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Wednesday, May 13, 2015

Eu não gosto de quem não gosta de animais, MAS...


...há vantagens nessas pessoas. Primeiro, muito provavelmente não terão animais em casa. Quem diz "eu não posso com bichos" (e geralmente quem o diz é porque não teve a fantástica oportunidade de privar com essas coisas fofas e peludas) dificilmente adopta um. Ou seja, menos uma possibilidade de se ver um animal maltratado, abandonado ou negligenciado. Depois, são pessoas fáceis de entender: jogam na outra equipa. Não gostam? Temos pena, desde que se mantenham dentro da lei e da ética e não aborreçam nem os animais nem quem gosta deles,  é só não se conviver muito com elas e pronto. Ninguém é obrigado a ter empatia com bichos, embora isso abra sérias probabilidades de não ter grande empatia com pessoas. End of story.

O que é realmente mau são as pessoas que dizem gostar de animais e realmente não gostam. Ou que dizem "eu adoro cães, mas odeio gatos" o que é mutuamente exclusivo. Pessoalmente prefiro gatos como animal de estimação mas gosto dos outros e acima de tudo, sou incapaz de dizer que odeio qualquer bicho, com a honrosa excepção das centopeias.



 Voltemos aos animaizinhos que fingem gostar de animais: são o melhor exemplo daquele defeito tremendo de que falámos há dias, a tibieza. E como todas as pessoas que não são frias nem quentes, cometem as piores acções. São piores do que as que não gostam declaradamente de animais, porque essas ao menos - salvo certos sociopatas que para aí andam -  não se envolvem. Um tíbio que finge gostar de animais é a praga dos pobres bichos e o flagelo da vizinhança. São as pessoas que fazem coisas do tipo (visto com os meus olhos):

- Adoptar um animal e desprezá-lo, deixando-o andar ferido/doente/esfomeado e colocando a quem se importa um grande dilema porque não se pode deixar o animal assim mas é sempre delicado tratá-lo como se não tivesse dono;

- Arranjar gatos "para caçar ratos" e deixá-los reproduzir-se sem qualquer controlo. E quando lhe vêem perguntar ou um deles aparece ferido, dizer "não são meus".

- Adoptar um gato e esquecer-se dele. Moral da história: o bichinho vai para casa dos vizinhos que também tenham gatos, causando o que se sabe.

- Comprar "o cão da moda" sem saber se a raça é compatível com o seu estilo de vida, em termos de tamanho, comportamento e necessidades de saúde/bem estar. E quando não é...rua. Vi vários Huskies abandonados quando o Labrador passou a ser o cão do momento.

- Ter um cão sem assegurar que ele não se solta, causando danos e acidentes, com prejuízo do animal, dos animais dos vizinhos, dos vizinhos, dos automobilistas que passem na rua...

- Encontrar animaizinhos, publicar no Facebook ou Instagram "ai eu trouxe isto para casa, ajudem-me" e  feita a publicidade (à própria caridade, não aos pobres inocentes) ir deixá-los ao canil logo a seguir.

- Resgatar um animal do canil, porque é bem e fica giro dizer nas redes sociais "ai que eu sou tão caridoso e fofinho" e abandoná-lo (ou devolvê-lo à precedência) quando se vê que o bicho afinal dá maçadas e despesas como todos os seres vivos. A crueldade de dar esperanças e tirá-las é inqualificável...

Tenho encontrado todas estas situações de pessoas a quem falta a audácia para serem abertamente más. E a minha vontade é ser abertamente má com elas. Do piorio. Céus, o que eu detesto gente "morna".

6 comments:

C. N. Gil said...

Olha, eu sempre tive cães e gatos e coelhos e galinhas e patos e porcos e cabras e ovelhas e sempre me dei bem com essa gente toda...

...e nunca achei que era mutuamente exclusivo gostar de cães ou gatos...


...desde que não me ponham répteis à frente, tá tudo bem!

Lingua Afiada said...

Pessoas que não gostam de animais para mim são duvidosas, porque tenho sempre a sensação que são pessoas frias e insensíveis. Confesso tenho pena delas. E tenho pena das pessoas que gostam de cães e que dizem que odeiam gatos, pois partindo do princípio que gostam de privar com bichinhos peludos e fofinhos não sabem o que perdem ao não terem um gato nas suas vidas.

Sandra Marques de Paiva said...

Infelizmente acontece a montes :(

Inês Sousa said...

Não consigo entender como é que é possível negligenciar-se, maltratar-se ou abandonar-se um animal, penso que diz muito da falta de carácter da pessoa. E de facto ainda recentemente estive no veterinário e ouvi duas senhoras a dizerem que não sabiam ao certo o tamanho que os seus cachorros iam ter. Eu só pensei: então arranjste um cão sem saberes a raça e o tamanho do bicho? Hum isso é estranho. Mas acho que isto é recorrente, ah e tal que são tão giros em pequenos deixa levar... mas depois crescem e crescem e vai-se a ver e é um estorvo e há que se ver livre do estorvo. Triste muito triste mesmo. Eu como adotei três bichanas que tinham sido abandonadas não compreendo de todo.

Sandra Manso said...

Pois é... Até podem não gostar de animais, isso eu até respeito, desde que mantenham a devida distância e não tenham atitudes estúpidas e bárbaras, como acontece tantas vezes... Sou voluntária numa associação e, infelizmente, estes casos são demasiado recorrentes.

Catarina Correia said...

Sem esquecer aqueles que fazem distinção do cão de raça (nada contra) e do rafeiro. Entristece-me profundamente isso, e quando pagam 500€ para ter um animal? Mas que bem...

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