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Friday, May 15, 2015

A mulher da luta de "Sombras da Escuridão"


Apesar de ser uma grande fã de Tim Burton, nunca tinha visto Dark Shadows. E andava com vontade de ver, até porque sabia que além de Michelle Pfeiffer (que adoro neste tipo de enredos) tinha a lindíssima Eva Green a fazer *mais uma vez* de bruxa. Ela desempenha bem esse papel e quase sempre as bruxas no cinema são mulheres bonitas, com um figurino fabuloso e auto estima para dar e vender (quem não teria, com imortalidade, eterna juventude e poder ilimitado?).

 Mas como não conhecia a série dos anos 70 em que o filme se baseia, estava -passe o trocadilho - às escuras quanto à história. Fiquei por isso muito espantada quando esta semana vi o filme e a personagem de Eva Green, Angelique Bouchard, me sai uma mulher da luta de todo o tamanho. Uma mulher da luta com um guarda roupa lindo mas mesmo assim uma patética, lamentável, merecias-era- um-estalo-a ver-se-acordas mulher da luta. Precisei de me conter para não parar o filme a meio, tanto me irritou a rapariga, que é a prova provada de que embora isso seja mais raro, nem todas as mulheres da luta são feiotas: há mulheres lindas que não têm o mínimo de amor próprio nem vergonha na cara.

 Sem querer maçar quem viu e fazer spoilers a quem quer ver, a história começa no sec. XVIII quando uma riquíssima família de Liverpool decide expandir o seu império para a América. Angelique, a bruxinha, é filha de uma criada da casa e tem uma paixoneta monumental pelo filho dos patrões, Barnabas. 



 Ora, Barnabas além de dono da casa é um playboy do piorio - e mesmo assim ela não deixa de meter na cabeça que gosta dele (ainda estou para perceber quem se entusiasma unilateralmente, a ponto de se apaixonar) e de fazer todos os esforços para lhe conquistar o coração (estão a ver? O coração de um homem ou se conquista logo ou não vale a pena fazer por isso, mas mulheres destas acham sempre que água mole em pedra dura tanto dá até que fura, nem que o homem em causa seja um mulherengo que não presta).

 Achando que assim consegue alguma coisa, Angelique oferece-se a ele e começam um desses affaires típicos entre meninos da casa e pessoal doméstico desde que o mundo é mundo, deixando ele bem claro que a acha muito linda e tal, que lhe tem amizade mas não está apaixonado por ela. Nem assim!

 Quando finalmente vê que Barnabas ama outra, que faz a boa da Angelique? Vinga-se da família toda, mata-lhe a namorada e transforma-o num vampiro. E duzentos anos depois continua ora a rastejar atrás dele, ora a fazer-lhe a vida num inferno. Ou seja, passa de bruxa cool a bruxa descompensada e desesperada...e ele cada vez foge mais dela.


 Ora vamos lá ver: Angelique tinha tantos poderes que conseguiu tornar-se na mulher mais rica e importante da cidade. Porque não os usou para fazer a sua fortuna e deixar de trabalhar em casa dos outros, tendo sempre à frente um homem que não lhe correspondia? Mal número 1 das mulheres da luta: ideias fixas (e uma boa dose de masoquismo).

Segundo, porque não conjurava um apaixonado menos D. Juan com a ajuda de Mefistóles ou lá quem era? Ou mudava de cidade para conhecer gente nova, que homens há muitos? Mal número dois e três das mulheres da luta: idealizam demasiado e não gostam de perder nem a feijões.

Moral da história: onde não há amor próprio e dignidade feminina, nem por artes mágicas....

1 comment:

Sandra Marques de Paiva said...

Lembro-me desse filme, por acaso. Há sempre uma comédia macabra nos filmes de Tim Burton e a Eva Green fica bem em qualquer papel, até dá uma certa classe às "mulheres da luta", pois a verdadeiras..... Deus me livre!

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