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Monday, April 27, 2015

Listas: remédio contra bichos de sete cabeças.


Sou uma grande crente no poder das listas- para grandes e pequenas coisas. Listas de tarefas, de compromissos, de presentes, de objectivos, de bagagem, de supermercado, de desejos, de outfits e até de obstáculos que é necessário ultrapassar. Uma lista é a forma mais rápida de organizar o raciocínio, de encarar as tarefas de frente, de pôr os neurónios (e para quem acredita no "pensamento positivo", o poderoso subconsciente) a trabalhar, de limpar o excesso de informação, de desconstruir um bicho de sete cabeças. Listas simplificam, enumeram, põem os factos preto no branco.

Descomplicam o exercício de pensar, porque reduzem  ao mínimo o barulho do quando, como, porquê e do pormenor.

Preciso de fazer isto. Preciso de conseguir aquilo. A lista não exige que se escreva como, nem por que meios, nem de onde virão: simplesmente diz é preciso fazer isto ou alcançar este objectivo. Nada mais concreto, mais directo, mais espartano. Os recursos, os processos,  as voltas que é preciso dar hão-de surgir (ou são acrescentados à frente, com setinhas, conforme as ideias luminosas aparecerem). 

Antes de complicar com o como, há que ser capaz de resumir o quê. E a dificuldade em expressar o quê é o mal de muita gente, que compromete a sua eficiência por não ser capaz de pensar a direito, de resumir aquilo que quer ou aquilo que é preciso levar a cabo. Isso é primordial: quando a lista está feita, 50% da batalha está ganha.

A sua lista não pode ser pior que a de Hércules.

 Basta ver que Moisés não recebeu um manual detalhado com os Dez Mandamentos: as directrizes vinham, claras e concisas, em tópicos.  

 E tenho para mim que Hércules se ia baratinar completamente se não tivesse os seus doze trabalhinhos resumidos numa lista. O herói sabia que tinha de dar conta do leão de Nemeia e da Hidra, das Amazonas e do resto: pois que remédio, lá foi fazendo uma tarefa de cada vez com as ajudas e os quebra-galhos que foram aparecendo pelo caminho.

 Se não fosse assim, era bem capaz de começar a disparatar: ai, como é que eu faço com as nove cabeças do bicho? Como é que eu chego ao Inferno para ir buscar o cão, se o meu carro (salvo seja) está mesmo a dar o triste pio e preciso de um novo? E os estábulos do Áugias, ai aquele pardieiro fedorento...até me arrepio todo só de pensar!

Era uma baralhada. Assim não. Foi riscando um tópico de cada vez, tal como nós hoje em dia. A cada tarefa cumprida, sai-nos um peso de cima e aumenta a confiança. Por muito grande e assustadora que uma lista seja, nunca mete tanto medo como sentir as tarefas todas a pairar dentro da nossa cabeça, sem fio condutor; e nada bate a alegria de pôr um "visto" por cima de cada item. E completar uma lista importante, daquelas hercúleas? Ah, sensação de alívio de proporções mitológicas...

1 comment:

Sandra Marques de Paiva said...

Eu sou fã de listas e não passo sem elas, até porque a minha memória é de uma fraqueza impressionante :)

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