Recomenda-se:

Netscope

Thursday, May 28, 2015

E pronto, quase espatifaram Cannes.


Quando se fala em Cannes, não se esperam só os vestidos de gala da praxe. Entre estreias, photocalls, festas, after parties e outros eventos, conta-se com a mais espectacular, cósmica e fenomenal abundância de toilettes de sonho para diferentes ocasiões.

Cannes seria um festival de opulência, uma parada nababesca a roçar a ostentação e o exagero, se não se tratasse, no fundo, de uma montra. Uma montra gigante, capaz de guardar num bolsinho do casaco a maior parte das fashion weeks (porque se nestas é a assistência que se esforça por dar nas vistas, em Cannes as Casas de Moda costumam dar o seu melhor para "vestir as bonecas") e de deixar a um cantinho Mets, Óscares e outras galas mediáticas. Aliás, os faux pas que se têm vindo a verificar em muitas passadeiras encarnadas nos últimos anos (falhas de fitting, vestidos escolhidos à própria da hora) não costumam suceder em Cannes.

Sara Sampaio (Vionnet): adoro o porte, o styling, o efeito...
o decote, not so much. Estava linda, funciona nela, mas seria arriscadíssimo na maioria das mulheres.

 Fiquei por isso bastante desapontada quando, além da polémica dos saltos altos, me deparei com a fraqueza do desfile de toilettes. Muito pouca coisa de espantar, muitos vestidos pálidos "assim assim" (tantos que para os nomear, o post ficaria enorme: vejam vocês mesmos) um abuso de revivalismos dos anos 90 que favorecem pouquíssimas mulheres (não admira que o vestido Dior de Emma Stone, dentro do género, arrancasse elogios; era o menor dos males) e bastantes deslizes quer de fitting, quer de styling. 


Desconheço totalmente o motivo: só espero que para o ano voltemos à qualidade do costume porque se nem Cannes restar para elevar a fasquia, temos o descalabro.

Vejamos então os revivalismos dos anos 90, as toilettes que desiludiram e as que foram como manda o figurino:

                           That 90´s show

Aberturas estratégicas, slip dresses, minimalismo, spaghetti straps...Doutzen Kroes (Atelier Versace) Lily Donaldson (Calvin Klein Collection) Sienna Miller, Ntalia Vodianova, Emily Blunt (Calvin Klein) e de novo Sienna Miller (Prada) foram algumas das convidadas a optar por esta tendência. Pessoalmente não sou fã de vestidos com tão pouca estrutura: embora o minimalismo me agrade
  per se, não funciona de olhos fechados nem em todas as silhuetas.

Os faux pas

Alicia Vikander teve pouca sorte: tanto com este ensemble (ou vestido?) Louis Vuitton que lembra aquelas tentativas infrutíferas de criar um outfit com uma camisola de malha antiga, um cinto e uma saia perdida no fundo do armário, como com o Valentino Couture que era lindo em teoria, mas lhe achatou o peito. O naked dress de Chanel Iman é...bom, mais um naked dress. E Jane Fonda merecia algo com um ar mais dispendioso do que este Atelier Versace. Jersey nunca é boa ideia para vestidos formais e os cortes são duvidosos em qualquer idade, mesmo quando se tem boa figura como a actriz...

Sienna Miller, que costuma marcar com um estilo boho, abusou dos tecidos esvoaçantes e modelos sem forma: do coordenado Sonya Rykiel com demasiada informação (a capa, os sapatos, as estrelas, o penteado, as transparências) ao modelo com folhos da Gucci, terminando no Valentino Couture inspirado nos papagaios de papel...pareceu um pouco desmaiada e sem grande definição, apesar da tentativa de ser extravagante. Já Natalie Portman parece ter emagrecido bastante e tanto o Rodarte preto como o Lanvin verde realçam-no da pior maneira. Poderia ter tirado partido do facto usando algo mais ajustado ao corpo e com volumes estratégicos: assim, desaparece.

Gosto muito da ideia do vestido (Gucci) de Salma Hayek, apesar de não ser fã deste tipo de tecido, como referi: tem uma bela modelagem e uma cor marcante. Porém, o decote exagerado dá-lhe um ar barato. Natasha Poly (Atelier Versace): o corpete é bem executado, o resto parece-me forçado para schock value. Lara Stone: é lindíssima, mas veste sempre tudo o que uma figura de ampulheta devia evitar. Quanto ao vestido de Rachel Weitz, tem tecido a mais, pouca consistência e o modelo só poderia resultar -remotamente - numa mulher altíssima e magríssima. Um sacrilégio numa actriz tão bonita como ela.

A honra do convento

Aymeline Valade (Ulyana Sergeenko) Cate Blanchett (Armani Privé - a única escolha boa de uma das minha actrizes preferidas para o festival) Charlize Theron (Dior Couture) Miranda Kerr (que nunca está mal, e ficou um amor de Emanuel Ungaro) e Adriana Lima (num Ulyana Sergeenko de veludo com um corte fabuloso, embora pessoalmente ache que teria ficado perfeito com uns cm de bainha a menos) foram uma alegria para os olhos.



Mas pode dizer-se que a espectacularidade do evento foi salva por Ralph & Russo; de Fan Bingbing (que nunca desilude nestas andanças) a Sonam Kapor, as convidadas que optaram pela dupla britânica estavam na medida exacta entre impacto e elegância: nem uma costura fora do sítio, um ajuste a menos, uma falha: a perfeição. Design extravagante sem alfaiataria de excelência não é nada, e esta é uma soberba prova disso.








1 comment:

Lingua Afiada said...

Excelentes comentários como sempre.
Gostei muito de Li Bingbing em Zuhair Murad, Fan Bingbing em Marchesa, Naomi Watts em Ellie Saab, Marion Cotillard in Dior Couture e Petra Nemcova in Zuhair Murad. Por curiosidade o que achou de Lupita Nyong'o in Gucci? Eu mudava aquelas mangas.

Textos relacionados:

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...