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Monday, April 27, 2015

Ode às pessoas que precisam de arranjar uma vida




Todos somos sujeitos ao amor e ao desamor. À simpatia e ao desafecto. À amizade e à aversão. À admiração e à embirração. E ao ocasional odiozinho de estimação - temporário, que se formos pessoas equilibradas não passa de raiva, mal entendido ou de estar muito, muito zangado (a) com uma razão justa. Somos capazes de sentir estas emoções ou impressões, em maior ou menor dose, e de ser alvo de tudo isto. Faz parte da condição humana. É mesmo uma exigência sine qua non para viver em sociedade.

 Na era dos social media, mais vívidos se tornam esses sentimentos, porque por enganador que o mundo virtual seja, as pessoas estão sempre presentes - e acessíveis -  ainda que não em forma física; podemos perceber muito mais delas do que antigamente (quando nos limitávamos às impressões face to face e à reputação de cada um para formar um parecer). Penas que se vêem sentem-se com maior intensidade. Admirações ou amores, ainda que unilaterais, também.

  Mas tudo isto é diferente de fixação. 

Isso já é difícil de entender - pelo menos para mim, que sou a pessoa menos curiosa à face da terra. Se alguém não me inspira simpatia ou deixou de fazer parte do meu círculo (imediato ou alargado) por uma forte razão, quero saber o mínimo possível dessa pessoa: não sei, não quero saber, tenho raiva de quem sabe. A não ser que precise de evitar a persona non grata em causa ou que haja alguma informação vital para o meu bem estar, não podia importar-me menos o que ela faz, onde está, etc. Vou ao extremo de deixar de ir a certo sítio pelo tempo que for preciso, em modo esta cidade é pequena demais. Segundo me dizem, sou um bocado extraterrestre nessas coisas. Sempre ouvi que o ódio é como o amor, pensa-se no alvo 24 horas por dia e sinceramente, creio que isso é uma coisa um bocadinho triste para alguém fazer a si próprio (a). Uma forma de masoquismo íntimo e extremo. Se uma coisa é desagradável e não podemos mudar isso, se uma informação não é útil a não ser para nos aborrecer, ignoremo-la. 

Logo, custa-me a perceber quem espia as pessoas que fizeram parte da sua vida, a não ser pontualmente por curiosidade natural, sem qualquer emoção forte. E mesmo assim, mais que fazer...

 Depois, há a outra face da moeda - seres ainda mais estranhos. Vêem alguém uma vez (e muitas das vezes, vêem essa pessoa acompanhada) e criam uma fixação esquisita. Fazem gala de pasmar para a criatura em causa sempre que a encontram (no café, em eventos de amigos em comum ou virtualmente ) e lá na sua cabeça, essa pessoa ganha destaque, pensamentos, fantasias, espaço na sua vida. Se abordam o objecto da sua *muita e disforme* atenção nas redes sociais, fazem-no por dias seguidos, às vezes meses, mesmo que não obtenham resposta. E se são colocados no seu lugar zangam-se horrivelmente, com uma raiva que só visto, e dedicam-se a incomodar das formas que puderem ora virtualmente, ora movendo mexericos. Creepy.

Não percebo a relevância que estas almas atribuem a quem não se interessa por elas; a quem não lhes faz bem (nem mal, se estivermos a falar de quem simplesmente ignora) a quem nunca fez parte dos seus dias (ou fez, arrependeu-se e decidiu que já não queria tal coisa). 24 horas por dia é tão pouco tempo para acudir a tudo o que precisa de ser feito... e caso sobre tempo, há sempre tarefas que foram adiadas, tanta miséria a socorrer, tanto voluntariado a precisar de braços e cérebros. 

 Then again, não podemos pensar pela cabeça de quem raciocina assim...seria quase impossível, e um péssimo exercício para gastar o tempo. Que é precioso. 





 


1 comment:

Sandra Marques de Paiva said...

Concordo totalmente e algumas pessoas assustam-me mesmo. Do género, tenho um Stalker de estimação que passa a vida a mandar-me pedidos de amizade para o facebook e eu recuso sempre e ele não desiste e quando me encontra na rua faz questão de vir falar comigo e pedir-me explicações e eu nunca sei o que dizer, sem ser desagradável. É assustador.

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