Recomenda-se:

Netscope

Sunday, April 12, 2015

Meninas: Oscar Wilde é que sabe.


Vejo muitas mulheres  a citar Oscar Wilde nas redes sociais só porque as frases são bonitas. Mas se aplicassem o que Oscar Wilde dizia talvez não tivessem razões para o citar, porque a vida lhes correria melhor...

Ora, numa das suas frases mais famosas, o autor resumiu algo que as mulheres acham lindo mas não tomam a sério e que os homens de hoje têm medo de admitir em público: as mulheres são para ser amadas, não compreendidas. É um ímpeto  de franqueza que só podia sair do coração de um irlandês.

 A queixa "o meu namorado/noivo/marido não me compreende" é quase um lamento automático, algo que as mulheres dizem porque é suposto dizer, sem que a maioria se debruce sobre o que vem a ser essa compreensão que supostamente lhe faz tanta falta.

  É que (salvo as especificidades do carácter de cada um) a natureza masculina, voltada para um entendimento geral, universal das coisas, falha por vezes em perceber o particular. Ou antes:  o particular, o esmiuçar, o cuidado, o detalhe, são domínio nosso. Como podiam eles entender todas as miríades, nuances e subtilezas femininas, se são esses mesmos mistérios que os mantêm interessados desde a noite dos tempos?  É o desejo de domar, ainda que por um breve instante, a arisca natureza da mulher, que os apaixona. No momento em que tudo se tornar completamente previsível, uma mulher tem razões para chorar porque o mistério do amor foi-se.


 Se eles nos compreendessem na totalidade, como quem domina uma equação ou uma teoria, realizava-se outro receio de Oscar Wilde: "como pode uma mulher esperar ser feliz com um homem que a trata como um ser humano perfeitamente normal?". Para quem está apaixonado, a outra parte nunca é "normal", "real" nem comum. Há sempre algo de sobrenatural, de pouco palpável, que se receia que fuja da vista, como um sonho. É por isso que se diz que os apaixonados não conseguem deixar de olhar um para o outro, ou
 largar-se quando estão fisicamente próximos. Ama-se o ideal, o irreal, o reflexo do divino. O normal, compreensível e palpável, é uma coisa que para ali está.

  Outro lamento banal é que "eles" não amam como nos romances e nos filmes. Ou seja, poucas vezes dizem aquelas frases (ou fazem aqueles gestos arrebatados) de um herói da ópera (ou de telenovela); não têm constantemente mil expansões românticas nem expressam o seu amor numa linguagem poética.

 Mas lembrem-se, essa linguagem costuma ser escrita ou por mulheres, ou a pensar naquilo que as mulheres gostam de ouvir... porque isso vende.

 Conheço muitas raparigas que desprezarão um rapaz que ama franca e sinceramente, mas caem mais que uma vez no conto do vigário de qualquer espertalhão que lhes diga, às primeiras, que elas são lindas e pouco depois, que as ama perdidamente. Falar é grátis! Se um homem vos fala assim sem mais nem menos,desconfiem: o mais certo é não ser muito masculino, se fala como as mulheres; ou dizê-lo a todas e mudar de ideias logo a  seguir.


Podemos sentir como na Ópera (e muitos homens sentem)  mas pouca gente fala como se estivesse no palco. Pelo menos assim, todos os dias...

  No fundo os homens amam como são: de forma abrangente, varonil, prática, um pouco brusca. Bem diz Sérgio Godinho, "quase sempre o amor me ofusca/de uma forma doce e brusca/assim eu amar soubera..." .

 Assim todos eles soubessem! Programados geneticamente para a caça e a guerra, queriam que se detivessem em pieguices a toda a hora? O seu amor, quando é real e intenso, manifesta-se na protecção e na preocupação com o bem estar da mulher que amam e do lar que criaram ou pretendem formar; a meiguice encanta-os, mas para os momentos de "trégua". Quando estão com pressa ou nervosos, as suas "declarações de amor" mais sentidas podem vir na forma de coisas tão "encantadoras" como "esta despistada, que se esqueceu de verificar o ar dos pneus! Ainda se mata para aí!".

Compreender-nos totalmente é o papel da amizade ou dos laços de sangue, nunca o de um homem. Compreender cada anseio nosso eles podem não saber, esses brutamontes, mas amar eles sabem. Com firmeza, constância e preocupações másculas, modos viris, à maneira deles.

 De resto, quando duas almas são muito semelhantes, feitas uma para a outra, não precisam de miudezas para se entender: o universal, o básico, o geral bastam (e nisso eles são realmente bons). A atracção e a química que unem duas pessoas tratam do resto.

  Se "ele" vos amar como um homem ama, e jamais como uma mulher, 
dêem-se por muito felizes. 








No comments:

Textos relacionados:

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...