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Tuesday, May 19, 2015

Elegante não é "sem sal" (ou como dar a volta a esse estereótipo)


É curioso: sempre que leio um bom artigo sobre "como parecer elegante gastando menos" há comentários a dizer "quem escreveu isto não entende o conceito de moda divertida" ou "que coisa maçadora, eu uso o que gosto e mais nada [mesmo que fique com um ar low cost]". 

Vi isso num dos melhores textos que para aí andam sobre sapatos, escrito por por um stylist extremamente talentoso da Cosmopolitan americana e mais recentemente, noutro, da Elle, sobre Olivia Palermo (que goste-se mais ou menos dela, está invariavelmente imaculada) em que ela recomenda tininho quando se trata de pintar as unhas, só para citar dois exemplos. Tudo isto são ideias que já temos discutido por cá (recordar também aqui, aqui e aqui) embora até ver ninguém tenha reclamado comigo.

 Tentemos então descodificar a ideia. Uma coisa é o gosto pessoal, outra são as linhas de orientação intemporais (relativas à qualidade das peças, fitting, proporções, harmonia do conjunto e adequação às circunstâncias) que é preciso ter presentes SE e APENAS a elegância e um aspecto "dispendioso" ou sofisticado forem um objectivo. 



Dior (1950s): uma silhueta intemporal

Porque quem não se preocupa com isso e só quer divertir-se com a roupa, plenamente de acordo: use o que bem entender.

Vejamos: há pessoas que se vestem de modo "divertido", sexy, colorido, extravagante mesmo, e nem por isso têm um visual duvidoso. Vai tudo do ar que se tem, do carisma (nem toda a gente consegue escapar ilesa com certas coisas) do tipo de corpo (ex: não é uma regra, mas uma mulher muito magra e "sem peito" faz com que peças volumosas, curtas ou coleantes caiam de modo mais "inofensivo") e - muito importante - do facto de, se calhar, aquela roupa espampanante ser muito bem executada.



Isto é difícil de conseguir usando apenas marcas muito acessíveis, ou numa figura que exija mais cuidado para a roupa assentar sem surpresas.

 Não esqueçamos também que o que fica engraçado na Beyoncé em palco não é necessariamente boa ideia usar na rua - nem mesmo para a própria.



A moda comunica sempre uma mensagem - e a mensagem dos padrões vibrantes, das tachas, das aplicações, da nail art, etc, etc, não é a da ordem estabelecida, do rigor, dos grandes salões. É a mensagem das ruas, da transgressão, da rebeldia, de uma certa criatividade e revolta.  Goste-se ou não dessa ideia, ache-se ou não justo, alguma vez se viu um ícone de moda eterno (como Coco Chanel) uma primeira dama (como Jackie Kennedy) uma Princesa, ou mesmo uma it girl bem nascida e algo boémia como Bianca Brandolini, aparecer com vestidos coleantes, cabelo espetado e unhas às bolinhas?  

  Na dúvida, peças e silhuetas clássicas, bons materiais, designs minimalistas e clean, cores sóbrias, padrões eternos, oferecem sempre mais segurança - e parecerão inevitavelmente mais "caros" mesmo que tenham sido acessíveis. 

A simplicidade é a chave do intemporal, da fiabilidade, da elegância clássica, de um certo look bon chic bon genre que nunca passa de moda e que é bem aceite em toda a parte. 

 Porém, nem todas têm de ser Grace Kellies, Amals, ou Gwyneth Paltrows. Também precisamos das Gwen Stefanis, Daphnes Guiness e Annas Dello Russo deste mundo. Mas será possível à comum das mortais equilibrar ambas as correntes? Ter um estilo divertido, rebelde, porém correcto e clean?



Gwen Stefani e Gwyneth Paltrow: duas mulheres elegantes em estilos díspares

Decerto, com alguma habilidade - como aliás vimos aqui. Exemplos disso são Vivienne Westwood (cujos vestidos tanto caem bem a mulheres classicamente elegantes, pelo seu formato, como às de estilo alternativo, dependendo do styling que se faz) e as criações e porta-vozes mais recentes de marcas como Balmain. Mas claro, cingir-se a roupa de designer não é possível à maioria...e de qualquer forma não garante nada: veja-se Nicki Minaj e os seus louvores a Alexander McQueen...


Os vestidos de Vivienne Westwood prestam-se
tanto a um look clássico como a combinações extravagantes

 Consideremos então 4 dicas para um visual rebelde ou vistoso sem perder a elegância:

1- Respeite sempre o seu tipo de silhueta: há peças adequadas a todos os corpos dentro de todos os estilos. Por exemplo, se tem pernas muito fortes, evite botas ou calças de napa com aplicações: opte antes por um bom blusão  em pele com alguns desses enfeites, que sem dúvida vai durar muitos anos.
 E escusado será dizer, procure sempre materiais da melhor qualidade possível dentro do seu orçamento. Em peças extravagantes, tecidos inferiores são mais evidentes. 

2- De igual modo, respeite a sua idade: esta "norma" não tem de ser rígida. Se toda a vida foi hippie, não vai agora transformar-se noutra coisa (a não ser que queira, claro). Evite o que é de qualidade duvidosa (faça um upgrade de peças dentro do mesmo género, mas um nadinha mais sóbrias e mais nobres). Fuja também do que transmita uma tentativa desesperada de parecer mais nova. Se a sua barriguinha já não é o que era (ou até está fantástica, mas o rosto parece um pouco cansado) poderá querer deixar de parte os tops curtos que usou nos anos 70 mas manter os vestidos longos, os acessórios de camurça com franjas e as calças boca de sino. Qualquer estilo precisa de actualização para não ganhar vícios.

3- Faça escolhas: se gosta de elementos como tatuagens e cabelos às cores, poderá dar mais impacto ao seu visual ao deixar-lhes o protagonismo, apostando no preto para a escolha das toilettes, nos looks monocromáticos, em silhuetas simples e bem definidas (jumpsuits, vestidos estreitos estilo Morticia Adams, fatos de corte masculino, skinny jeans com tops básicos ou t-shirts de bandas com uns scarpins luxuosos )...less is more

4- Por outro lado, se aprecia um look clássico e elegante mas não dispensa alegria e originalidade, invista em cores ricas (como a  Rainha Máxima dos Países Baixos) e/ou em apontamentos mais chamativos (peles, statement shoes...) como Olivia Palermo.


A elegância cabe em todo o lado, e nunca será maçadora...










1 comment:

Margarida said...

Ora com a última frase do post é que disse tudo! Venho cá muitas vezes mas nem sempre comento, aproveito para dizer que este é dos melhores blogs que por cá temos ;)

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