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Monday, April 6, 2015

De pequenina se educa a menina.


"Se duas filhas têm tipos físicos diversos - uma gorduchinha e baixa, outra magra e pernalta - não ocorrerá certamente à mãe vesti-las com o mesmo manequim, só por serem irmãs. Maiores são as diferenças de espírito e carácter, igualmente visíveis a olho  nu. Tratá-las nos mesmos moldes não é tão ridículo, porém é muito prejudicial".


Mons. Álvaro Negromonte, in Corrija o seu filho


Observar a educação dos filhos dos outros é um curioso exercício antropológico - se a compararmos com aquela que recebemos - e sempre interessante para o governo de cada um, mesmo que não se pense ter crianças em casa tão cedo.
 Educar, ter a cargo a formação de carácteres com as suas particularidades aos quais é preciso aproveitar as boas qualidades e atalhar os defeitos, é uma responsabilidade assustadora. Ninguém pode afirmar aos pés juntos como o fará: pode-se apenas partir do que se aprendeu em casa... e reparar no que não se quer fazer de certeza absoluta, pois os exemplos negativos também são úteis.

 As educações diferem - pelo contexto socio-económico da família, pelas ideias (políticas, religiosas, etc) dos pais- embora, salvo as especificidades de hábitos, haja crianças bem e mal formadas em todos os cantos da sociedade - e pelo contexto da época, apesar das regras intemporais que alguns continuam a respeitar.

  Não creio que  velhas normas, que arrepiarão muitas mentes modernas, como "os pequenos não têm grandes quereres e são mais para ser vistos do que ouvidos a não ser que falem com eles primeiro" sejam, se aplicadas sensata e carinhosamente, tão más como isso. 


 A maior prova a favor dessa "educação à moda antiga"  são as vendas astronómicas dos livros dedicados a corrigir, tarde demais, os "pequenos ditadores".

Nos seres humanos em formação é necessário refrear os excessos (não deixando tagarelar demasiado uma criança atrevida, por exemplo) e estimular o que não está tão desenvolvido (obrigando a criança acanhada a dizer as frases da praxe: bom dia, boa tarde, como passou, com licença, desculpe, obrigada (o)!).  É para superar os defeitos de cada um que se inventaram as normas de conduta...

 E se a educação dos rapazes dava um livro, educar meninas daria um volume um bocadinho maior, tanto pela complexidade do carácter feminino (que é um dos seus encantos) como pelos desafios de comportamento que esperam uma rapariga actualmente.


 Como educar para a discrição, numa época em que é suposto uma mulher ser assertiva até quando isso não é necessário? Como fazer uma jovem sentir-se atraída por modelos de elegância e distinção quando a frivolidade extrema é a regra, os ídolos da sua idade são Minajs e Kardashians e as suas condiscípulas aparecem de forma tão reveladora no Instagram? Ou torná-la prestativa, feminina, amável, serena, corajosa e modesta no tempo em que "bow down, bitches" é a palavra de ordem? Como fazer tudo isto e ao mesmo tempo garantir que ela não desenvolve uma personalidade "demasiado gentil" e fraca, que a pequena seja capaz de se defender neste mundo cada vez mais agressivo (por um lado) e sem normas claras (por outro)?

 Só há uma forma - a trindade da referência, do hábito e do exemplo. Nenhuma criança crescerá insensível ao certo e ao errado se, para começar, for alertada para a existência do certo e do errado, algo que vai rareando hoje em nome de uma falsa tolerância.


 Ninguém achará "normal" coisas que nunca viu em casa. Ainda que observe comportamentos menos correctos na rua, que ouça música duvidosa na escola, vai estranhar e perguntar decerto "pai, que é aquilo?" - cabendo então aos adultos exercitar a sua sensibilidade para as nuances. E isso as crianças têm de sobra, são umas esponjinhas pela sua natureza curiosa...entendem muito bem se lhes disserem "há pessoas que dizem/ouvem/fazem/usam assim, mas nós não". "Então porquê"?. "Porque é feio". Pronto.

 Do mesmo modo, é inevitável que se copie aquilo que está à vista diariamente: são referências que não desaparecem mesmo na idade rebelde, em que será preciso aos pais orientar a escolha das companhias.

  Ora, muitos pais desleixam tudo isto. Surpreendentemente, vejo imensos progenitores inteligentes e supostamente cultos permitir programas e hábitos pouco elevados. Depois, há os pais cegos, para quem tudo está bem e que acham que a pior coisa que se pode fazer é melindrar a auto estima dos filhos, nem que seja pelo menor reparo. Com medo que a filha cresça complexada, exacerbam-lhe a vaidade, se é bonita, com péssimas consequências; se não é, permitem-lhe vestir roupas pouco adequadas à sua silhueta, dizendo-lhe sempre que ela é linda, ainda que não esteja lá muito...em vez de a ensinar a melhorar. Depois, quando ela ouve coisas desnecessárias no colégio, dá-se o velho "chorar com razão". E quem diz isto, diz outros erros de palmatória...


















1 comment:

A Bomboca Mais Gostosa said...

É realmente um dos meus maiores desafios, ainda que sendo um rapaz, a minha prioridade é proporcionar uma correcta educação ao meu filho. Mas não deve ser nada fácil educar nos dias de hoje. Há demasiadas distrações e sinais contrários. Vai ser um desafio.

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