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Tuesday, May 5, 2015

Only know one way to love




"I only know one way to love, my lord- and that is

 body and mind and soul."


Esta frase vem de um filme em que a personagem que a diz jura falso (Guinevere, uma mulher com um coração demasiado espaçoso e pouco juízo) mas as palavras não deixam de ser verdadeiras: ou se ama muitíssimo, ou não vale a pena brincar aos amores. E quem ama com tanta intensidade, com o único tipo de paixão em que é meritório gastar o tempo,  não pode regular a força dessa emoção como quem escolhe o nível de calor de um secador ou de um forno.


  Um dia convém, noutro já não se sabe; num dia avança-se, no outro o medo ou o orgulho fazem erguer as barreiras; ora se está capaz de arriscar tudo, ora o egoísmo, os erros passados, a cobardia e a soberba falam mais alto. Em Amor de Perdição, Simão Botelho confessa, falando de Teresa: Sabe que estou ligado pela vida e pela morte àquela desgraçada senhora? O amor dele não se altera um milímetro por estar condenado; é o que é, for better or worse. Morrendo Teresa, ficando Simão desquitado da sua promessa e sozinho, mesmo assim não teria coração para dar a outra.


  Mas nem um amor desses - extremo, despótico, possessivo, incurável, eterno, irremediável, dos que impossibilitam para todo o sempre a capacidade de sentir da mesma maneira por outra pessoa e podem não matar mas também não morrem -  floresce a meio gás, de reserva, funcionando só com a alma, ou só com a mente, ou só com o corpo, preso a  juramentos implícitos, fiado na comunhão das almas, à espera do momento e lugar adequado. Se o ser amado é ad aeternum  o ideal, a figura que se imagina perfeita e cuja fímbria das vestes não se toca com receio de abalar essa crença, o arm candy que fica bem ter ao lado, a obra que se gosta de contemplar mas se receia descobrir não vá o encanto quebrar-se, não resiste. Permanece, mas como uma cidade lendária onde não mora ninguém, envolta em brumas e sem valor real; porque o amor pode ser eterno, mas os homens não; nem as mulheres...

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