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Thursday, May 28, 2015

Alexandre Dumas dixit: os novos sans-culottes


No seu fantástico conto "As tumbas de Saint- Denis" que relata (em justo ambiente de terror, com um toque de sobrenatural) a profanação e saque dos túmulos dos Reis de França durante a Revolução, Alexandre Dumas descreveu como ninguém as almas ignorantes, rudes e invejosas:

"(...) aves de rapina das revoluções, cujo olhar se sente ferido por todo o esplendor, como o de seus irmãos, os pássaros nocturnos, se sente ferido pela luz. O orgulho dos que não podem construir é destruir.»
É curioso como esta metáfora se aplica tão amplamente, nas mais pequenas e triviais situações, mas também nas tendências culturais do nosso tempo.

Quem inveja o privilégio alheio dedica-se, como um sans- culottes social, a espiá-lo, a virá-lo do avesso, a enxovalhá-lo gratuitamente por mais desmerecido que isso seja em vez de se ocupar, limpa e honradamente, dos seus assuntos.

 Existem também as sans-culottes de saias: quem se sente infeliz com o seu aspecto mas tem preguiça de melhorar, trata de berrar contra a "ditadura da beleza", de reclamar contra a depilação, os saltos altos, os padrões estéticos...e quer palmas por isso. Na mesma linha, há os sans-culottes da arte, da arquitectura, da música, do design, da literatura, que incapazes de criar algo de belo, produzem "arte" repulsiva, com a desculpa de que é "profunda" e "conceptual".



Depois temos os sans-culottes descrentes, que não toleram a fé alheia, como se ser religioso conferisse aos outros uma auréola que lhes queima a vista; e os sans-culottes imorais e viciosos, que não toleram quem defenda o mínimo de bons costumes...porque abominam que lhes lembrem que se portam mal.

  Não esqueçamos ainda os sans-culottes  mal amados: destes há vários tipos. Os sans-culottes  mal amados e amigos do alheio; as sans-culottes mal amadas que em tudo vêem machismo, para quem os homens são o diabo, mas só porque, como bem diz o povo, não têm facilidade em encontrar um diabo que as carregue...e a sua versão masculina, os sans-culottes mal amados e sinistros, misóginos de serviço que dizem que todas as mulheres são vis, interesseiras e coisas piores... porque com a sua má atitude e pouco sex appeal, nunca passaram da friend zone.

 Todos, sem excepção, têm aversão ao que é bom e belo: a harmonia, a tradição, as regras, a ordem, a disciplina, a simetria, a elevação, parecem-lhes uma tortura. Já que não constroem, espatifam. Só não são Robespierres porque não podem...

 Não deixa de ser estranho constatar a quantidade de almas sem calças, sem culottes, que anda por aí a girar, tantos anos volvidos desde o Terror da Revolução Francesa. Aqui entre nós que ninguém nos ouve, será que a praga de ceroulas do demo tem algo a ver com isso?



2 comments:

Joana Rôxo said...

Muito Boa Noite

Gostaria de saber de podia facultar-me o meu Post favorito, que me fez visitar e torna-me leitora assídua deste Blog.
O seu nome é De Mulheres Meretrizes e Fêmeas e foi retirado....

Melhores Cumprimentos

Joana Rôxo

C. N. Gil said...

Pois é, Imperatrix...

Há uns bons anos atrás escrevi isto:

"Hoje acordei mal disposto. É raro, mas acontece. E como tal, decidi que pode realmente ser levado a sério. Ou não.… Adiante!
Meditando nesta enorme benesse de Tuga, comecei a pensar que, se temos bons cientistas, bons médicos, bons engenheiros, bons músicos, até temos (cum escafandro) o melhor treinador de futebol, porque é que nada se faz ou consegue de jeito neste pais?
Cheguei a duas conclusões que estão sem duvida inter-relacionadas (relacionadas entre si, ambas as duas juntas uma com a outra, para os que sofrem de iliteracia crónica).

1ª - Eles são os melhores e são reconhecidos como tal, mas não estão cá. Estão nos países que realmente dão valor ao que tem ou ao que importam. Se se lembram do caso do tal treinador, enquanto cá esteve foi criticado por tudo quanto foi quadrante. Mas agora já é um exemplo e um representante de Portugal no mundo.

2ª - Portugal pauta-se pela mediocridade e pela inveja mesquinha. Em Portugal não interessa fazer melhor do que os outros, basta fazer quase tão bom. E se alguém tem a infeliz ideia de querer elevar-se acima da mediocridade reinante só tem duas soluções: ou vai para fora, onde depois de ser enaltecido pelos pares se torna um exemplo para todos os Tugas que o obrigaram a sair de cá, ou então, vai ser alvo de ataques de toda a espécie, de todo o tipo de invejas, escárnio e mal dizer e vai ser arrastado por todos estes pobres de espírito para o nível deles, destruído e arrumado a um canto (Eu avisei que estava mal disposto).

Como já lá dizia o outro (aquele…, o coiso…, o tal…):
-Nunca discutas com um idiota. Ele arrasta-te para o seu nível e depois ganha-te em experiência…
"

Amodos que ainda penso assim. Somos um País grande em história, mas pobre de espírito...

...o que segundo o sermão da montanha, nem é mau, uma vez "Bem aventurados os pobres de espírito que deles será o reino dos céus"!

:)

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