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Thursday, April 2, 2015

As pessoas-maracujá, esses seres complicados


Aqui vos aviso, nunca se apaixonem por uma pessoa-maracujá - ou pior um pouco, por uma pessoa-tamarilho. Nem isso, nem contar grandemente com a amizade de uma alma de maracujá ou de tamarilho.

E perguntais vós, mesmo a ver que já aí vem outra associação que não  lembra ao tinhoso, o que vem a ser uma pessoa maracujá ou uma pessoa tamarilho?

Bom, são assim entes muito complicados e sensíveis: únicos e maravilhosos, mas com exigências que ninguém entende (como os maracujás) e picuinhas que se fartam (como os tamarilhos) obrigando os outros a andar em bicos de pés ou a desdobrarem-se para lhes agradar.

Não é que façam de propósito. Não é que sejam conscientemente egocêntricos e julguem que o mundo gira à sua volta (bom, talvez um bocadinho). É que não sabem sentir, pensar e funcionar de outra maneira, mas acham que todo o mundo tem obrigação de os entender...e de lhes antecipar os caprichos.

Ora isso complica tudo, mesmo que tenham a sorte de encontrar alguém que adora maracujás e toda a vida viveu com tamarilhos, logo compreende as suas particularidades melhor do que a restante população e reage instintivamente à sua maneira de ser. 

Ao início tudo corre bem e é um encantamento. A pessoa que adora maracujás pensa "finalmente, maracujá todos os dias. Um ser que condiz com a minha forma invulgar de estar na vida, com o meu coração sonhador e artístico" e o maracujá ou tamarilho diz " que maravilha! Alguém que me vê como sou, que me compreende e que não se enfurece comigo!".



 Mas a médio- longo prazo, como acontece em qualquer ligação humana, as coisas azedam um bocadinho:  um maracujá, achando-se tão especial, espera muitíssimo daqueles que ama e fica extremamente surpreendido e magoado quando alguém, sei lá, não repara que as suas folhas estão um milímetro mais expostas ao sol do que deviam. Ou pior, se a pessoa, farta das suas doideiras, dá uma volta pelo jardim para arejar a cabeça e conversa com um medronheiro, um chuchu ou um physalis, que apesar de também terem defeitos não passam a vida a fazer birras. 

Sente-se magoadíssimo e desata numa fúria, a largar as folhas, a fingir que morre, a atirar fruta, a dizer impropérios. E quando lhe ralham que isso não se faz/diz, estranha muito e ainda se ofende mais, bradando que os outros não são dignos dele, que só prestam para lidar com pereiras, macieiras e outras árvores vulgares, ou para plantar batatas.

Se uma pessoa-maracujá/ tamarilho faz um disparate que é óbvio para qualquer outra criatura pensante ou ultrapassa limites inultrapassáveis para qualquer outro mortal, espera que ninguém a leve a sério. Ou que lhe dêem o desconto pela milésima vez. Claro que se fosse ao contrário, a pessoa-maracujá nunca desculparia tais abusos. E mesmo que lhe provem por A+ B  que não teve uma atitude decente, fica assim a olhar, como se lhe tivessem dado grande novidade. Não percebe mesmo o que fez de mal, não porque não sinta empatia (que até sente) mas porque acha que é diferente, especial: eu sou um  maracujá, coitadinho de mim, eu posso, tu não, tens é de aprender a lidar comigo e cara alegre.

 Pessoas-maracujá são assim, ainda que possuam belas qualidades como a meiguice, a dedicação e a inteligência...e não há grande coisa a fazer a não ser demonstrar-lhe que maracujás até há muitos, mas pessoas com tolerância para os aturar não são assim tão comuns...






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