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Wednesday, April 29, 2015

Frase do dia: coisa que um homem prudente não faz


"Alguns ha tão pouco advertidos, que requebrão suas mulheres à mesa diante de seus criados, agora com as palavras, agora com os mencos, e de todos os modos indignissimo; porque igualmente offende a modestia dos homens, e a honestidade das mulheres". 

D. Francisco Manuel de Melo, in


Que a leitura deste sábio autor português não esteja na moda, diz muito sobre a mentalidade actual. A sua obra devia ser o livro de cabeceira de muitos casais e de muita gente que pretende ocupar determinados lugares na sociedade. Os aborrecimentos que se poupavam!

 Pois bem, por aqui tem-se falado no feio vício que as meninas do nosso tempo ganharam: o de, julgando que isso as faz parecer muito "modernas", muito despachadas, diminuir os homens em público, contradizê-los diante de quem está, interrompê-los bruscamente ou falar mal deles às amigas. Poucas coisas são tão destrutivas para um relacionamento já que os cavalheiros, ainda que de forma inconsciente, levam muito a peito o respeito e admiração que a cara metade lhes deve.

  Mas igual dose de respeito se espera dos homens: e muitos há - ou por destempero, ou porque se sentem zangados, ou com um ataque de ciúmes, ou porque são autoritários ou tomam ao pé da letra uma postura tradicional (esquecendo que essa obriga ao cavalheirismo), abusando da boa vontade e paciência de quem gosta deles - que fazem gala de repreender quem está com eles diante de quem está, passe o trocadilho. Parece que ficam mais confortáveis, ou com mais coragem de dizer da sua justiça, se for diante dos amigos, de estranhos ou do pobre homem que vem tranquilamente com a sua bandeja servir o almoço ou o chá...


 Sentem-se assim mais apoiados, porque contam com a boa educação da mulher, que se calará para evitar piorar a cena; acham que a castigam ou se vingam melhor de algo que ela lhes tenha feito; e arvoram, julgam eles, figura de galo da casa, que tem a mulher na mão. Imaginam que os compinchas dirão que grande homem! Com aquele não se pisa o risco! Ele mostrou-lhe quem manda...e "conversas de caserna" deste estilo. Se calhar não é bem assim...

Já no sec. XVII tais atitudes eram mal vistas...um homem deve ser sempre senhor de si, antes de pretender ser senhor dos outros. Ao vexar a mulher diante de pessoas, pondo em causa a sua capacidade ou mesmo a sua honestidade, diz mais de si próprio do que dela, levantando até suposições injustas sobre si mesmo e sobre questões privadas lá dos dois. Não só passa por indiscreto e descontrolado, perdendo o respeito alheio, como faz com que a menina ou senhora visada lhe perca também o respeito; que não confie nele e esfrie, se for sensata, quaisquer sentimentos que nutra por tal bruto.

 Se às mulheres convém serem temperadas, aos homens convém que sejam "advertidos", mas num sentido mais arcaico do termo: ajuizados, prudentes e a guardar para o momento certo aquilo que não lhes convém que o mundo ouça.




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