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Friday, May 22, 2015

Rita: a Santa paciente (e uma mulher como nós)


Hoje recordaram-me que se comemora o dia de Santa Rita de Cássia, por quem tenho especial carinho desde a adolescência. Um dia, depois da escola,  encontrei na Igreja uma pequena pagela que algum devoto deixara e senti-me instantaneamente atraída pela sua história. O  apelativo título de "Santa dos Impossíveis" também ajudou a despertar a minha curiosidade...

Pouco tempo depois vi-me na necessidade de fazer à minha nova amiga a mais ingénua das novenas...e olhem que me atendeu mesmo. Pelo menos eu achei que me tinha "concedido" um desejo que se me afigurava impossível. Em boa verdade, eu não tinha pedido tanto. Limitei-me a suplicar que determinada coisa não corresse muito mal, e esse evento acabou por correr extraordinariamente bem -  de um modo que eu não me atrevera a sonhar sequer, com consequências a longo prazo. Talvez a Santa me tivesse achado graça, talvez a minha fé fosse muita; mas bastou para me confirmar que a reputação era mais que merecida. 


 Desde que foi beatificada em 1627 (embora fosse alvo de grande devoção popular ainda em vida ) Santa Rita é - um pouco a par com S. Judas Tadeu, padroeiro dos casos desesperados - uma espécie de último remédio para situações complicadas, doenças incuráveis e negócios difíceis. Porém, a fé popular não se fica por aí: há mesmo a tradição de recorrer a curiosas orações à Santa para saber uma resposta, adivinhar o futuro ou a solução de um problema espinhoso, por exemplo.

 Sendo padroeira das mães - e por ter sofrido muito às mãos do marido - Santa Rita de Cássia é particularmente querida pelas mulheres. E um belo exemplo de paciência, humildade e perseverança.


 Margherita ("Rita" era um petit nom carinhoso) nasceu em Roccaporena, no centro de Itália, em 1381, filha de um casal de camponeses piedoso e muito respeitado na terra. O seu próprio nascimento foi considerado uma espécie de milagre uma vez que os pais, de uma certa idade, não contavam já com herdeiros.

  Segundo as lendas associadas à sua vida, ainda no berço já lhe aconteciam prodígios e mostrou desde sempre uma grande inclinação para a vida religiosa. Porém, os pais temiam deixá-la sozinha no mundo, instando com ela para que casasse. Obediente, Rita acedeu a desposar Paolo Mancini, um belo rapaz de boas famílias mas colérico e nervoso, de maus costumes; embora amasse a sua jovem esposa, não deixava de a maltratar nem de se envolver constantemente em sarilhos. 


 Rita desgostava-se e chorava, como é de imaginar;  mas à semelhança de Santa Mónica, respondia às ofensas com o silêncio, a oração e todas as mostras de afecto. Teve de rezar bastante, mas ao fim de alguns anos conseguiu transformar Paolo, trazendo à superfície o lado bom do seu carácter. 

O casal viveu assim alguns anos de felicidade, tendo dois filhos. Porém, o passado violento de Paolo voltaria para assombrar a família: os seus antigos inimigos assassinaram-no à beira de uma estrada. Ao fim de 18 anos de casamento, Rita encontrava-se agora viúva e com dois adolescentes a cargo - Giacomo e Paolo Maria -  dois rapagões que tinham herdado mais do carácter do pai que da doçura da mãe... 


 Para maior aflição de Rita, os filhos queriam empreender uma vendetta para vingar a morte de Paolo. Porém, a peste levou-os antes. Sozinha, desolada, restava-lhe o consolo de seguir a sua vocação: dirigiu-se ao convento de Santa Maria Madalena das Irmãs Agostinhas em Cássia, pedindo para ser admitida. Porém, recusaram-na por três vezes ( talvez temendo represálias por a família de Rita estar associada ao escândalo de uma morte violenta) com o pretexto de não aceitarem viúvas. 

 De novo, Rita se voltou para as suas orações: e reza a lenda que os seus três Santos protectores São João Baptista, Santo Agostinho de Hipona - curiosamente, o filho de Santa Mónica -  e S. Nicolau Tolentino a transportaram miraculosamente para dentro do convento, onde as boas Irmãs, pasmadas, não tiveram como recusar a entrada àquela "teimosa petulante".


 Mas cedo Rita provou que de petulante não tinha nada: foi submetida a todas as provas, dando mostras da mais dócil submissão. Embora estivesse fechada entre quatro paredes durante a maior parte do tempo, a fama das suas virtudes crescia quer entre as Irmãs, quer junto da população de Cássia, graças à ajuda  que prestava aos necessitados. Incansável, a sua caridade não abrandou mesmo quando adoeceu gravemente, nem quando recebeu um doloroso estigma que a forçava muitas vezes a isolar-se das outras freiras. Logo após a sua morte, aos 76 anos, registaram-se vários milagres e uma grande peregrinação ao Convento.


S. João Paulo II, no VI centenário de Santa Rita, afirmou que mais do que pela sua fama de taumaturga, Rita foi santa pela "assombrosa normalidade da sua existência". Pela capacidade de enfrentar, contando apenas com a grandeza da sua alma, situações dolorosas ou "impossíveis" : um marido caprichoso, filhos rebeldes, a doença, o fracasso, o descaso, a viuvez...a tudo fez frente com serenidade e determinação, com uma mistura muito feminina de resignação e força. Por vezes, os "impossíveis" não têm de ser espectaculares. Alguns dos maiores impossíveis começam dentro de casa, e todas as mulheres podem observar o exemplo de Santa Rita para os levar sem desespero.











1 comment:

Whatsername said...

Vivo muito perto da igreja onde esta santa é padroeira e na minha família tem por ela uma devoção muito grande; De tal ordem que, mesmo vivendo num local onde a padroeira é outra santa, quando há uma cerimonia religiosa (comunhão, casamento, batizado...), na minha família é tradição deslocar-se a esta igreja e deixar um ramo a Santa rita :)

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