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Tuesday, April 14, 2015

As coisas que eu ouço: ciúmes desgovernados dão nisto.

"Quando eu gosto de uma mulher exijo fidelidade
absoluta - mesmo que ela nem sonhe que eu gosto dela!"

Recentemente, num jantar, rimo-nos bastante ao recordar um episódio que se passou nos anos 1970 mas que podia perfeitamente acontecer hoje (salvo algumas diferenças, pois o politicamente correcto tornou as pessoas muito mais sensíveis).

Um amigo da família, que aqui para nós se chamará Manel, andava a 
preparar-se para estudar Medicina num dos primeiros liceus a ter turmas mistas. Numa escola com poucas raparigas - e em ciências, onde as alunas ainda eram mais raras -  qualquer recém chegada fazia muito sucesso.

 Ora, o Manel calhava ser vizinho de uma das condiscípulas, chamemos-lhe Mimi, com quem se dava bem. Para não fazer o caminho sozinha, já que iam para o mesmo lado, ela costumava pedir-lhe que a acompanhasse. E ele lá ia, sem nenhum interesse especial na rapariga.

  Mas havia um jovem na mesma turma, o "Bolachas", que estava perdidamente apaixonado pela Mimi e entendeu que apesar de nunca se lhe ter declarado (ou porque era tímido, ou porque não sabia o que queria da vida) ninguém se podia aproximar dela. Um verdadeiro ciumento indeciso, dos que não se descosem nem dão nome às coisas mas se acham traídos mal outro ser de calças se aproxima.




Por isso tomou de ponta o Manel, que via como rival... e todos os dias lá andava atrás dele, acusando-o de lhe roubar a namorada.

 - Tu não te atrevas a aproximar-te da minha miúda que eu parto-te a cara! -ameaçava ele.

Em vão o nosso herói lhe explicou, vezes sem conta, que não estava interessado na Mimi nem tinha nada com ela.

- Se gostas dela, vai falar com ela. Acompanha-a tu a casa, que eu não me ralo nada - e larga-me da mão.

Pois sim. O ciumento nem dizia palavra à Mimi, que não sonhava as intenções dele, nem largava o outro, seguindo-o como um cão de fila. Isto andou assim umas semanas, com o primeiro a fazer figura de urso e o segundo a encher o saco.

 Até que um belo dia o apaixonado paranóico emboscou o "rival" na casa de banho do ginásio, continuando com a mesma lenga-lenga. 

- Tu gostas da Mimi! Eu não permito que chegues perto da Mimi! A Mimi é minha, etc.

E o outro : ó Bolachas  tu deixa-me, cala-te, desaparece-me da frente! - porque já estava mesmo farto e porque tinha um teste de Matemática a seguir.

 Mas o Bolachas não desistia, cada vez gritava mais, e o Manel, que era um rapaz atlético e desempenado, ficou "cego", como se costuma dizer. 

Perdeu as estribeiras, puxou o braço atrás, tomou balanço e assentou-lhe um soco tal que o Bolachas voou, varou a porta da retrete e foi aterrar, ensanguentado, em cima da dita cuja. Depois o Manel foi chamar quem lhe acudisse e regressou à sala para fazer o tal teste de matemática.

Parece uma cena de filme, mas aconteceu mesmo...

 O resultado desta história foi o Bolachas ter de pôr dois dentes postiços. O Manel escapou com uma reprimenda porque era bom aluno e tinha sido provocado (além de naquele tempo ninguém se ocupar de rapaziadas, quanto mais de duelos por ciúmes). A Mimi, ao que parece, continuou a leste do paraíso, sem saber que o infeliz enamorado tinha perdido dois dentes da frente por amor dela...

 Os tempos são outros mas ciumentos como o Bolachas continuam a existir, mesmo quando já passaram há muito a idade do liceu: em vez de dizerem da sua justiça põem-se a controlar rivais que nem têm razão de ser e a fazer cenas de ciúmes disparatadas (e sem direito) às Mimis das suas vidas...

Hão-de ganhar muito com isso, hão-de.












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