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Monday, May 18, 2015

"Princesas" de social media


Há dias foi-me dado ver uma dessas páginas infelizes de social media em que adolescentes se expõem (ou são expostas) de formas menos recomendáveis. Um Princesas de qualquer coisa, Estrelas de sei lá quantas ou Poderosas não sei de quê .

Claro que mais de 50% dos comentadores/fãs era tudo menos adolescente - o que é assustador.

A página em causa é um verdadeiro festival de reduzidos trapos low cost , ou a versão virtual de um catálogo de escravas na Roma Antiga. Louras, morenas, mais bonitas ou menos, mais gordas, mais magras, umas por ingenuidade, outras com intenção de ser modelos, outras decerto com pretensões à Casa dos Segredos, havia de tudo.

 Notava-se ali, num relance, a menina da aldeia (não sei o que aconteceu aos pais da aldeia, que costumavam ser gente bastante rígida, para permitirem coisas destas) a Sheila Priscila do bairro (que é uma versão igualmente despida, mas mais agressiva) e, menos descompostas, a rebelde existencial (piercings, barretes, selfies com ar trágico) e algumas meninas bem - via-se pelo ar, pelo cenário, pela roupa mais normal, menos reduzida e com melhor aspecto - que só podem ter pais muitíssimo ocupados para terem ido lá parar.

 Na maioria bastante novas, embora com idade e acesso a informação mais que suficiente para saberem os perigos que estão a facilitar. Não só os perigos imediatos (a maior parte dos comentários faria corar um carroceiro, além de ser escrita por indivíduos mais velhos) mas os danos à reputação e à psique. Só porque as pessoas estão tão insensíveis que já quase não se escandalizam com nada, isso não quer dizer que as consequências não surjam.

Mas o mais chocante é que algumas, muitas, estavam ali não por partida de um conhecido ou ex ressabiado, mas todas contentes, de livre e espontânea vontade.

  Nos dias que correm, pouca gente não partilha - de forma privada ou apenas para os seus amigos - alguma imagem que se calhar seria melhor guardar só para si e que às vezes sai de mão. A realidade da internet tem o condão de se tingir de um certo faz-de-conta que parece inofensivo; só atinge realmente as pessoas quando tem consequências mais brutais, embora a pegada digital diga sempre muito de cada um. 

  No entanto, para participar numa pagina destas deliberadamente, para apelar ao like, para que "elogios" daqueles não aflijam nem envergonhem uma rapariga...algo tem de estar muito errado com ela. Ou com a educação em casa - pois dificilmente sucedem coisas destas se além da vigilância, estiver sempre presente a trindade da referência, do hábito e do exemplo.

 Não sei se todas terão realmente consciência. Muitas agem assim por ingenuidade, por frivolidade, por garridice, pelo complexo "se todas fazem, eu não posso ficar para trás"- tudo inclinações que deviam ser atalhadas, corrigidas e orientadas pela família. 



Por estes dias um rapaz meu amigo, vendo pavonear-se na rua uma rapariguinha dos seus catorze anos com um mini top e uns calções cortados de propósito para mostrar os glúteos, não se conteve e dirigiu-lhe o inverso dos piropos que ela esperava ouvir. "Que vergonha! Com esta idade e a cortar as calças de propósito para andar nessa figura" - a pobre coitada, que se calhar não via "mal nenhum" no que tinha feito, começou muito embaraçada a tentar puxar os calções para se cobrir- sem êxito, claro. E ele continuou a troçar dela, para lhe dar uma lição " e agora põe-se a puxar os calções, anda! Ridícula! Deve achar que está muito linda...". A pequena lá se afastou - espero que fosse a casa mudar de roupa e que com esta maldadezita, se poupassem coisas piores. 

 Mas não pode haver um rapaz destes em cada esquina, em cada casa, em cada consciência - infelizmente. Para cada um destes homens íntegros, há 100 grosseirões a aplaudir os contorcionismos destas meninas nas redes sociais. E 100 pais que não avisam, que não olham, que não conversam, não pensam, que relativizam, que desculpam, que não desligam a MTV ou o E! quando são transmitidos programas inapropriados  - para não falar nos "educadores" que dão mau exemplo para começar.



  Depois, há um aspecto que gostaria de explicar a estas meninas: a questão da "beleza", da elegância e do respeito. A beleza física é uma das maiores qualidades da mulher; embora seja uma qualidade relativa, quando ela falta de todo as consequências para a auto estima e por conseguinte, para a dignidade feminina, são terríveis. Muitas raparigas sem encantos portam-se horrivelmente na tentativa de compensar isso. Logo, cada uma deve cultivar os dotes que possui; não ser desleixada com a aparência é uma obrigação. 

  Mas formosura sem elegância interior, sem outras qualidades como espírito, inocência e gentileza, e não acompanhada da discrição que convida ao cavalheirismo, vale muito pouco. Querem que os rapazes gostem realmente de vocês, que vos tratem bem? Dêem-se ao respeito. 
Preocupem-se em ser menos "sensuais" e mais em ser misteriosas. Já que tanto admiram as toilettes de "Kate" Middleton, tentem agir mais como ela. 

Por fim, deixem de tentar competir umas com as outras. Há sempre uma rapariga tão ou mais gira, tão ou mais "poderosa", tão ou mais sexy. É a vida, tudo é relativo; nem as modelos famosas dependem só da beleza para para se destacarem entre todas. Há muitas outras coisas que aliadas à aparência, tornam uma rapariga única- o carisma, a personalidade, o bom gosto, o estilo, a inteligência, o talento, a determinação, a bondade (olhem para Angelina Jolie!). 

Se se fixarem apenas no visual ou pior, na validação alheia (quero dizer, no número de Likes) lamento dizer, mas vai ser um concurso a ver quem tira mais roupa, quem faz as poses mais vulgares, quem se rebaixa mais. É impossível ser notada, mesmo pelos piores motivos, num mar de gente a fazer a mesma coisa. E como em tudo na vida, muitos fãs não são sinónimo de qualidade. Gostariam mesmo de ser amigas na vida real de alguns dos sujeitos sinistros que comentam estas páginas? Não? Bem me parecia.









7 comments:

Por entre malas e cupcakes said...

Bravooo! Sem dúvida que concordo consigo da primeira à última palavra. Fico chocada com o que vejo por aí, seja na rua, no facebook, enfim. E não se vê só em adolescentes, em adultas infelizmente também.
*

Lingua Afiada said...

Infelizmente as máximas se as outras vestem eu também visto e se anda muita gente assim é porque não tem mal nenhum andam a toldar o bom senso.
No outro dia num grupo estávamos a comentar isso mesmo, a falta de bom senso das adolescentes e dois pais que as deixam sair naqueles prantos. A resposta de uma mãe presente que tem uma filha adolescente - Se não andar agora quando é que vai andar? Ora nunca, ninguém precisa de andar com calções a mostrar as nádegas, mas se tiver mesmo que ser usem-nos para ir à praia.
Isto trona-se mais estranho quando as pessoas que fizeram o comentário reprovador estão todas na casa dos 30 e a mãe na casa dos 40.
Eu usei minissaias e calções de ganga curtos, embora nunca a mostrar as nádegas, mas nunca usei essas peças na escola, exclusivamente serviam para ir à praia ou para estar em casa.
De qualquer forma há que usar a lei da compensação se usamos uma parte de baixo curta não vamos usar um top que mais parece um soutien em cima. Deveria ser mas não é, vestem-se como se tivessem saído de um videoclip da MTV.

Inês Sousa said...

Uma excelente análise a toda uma geração de miudas despidas com pais e educadores a olharem para o lado. Tenho constatado que a quebra de valores é transversal nos diferentes estratos sociais e em várias faixas etárias. Tenho mesmo pena destas miudas que se estão a formar, o que vai ser delas daqui a 10 anos? Que raio de família ou mesmo de emprego é que pensam encontar? Ou acham que estas imagens se vão desvanecer no tempo e que estes comportamentos não lhe vão custar bem caro daqui a uns tempos?
E os pais que supostamente querem o melhor para as suas filhas não conseguem eles medir as consequências nefastas que tudo isto acarreta, não era suposto terem mais experiência de vida e mais cabeça do que miudas? Às vezes parece que aterrei noutro planeta, eu tenho um rapaz e se bem que não estou à espera que ele ande nestas figuras não quer dizer que não o alerte para etr cuidado que não se deixe fotografar com outros miudos, já lhe falei dos riscos da internet, já sabe que facebook antes dos 16 está fora de questão. Ele só tem 7 anos, mas eu sou de opnião que quanto mais cedo lhes começarem a ser incutidas regras de convivência e limites tanto melhor.

Pulo Ds said...

Muito pertinentes todas as suas observações! Os meus parabéns pela prosa e pelos valores transmitidos!

C. N. Gil said...

Pois...
...tendo em linha de conta que programas como a casa dos segredos, em que, como dizia um amigo meu, aquilo devia ser patrocinado pelo Ikea, uma vez que eles são armarios e elas são faceis de montar, que trazm para a ribalta pessoas com cérebro de ervilha, simplesmente pela aparência, a o louvar da mediocridade que vêm atrás de tudo isto, não admira que as adolescentes (e não só) achem que um objectivo de vida seja serem artigos de decoração...
Depois limitam-se a seguir as modas... (miúda que tenha sido adolescente na década de 80 e não se quisesse vestir como a Madonna no clip do Like a Virgin que atire a primeira pedra).

A verdade é que se tornam ridiculamente vulgares e sem um pingo de interesse, além do momento. E lá está, quem se expõe desta maneira não pode esperar bons resultados...
...afinal, a contra-parte masculina delas têm tanto cérebro como elas, tanta educação como elas, e os resultados seriam de esperar. Se gajos com um pouco mais de telha olham, abanam a cabeça e seguem, gajos com o Q.I. de um babuíno vão agir como um babuíno!

Já alguma vez viste um filme de 2006 chamado Terra de Idiotas, com o Luke Wilson? Não? Então procura lá e diz-me se aquilo não é, de algum modo, profético?

:)

Estela Marques said...

Pode dizer-se que o seu amigo teve pais que lhe deram boa educação!!! Infelizmente os homens deste mundo não são muitas vezes educados para respeitar a mulher . Elas dão-se e eles aproveitam-se!!! Esta sociedade está péssima de valores para ambos os géneros!

Estela Marques said...

Subscrevo tudo o que está escrito e que vai de acordo com a minha opinião.
Devemos também pensar o caminho desta sociedade ode os pais têm de se preocupar em trabalhar 12h por dia (para manter luxos desnecessários) e em dar aulas aos filhos, porque a escola não o faz e obriga os pais a fazê-lo (para as estatísticas internacionais e sermos o país bem comportado) e acabam por não ter o tempo necessário para educar o carácter dos filhos, que é a verdadeira missão dos pais.
Isto é tudo falta de educação, falta de pais disponíveis para educar e muitas vezes de pais infelizes e também eles com baixa auto-estima, pois também fazem as mesmas figuras tristes onde, como diz e bem o artigo, os filhos tiram o mau exemplo.

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