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Monday, April 20, 2015

7 coisas pelas quais uma mulher não tem de pedir desculpa


Esta é uma época estranha para se ser mulher. Por um lado, esperam-se de nós características pouco femininas, "vendidas" como um falso poder- ambição excessiva, ousadia, rispidez, agressividade. Por outro, é suposto sermos complacentes com coisas que nos incomodam por dentro, só porque são conforme l´air du temps. Nessa altura já cai mal ser assertiva. Então, em que ficamos?

Newsflash, meninas e senhoras: apesar de muita ideia politicamente correcta e supostamente civilizada vendida pelos media e pela ficção, há aspectos/opiniões/opções que só a nós nos dizem respeito, e não temos de pedir desculpa (nem sentir a consciência pesada) por isso. Eis alguns exemplos:


1- Ter dinheiro e/ou sucesso



Porque se desunha a trabalhar/herdou e não tem culpa que os seus antepassados fossem gente previdente/a sua família tem meios/ criou um negócio que está a dar fantásticos resultados/escreveu um best seller/lançou um disco de platina/ ganhou o euromilhões graças a um sonho em que a sua tia Capitolina que coitada, já não está entre nós, lhe disse "filha, jogue nestes números"...a verdade é que não deve explicações a não ser ao seu banco. 
 As pessoas são super tolerantes com tudo, mas o caso muda de figura quando se trata do dinheiro ou estatuto alheios. É óbvio que com a fortuna vem a obrigação implícita de ser delicada junto de quem não tem tanta sorte, evitando comportamentos de ostentação... e um certo dever moral de ser generosa com quem realmente precisa, mas parto do princípio que já faz isso. Nem a caridade deve ser alardeada...
Se não fez nada de errado para obter a sua situação confortável, não tem de se justificar pelo êxito. Por mais que o faça, não calará as más línguas nem vai aliviar o ressabiamento a quem o sente. O único remédio é afastar-se de pessoas assim. E não, também não precisa de pedir desculpa por isso. 


2 - Ficar em casa a cuidar do marido e dos filhos...ou adiar casamento e filhos em prol da carreira



Acredite, são duas opções que nunca reúnem consenso. No primeiro caso, porque não há quem entenda as feministas: é suposto uma mulher ter todas as opções, menos a de um papel mais, digamos, tradicional, se assim lhe aprouver e tiver os recursos para isso.  No segundo caso, porque as pessoas nunca estão contentes e têm sempre de dar sentenças sobre alguma coisa: se ainda não encontrou a pessoa que a faz querer ir até ao fim do mundo, havia de casar contrariada? Quer queira uma, outra, ou conciliar ambas, desde que saiba o que é melhor para si e esteja consciente de que "ter tudo" exige equilíbrio e opções, peça a essas pessoas que se dediquem à nobre arte de plantar batatas, que a agricultura biológica tem muito chic neste momento.

3 - Exigir ser tratada com cavalheirismo



Só porque há uma facilitação generalizada que propicia a descida de padrões no relacionamento com o sexo oposto, isso não significa que deva pedir desculpa ou sentir-se mal por exigir respeito. Discrição, seriedade, serenidade, feminilidade e elegância convidam automaticamente ao cavalheirismo, mas as linhas esbateram-se tanto que muitas vezes há quem se confunda. Lembre-se: a delicadeza feminina termina onde a indelicadeza masculina começa. 


4 - Não querer ser amiga do seu ex (ou não o querer ver nem pintado!)
Há ex e ex, várias motivações para continuar (ou não) em contacto e diferentes formas de lidar com essa situação constrangedora, de acordo com a moral e valores de cada um (a). Depois, é preciso distinguir uma relação cordial (ou um pacto de não agressão) de amizade. Mas parece que actualmente é de rigueur as pessoas envolverem-se num dia, zangarem-se e continuarem muito amiguinhas no outro, sem um mínimo de pudor, como se nada se tivesse passado. Se o seu ex é do tipo Godzilla, se fez trinta por uma linha - ou simplesmente se ainda tem sentimentos por si, deixando-a pouco à vontade porque não quer magoá-lo - não tem de comprar essa ideia. Tão pouco você tem culpa de ser moda certas mulheres, roídas por dentro, continuarem amigas dos seus ex namorados na esperança de os reconquistar (não há nada mais triste!). Não estamos no tempo do Flower Power nem há cá amor livre (a não ser que viva numa comunidade hippie e nesse caso é lá consigo, que eu não sei como os hippies gerem essas coisas). Tão pouco a sua vida é um episódio de Coupling, Friends ou How I met your Mother.

5 - Não querer envolver-se com um cavalheiro que continua super amigo de todas as ex. E que tem imeeensas amigas.




Se acredita na máxima "homem que tem muitas amigas, ou é gay ou não é gente séria" não se obrigue a suportar coisas que a deixam desconfortável. Até pode ser preconceito seu, mas dificilmente estaria descansada junto de alguém que acha normalíssimo ter um tipo de vida social que a deixa em parafuso. É perfeitamente legítimo dizer "é muito bom rapaz, mas prefiro relacionar-me romanticamente com alguém mais recatado/selectivo". Talvez sirva para amigo, já que é tão amiguinho de todo o mundo.

6 - Ser magra/bonita/estar em forma (ou recuperar a forma ao seu ritmo)
O ugly is the new pretty e a obsessão pela "beleza real" puseram as mulheres tradicionalmente "bonitas" a pedir desculpa por isso para não melindrar as restantes. Se uma mulher consegue, apesar do ritmo alucinante do dia a dia, andar impecável e manter a forma, é muitas vezes acusada de fútil, de ter um distúrbio alimentar ou no mínimo, de abusar do photoshop e da maquilhagem. Por outro lado, as raparigas que sentem não corresponder ao "padrão de beleza imposto" acham-se na obrigação de partilhar com o mundo imagens das suas imperfeições, dizendo que isso é que é ser uma mulher "real" para obter assim o aplauso da multidão. Ninguém deve ser ridicularizado por ter pequenas mazelas de que nem uma supermodelo está livre, mas fazer disso motivo de louvor ou pescar elogios é igualmente disparatado. Cada uma tem de cuidar do tipo de beleza que Deus lhe deu e tirar partido disso, usando o que a favorece e escondendo o que é menos bonito. De resto, haters gonna hate e  ser discreta cai bem em toda a parte.

7- Cortar com/ignorar/ter uma opinião forte sobre/ evitar pessoas que não aprecia
Ou porque lhe pregaram uma partida feia no passado, ou porque se dão a comportamentos e convívios que não lhe agradam. Temos o dever de perdoar as ofensas (ou seja, dar o desconto, seguir adiante e não guardar rancores que fazem pior a quem os sente do que ao alvo) e de respeitar todos como gostaríamos de ser respeitadas. Mas isso não implica acolher uma cobra venenosa na sua intimidade, ou ser isenta de julgamento. Se alguém lhe fez mal, é legítimo não voltar a dirigir a palavra a essa pessoa, salvo em situações profissionais em que não tenha outro remédio, e mesmo assim...
 Por outro lado, se uma pessoa até nunca lhe causou dano mas tem uma forma de estar que vai contra os seus princípios, não é obrigada a fingir que isso não lhe faz confusão só porque vivemos na época do "tudo é permitido". Seja educada, cosa consigo a sua opinião e afaste-se. A liberdade é bilateral: os outros têm a liberdade de procederem como entenderem dentro da lei, e você de pensar o que quiser sobre o assunto de si para si, bem como o de seleccionar as suas companhias.

Sorry about that! *NOT!*


















3 comments:

Sandra Marques de Paiva said...

Totalmente de acordo. Viver nesta sociedade é de facto cansativo.... e estou cansada de tudo e de todos. Afasto-me de quem tenho de me afastar e faço aquilo que acho que devo fazer e que sinto ser o melhor para mim. É tudo muito lindo, mas primeiro estou eu. Chamam-me de egoista. Sou sim e com todo o gosto!

A Bomboca Mais Gostosa said...

Acredita que já fui (e sou...) muito criticada por não me dar com certas companhias! Que sou muito "snob" porque não tolero certas pessoas. Se as pessoas em questão já me fizeram coisas bem feias, e têm toda uma postura muito diferente da minha, porque haveria eu de lhes abrir as portas de minha casa? Enfim.

Ana Duarte said...

Engracado como a sociedade se encarrega de criar carneirinhos (convencer-nos desde criancas que devemos ser bonzinhos, obedientes, saber esperar etc) e depois premeia os lobos. É só chegar à idade adulta para perceber que andámos anos a ouvir a história da carochinha: chegamos ao mercado de trabalho e é o salve-se quem puder (ética, espírito de equipa - o que é isso?), quem ascende é o mais esperto, o mais manhoso, o que demonstra mais agressividade na conquista dos (seus) objectivos. E isto ainda mais quando se trata de mulheres, educadas para ser femininas e delicadas, reservadas...

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