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Saturday, May 30, 2015

"I want your love, BUT I don´t want your revenge"


Sabem aquela velha *e tétrica, vade retro* fras, atribuída a Confúcio,"quando empreenderes uma jornada de vingança, cava duas sepulturas"?   É melhor cavar uma sepultura para o inimigo e outra para si próprio (sepulturas, é como quem diz)  antes de brincar ao Conde de Monte Cristo; sempre se poupa trabalho. O mais certo é correr terrivelmente mal.

 Até certo ponto, acredito na máxima. Embora por vezes desquitar uma ofensa seja justo - e o caminho mais rápido para esquecer o assunto, perdoar e seguir em frente -  as emoções fortes raramente são as melhores conselheiras. As histórias de vendettas que se prolongavam por gerações em certas culturas são a viva prova de que a vingança é um fogo que se descontrola com muita facilidade e pior, que se alimenta de si mesmo.

 Mas o raciocínio de Confúcio está particularmente correcto quando falamos de ligações românticas - os bad romances, as relações de amor-ódio (ou que assim parecem), os amores byronianos, porque no amor ninguém tem o juízo todo, quanto mais domínio perfeito sobre as emoções. 

Se a retaliação nunca é uma motivação boa, se quase sempre a vingança atrai asneira, em casos de amor é muito pior.


 É que um erra e o outro de mau, de magoado, vai e faz outra coisinha para não ficar atrás. Depois o segundo, esquecendo-se do que lá vai, inventa mais uma tropelia qualquer para não se sentir mal; num momento adoram-se, noutro insultam-se; quando parece que está tudo bem, um lembra-se de um detalhezinho que lhe fez mais uma rachadura no coração há não sei quanto tempo, e toca a atirar um dardo...em suma, andam neste ping pong até que a bola salta e parte a cristaleira. Quando dão por si, os estragos já são tão grandes, os cacos são tantos que não se sabe onde pôr os pés para começar a limpar sem que haja cortes, quanto mais para pensar em reparar o que quer que seja. E assim se perde tempo, se destrói a confiança mútua e se deita pela janela algo que muita gente apenas sonha encontrar...

 Os japoneses têm um nome para estas paixões complicadas, muito usado na cultura pop: tsundere. Mas a melhor definição continua a ser a do poeta da República de Roma,  Gaius Valerius Catullus:


 Odi et amo. quare id faciam, fortasse requiris? 
Nescio, sed fieri sentio et excrucior. 


                  Odeio e amo: porquê, perguntas? Não sei, mas acontece e estou em agonia.

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