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Wednesday, March 25, 2015

Top 10 do disparate (ou pérolas a ignorar... pela sua saúde)

Menciono muitas vezes o termo "higiene mental" porque tê-la em conta é tão importante como qualquer cuidado com a nossa pessoa.  Hoje em dia ser uma "mente muito aberta" é considerado uma grande qualidade. Tenho as minhas dúvidas quanto a isso, pelo menos se for em exagero. Uma mente escancarada, que não se apoie  em valores firmes e opiniões sólidas, sujeita-se a ser influenciada para pior...

Logo há que ter sempre à mão uma esponja mental (não das que absorvem, mas daquelas de apagar quadros) e uns tampões imaginários para os ouvidos, de modo a fazer um gélido laissez faire, laissez passer a certos conteúdos, comportamentos e conversas. Já que nem sempre é correcto mandar calar as pessoas ou fazer alguma intervenção, ao menos que se salve a integridade interior com um "entra por um ouvido, sai por outro". Anuir ou ser cúmplice é elasticidade moral; calar-se bem calado, não dar seguimento e desaprovar furiosamente com os nossos botões é outra história.

 Vejamos então o top de disparates que entram pelos nossos olhos/ouvidos dentro (na rua, entre conhecidos, nos social media...) e que caem na categoria  "fala para a mão" ou "vou rezar por ti, pobre alma transviada" (pensem, mas nunca digam isto a ninguém; as pessoas ficam mais furiosas do que se as tivessem mandado a um lugarzinho muito feio...).

1- "Ofendedismo"



Na época do politicamente correcto por excelência, é complicado confiar nos média ou na civilidade que nos foi ensinada. É que não se pode dizer nadinha e daqui a pouco cai-se em crime-pensar, como no livro 1984: um simples verniz de unhas ou um filme clássico são taxados de sexistas; a coisa mais inocente é taxada de machismo, slut shaming, body shaming ou discriminação de qualquer ordem. Como dizem no país irmão, é procurar piolhos num ovo.  As pessoas andam num permanente estado de melindre e procuram em tudo desculpas para se melindrarem. Se não estamos a maltratar ninguém, a ir contra os direitos humanos nem contra as regras de boa sociedade, ignore-se todo o extremismo sem pedir desculpas por isso.

2 - Política de pacotilha


Conversa que começa e termina interminavelmente com corja de bandalhos, ladrões que querem é encher os bolsos, etc. Mesmo que possam ter razão, não é novidade nenhuma, não resolve nem acrescenta nada e em todo o caso, há maneiras mais elegantes de expressar descontentamento.


3 - Sou uma mulher guerreira/ele não sabe o que perdeu, etc



Bem se diz que o inferno não pode competir com a  fúria de uma mulher rejeitada, mas na era em que as mulheres magoadas (tenham ou não razão) podem ventilar publicamente as suas dores, haja paciência. Um desabafo é compreensível - mas dar detalhes, entrar em modo raposa que não foi às uvas e gritar ao mundo que é um partidão sem defeitos e ele um ceguinho que não soube apreciar já é perder a classe. A ignorar e não copiar, por mais que o Eduardo fuja com a camareira do hotel levando todas as suas jóias e lhe apeteça nadar em solidariedade feminina.

4 - Nunca olhes para trás/se o teu passado ligar não atendas, ele não tem nada de novo para te dizer, etc




Não sei quanto a vocês, mas quando eu ando ocupada em modo aviar a minha vidinha sem olhar para trás, não me sobra tempo nem lembrança para avisar o resto do mundo de que estou nesse entusiasmante processo, nem de dizer às pessoas "olha, sabes? Vais ficar para trás na minha vida. Confessa lá que isso te aborrece imenso, vá, estou ansiosa". Uma vez tentei andar de bicicleta a grande velocidade olhando para trás e dei uma valente queda, por isso não repeti a façanha. Cada um terá a sua maneira de andar para a frente sem olhar para trás, mas parece-me uma contradição. 

5 - Relatar em público desgostos de amor/intrigas/escandaleiras (dizendo ou não nomes)

Os mexericos são sempre uma baixeza de evitar - porque é feio e porque acabam inevitavelmente por gerar confusões. Porém, nem a  pessoa mais íntegra e mais sóbria está livre de se ver envolvida num e ser maltratada injustamente, como ninguém está livre de um desgosto de amor que não merecia. É a vida e convém ter a humildade de pensar que estamos sujeitos a isso como os outros mortais. Se tal acontecer, qual é o remédio? É continuar a  proceder com integridade e sobriedade, esperando que a verdade se esclareça sem dar demasiada importância ao assunto. Isso ou confrontar o mexeriqueiro discretamente, atirar-lhe balões de água, esborrachar-lhe ovos contra a porta  (muito discretamente, se possível) ou comprar uma boneca de voodoo para aliviar o stress- tudo, menos fazer figura de urso. Se o caso é mesmo grave, há tribunais. A não ser que se trate de uma figura pública que tenha sido enxovalhada de forma igualmente pública é ridículo alimentar o diz-que-disse com "comunicados de imprensa à facebook".

6 - Dizer que a religião é a raiz de todos os males...ou queixar-se da família



Poucas coisas mostram tanta imaturidade. Quem quer ser ateu, força - a Fé (ou falta dela) é livre - mas convém largar a atitude de "eterno rebelde". Já houve um rebelde por excelência que fez esse trabalhinho todo, chamava-se Lúcifer e ao menos caiu do Céu com um panache assinalável e conhecimento de causa. Atacar a religião alheia (e muitas vezes, de forma pouco fundamentada) é um debate gratuito que ofende quem acredita e não leva a lado nenhum. Quem tem tanta necessidade de bradar contra o assunto pode sempre pôr-se caladinho a ler o Paradise Lost, que parece menos pindérico. Do mesmo modo, um adulto queixar-se em público da mulher esbanjadora ou dos pais que o deixaram muito traumatizado porque compraram um pónei ao irmão e ele só teve um triciclo, não alivia os seus problemas nem dá a imagem de uma pessoa muito forte e resolvida: parece um bebé chorão com ressentimentos graves que não sabe perdoar.

 7 - Falar com amargura nas "cunhas" dos outros....



...e invariavelmente terminar acentuando a sua condição de self made man/woman, vulgo "coitadinho de mim que subi a pulso". Passa uma imagem de pessoa miserabilista e rancorosa (o que é sempre deselegante) e além disso, há a  hipótese das "cunhas" que tanto o incomodam nos outros nem sequer existirem. Por fim é uma hipocrisia, porque quem tanto repara na fortuna alheia só pode ser ganacioso, e nunca vi um ganancioso recusar uma "ajudinha" para subir na vida, nem um invejoso não desejar ardentemente aquilo que condena. 

8 -...e do mesmo modo, reparar na "boa vida" de fulano ou beltrano. Para dizer mal, claro.



A não ser que quem fala tenha sido vítima de um roubo descarado (vulgo levaram-lhe o descapotável, passeiam-se com ele pela cidade obrigando-o a ir a pé para o emprego e a polícia não tomou conta da ocorrência) a riqueza/vida de lazer/existência glamourosa de alguém não é da sua conta. Pior do que ser invejoso, só demonstrá-lo: é um rebaixamento social instantâneo.

9 - "Eu cá sou muito simples e humilde" (implicando que os outros são uns snobs)

Uma coisa é ser simples (e isso é como a riqueza, bondade, nobreza, inteligência ou beleza: quem a possui nem se lembra de falar nisso) outra coisa é ser simplório.

10 - Dizer "eu não julgo ninguém" (geralmente seguido de um "mas")



Das duas uma: ou faz das boas e não quer por sua vez ser julgado, ou é o primeiro a fazer julgamentos. Todos nós tiramos impressões do que vemos e ouvimos. Ser cordial e ter respeito por todos não implica ser isento de valores, e ter capacidade de julgamento não é uma coisa má (antes pelo contrário) desde que sejamos tão exigentes connosco como somos com os outros. Hipocrisia much?













1 comment:

A Bomboca Mais Gostosa said...

Confesso que já dei por mim a falar das cunhas de fulano ou fulana, mas não é algo que faça com frequência. Ainda assim, é de facto de evitar.
Já as pessoas que se auto intitulam de muito humildes... Ui, passo-me, porque os casos que conheço, são completamente insuportáveis.

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