não tivesse morrido antes, em 1975. Alguns anos mais tarde também a encantadora Princesa Grace deixava de fazer parte deste mundo, ficando para trás um inconsolável Príncipe Rainier que não voltou a casar...

Dos protagonistas desta estória , nenhum se encontra já entre nós; as pequenas disputas, desgostos, vaidades, arrelias e batalhas sociais ou amorosas que os moveram deixaram de ser importantes e reduzem-se agora a velhos recortes de jornal que interessam apenas aos seus biógrafos, ou a curiosos sem medo de vasculhar revistas poeirentas...

 É por coisas destas que devemos apreciar com certo descaso as alegrias e glórias mundanas; delas apenas resta a anedota. Vanitas vanitatum et omnia vanitas...  







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