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Thursday, May 21, 2015

Sapatos x conforto: os bons, os maus e os vilões


Por aqui, temos analisado o maravilhoso mundo dos sapatos: dos melhores truques para os conservar impecáveis às escolhas certas para alongar a figura mesmo com saltos baixos, sem esquecer os 10 modelos intemporais a ter no armário.

No entanto, tão importante como o design é o conforto: afinal, nenhuma mulher parece elegante a tropeçar em saltos instáveis ou pior, torturada com dores nos pés (sem falar nos danos para a saúde e na frustração de desperdiçar recursos). A partir de certa altura ganha-se mais sensibilidade para distinguir os maus investimentos (e muita intolerância aos sapatos que só dão desgostos e ocupam espaço). Afinal, o velho ditado "uma senhora não sente dor, nem frio, nem calor" é um bocadinho hiperbólico.

 Claro que escolher marcas de confiança e bons materiais é meio caminho andado; mas quer nas marcas acessíveis quer entre os nomes mais luxuosos, as especialidades (e graus de conforto) variam. Mais importante ainda- um mau sapato "baixo" pode fazer tantos estragos como um stiletto!

Como todas temos de calçar alguma coisa e mais vale fazer boas compras, aqui fica um guia de modelos e marcas para reduzir a possibilidade de erro (e de dor, sapatos danificados, programas estragados e serões a disfarçar a carinha de sofrimento, etc).

*Nota bene: onde se refere "marcas portuguesas/espanholas/italianas" não especificando, procurar em boas sapatarias multimarcas e lojas como a Spartoo ou El Corte Inglés. Por vezes há calçado de excelente qualidade sem um nome famoso*.


 Os mais confortáveis


1 - Mules



Há quem goste, há quem deteste; mas não se pode negar que mules fechados são versáteis (ligam igualmente bem com jeans e looks menos informais) e  quase sempre, uma escolha amiga dos pés: afinal, deixam o calcanhar livre (um problema a menos) não têm tiras a sair do sítio e por muito que o pé deslize, os dedos não batem à frente. Para assegurar que não incomodam de todo, opte por uns com salto estável e que cubram q.b. o pé, não incidindo na frágil zona junto aos dedos.

Escolha sensata: marcas portuguesas  (como Sofia Costa) ou italianas em pele de qualidade. Investimento luxuoso: Michel Perry, Dolce & Gabbana, Walter Steiger (fantástico para versões de festa).


2 - Espadrilles



De origem espanhola, as alpercatas ou espadrilles são talvez o mais confortável calçado de Verão. Universalmente fabricadas numa variedade de modelos, há-as para todas as bolsas. Das versões super acessíveis vendidas em qualquer humilde sapataria da baixa às de marcas especializadas, passando por Zara e H&M até às marcas mais exclusivas, de Tory Burch a Lanvin, Hermès  e Dolce & Gabbana. A melhor relação qualidade-preço? Um par realmente feito em Espanha. Porém, o mais importante é escolher o tamanho certo (o que pode não ser fácil à primeira) bem como assegurar que são estáveis (se forem demasiado largas, podem provocar entorses) sem elásticos apertados, que o material da sola é macio mas absorvente e que o enchimento da plataforma não amolga com  facilidade. As espadrilles certas permitem passear horas e horas por praias, piqueniques, mercados e são um básico para as férias, por isso vale a pena gastar tempo a encontrar umas.

3 - Slingbacks




Já aqui disse tudo sobre eles e aconselho vivamente o complicado trabalho de encontrar uns cuja tira se mantenha no lugar (ou comprar uns de boa qualidade e corrigir o problema da tira com ajuda de um sapateiro capaz).

Boa compra: Zara  Investimento: Pura Lopez, Maud Frizon O must: Bruno Magli



4 - Botas longas (sem zipper)

Falei sobre os melhores modelos aqui, mas quanto ao conforto há que lembrar as regras de ouro: pele suave como manteiga e de preferência, sem fechos. Mesmo as melhores marcas por vezes calculam menos bem a localização do zipper e não há sola macia nem salto estável que compense as atrozes dores nos ossos do tornozelo. Umas botas que se calçam como se meias fossem, rasas ou de salto estável e num material nobre, são companheiras para toda a vida.

  Boa compra: Zara, Pepe Jeans Investimento de luxo: Casadei, Pedro Garcia, Stuart Weitzman, Givenchy


5 - Mocassins de salto médio




Mocassins, ou loafers (rasos ou com todo o tipo de saltos e de modelo mais ou menos feminino) são um clássico. E são também dos modelos mais confortáveis. Uns flats Lacoste ou Bally garantem anos de conforto e uma versão alta ou stiletto Yves Saint Laurent dura eternamente. Porém, o mais confortável e elegante para  o quotidiano é um mocassin preppy de salto médio, quadrado.

Boa compra: Zara, Uterque; marcas italianas e portuguesas em pele. Investimento: Tod´s, Charles Jourdan Versão Luxuosa: Celine  O must: Bruno Magli, Gucci


6 - Scarpins bicudos


Um scarpin pontiagudo com um salto fino, não demasiado alto nem  compensado (mas devidamente isolado na sola) é, por estranho que pareça, o melhor sapato para traje social. A biqueira pontiaguda (desde que não comprima o pé de lado) assegura que os dedos não vão chocar contra a frente do sapato, evitando dores nas unhas (cómico, mas terrível) e como não há plataforma controlamos melhor o impacto das passadas, pousando o pé mais delicadamente - o que previne lesões, entorses e calos.

Boa compra: marcas portuguesas (como a Helsar) e italianas fazem muito bem este modelo clássico. Procure nos saldos, aparecem sempre alguns. Investimento luxuoso: Jimmy Choo, Sergio Rossi, Lanvin, Casadei.


7- Pumps-de-todos-os-dias


O mais "normal" dos modelos - do intemporal Ferragamo ao comum pump arredondado, passando pelos de biqueira quadrada, com um salto médio. Convém ter vários: pelo menos uns pretos e uns castanhos ou camel. 

Boa compra: Lanidor, Zara, Lotuche, marcas portuguesas e italianas. Investimento: Charles Jourdan, Marc Jacobs, Lotusse. Conforto luxuoso: Pollini, Sergio Rossi, Gianvito Rossi, Bruno Magli, Stuart Weitzman, Balenciaga.


8 - Sandálias abertas de salto quadrado
Bottega Veneta

Quando se trata de sandálias, o modelo perfeito para os pés mais sensíveis precisa de uma sola de qualidade, macia mas absorvente, para evitar que o pé escorregue e vá bater contra as tiras. Estas (de couro ou tecido) não devem ser demasiado finas nem apertadas, para não marcar a pele, e convém que a abertura frontal seja ampla o suficiente para deixar os dedos médio e grande à vontade. Se assim não for (um problema muito comum em sandálias) com o calor e o inchaço normal em dias quentes, os pés vão deslizar, especialmente se o salto for alto e inclinado, provocando dores e vergões. O melhor material de todos é o couro entrançado (estilo Bottega Veneta) que é maleável e macio, adaptando-se ao formato do pé sem deformar. As sandálias na imagem acima são o ideal em termos de conforto, mas poderá usar as mesmas linhas de orientação para comprar  umas de plataforma, com um salto maior e/ou mais decotadas.

Boas pistas: marcas espanholas (eg: Hispanitas) brasileiras e italianas; Zara. Se conseguir encontrar stocks vintage em sapatarias antigas, aproveite: poderá ter de as levar a um sapateiro só por prevenção (pois os materiais guardados muito tempo às vezes cedem) mas o modelo é intemporal e o fabrico de outros tempos corresponde muitas vezes ao que hoje se faz apenas em marcas mais dispendiosas. 

Investimento luxuoso: Ferragamo, Bottega Veneta, Pedro Garcia, Dolce & Gabbana, Sergio Rossi.
 
9- Botins de salto texano



Se tiver de escolher só um tipo de botim, opte por este. Dá uma postura elegante mas permite andar horas a fio sem dores nem instabilidade. A única regra é optar pela camurça mais suave que conseguir encontrar.


Os melhores: Zara. Versão luxuosa: Isabel Marant, Valentino



Os mauzinhos


1 - Clogs (ou qualquer soca, tamanco ou sola de madeira)


Abrasivos e peritos em calejar a pele (quando não provocam problemas mais sérios) até à data só encontrei um par que não incomoda de todo. 
Para descobrir uns assim, pense em três pistas: italianos, almofadados e forrados a camurça. Se tiverem algumas aberturas, melhor ainda: mesmo os modelos em couro, se forem totalmente fechados, não deixam a pele respirar (o que faz escorregar, fora o resto). Evite também os exemplares muito altos, que raramente funcionam em termos de conforto e estabilidade. Uma plataforma média, como a destes Gucci (acima) é o melhor. Nota adicional: um salto de madeira partido não tem arranjo, por isso pondere bem. 

2- Plataformas muito altas 



Não resisti a colocar aqui este exemplo extremo (e de mau gosto) daquilo que acontece quando se abusa das plataformas ou cunhas. Embora pareçam à primeira vista mais confortáveis, dificultam o equilíbrio em qualquer terreno minimamente irregular e se houver humidade no chão, pior. Sobre como as usar da melhor maneira já se falou aqui e aqui, mas ao escolher umas há que evitar os exemplares pesados (além de cansativos, são péssimos para a circulação das pernas) e com um interior rígido (que não a deixe sentir onde põe os pés nem se adaptem à forma deles, o que força os delicados ossos sob os dedos, formando calosidades). Fuja também de plataformas que "oscilem" quando anda (comum em solas de borracha). 

Os melhores materiais são fibras leves, além da cortiça e corda para o Verão.

Boas pistas: Hispanitas, Aldo (fazem plataformas leves, mas escolha-as em pele) Investimento: Dolce & Gabbana, Miu Miu, Ferragamo ( porque ninguém contribuiu tanto para a história das plataformas!).

3 - Bailarinas



Quanto a estas, não há meios termos: há quem não calce outra coisa, há quem (eu incluída) afirme que em encontrando umas que sirvam realmente bem são do mais agradável que há; o pior é achá-las! Em poucos sapatos é tão difícil encontrar o tamanho certo - umas caem do pé, outras magoam o tendão de Aquiles ou a zona lateral dos dedos devido à pressão que empregamos para as segurar. Também não é bom abusar delas, porque como muitas não oferecem qualquer apoio ao calcanhar, podem causar problemas sérios

As fãs empedernidas do género juram por marcas-investimento, como as Pretty Ballerinas ou as portuguesas Josefinas. A minha recomendação pessoal: Zara (se só calça sabrinas de quando em vez, ou gosta de variar: fazem-nas super macias e duram bastante) Vicini ou, para todo o terreno, Marc Jacobs


4- Stilettos vertiginosos


 Ou seja, os que não só são altos e finos, mas forçam o arco do pé com uma inclinação muito acentuada. Quanto a isso, nada como experimentar de forma realista: se magoam na loja, se a obrigam a esforçar o tornozelo para se segurar, esqueça-os. Isto vale para toda e qualquer marca e uma vez que há imensos stilettos igualmente altos que não fazem "dobrar" os pés como se estivesse em pontas, é melhor considerá-los um investimento a longo prazo.  Jimmy Choo, Casadei (os famosos "Blade") e por vezes, Balenciaga fazem exemplares destes em que milagrosamente, não se sente qualquer pressão. Em todas as outras? Testar com olho clínico!

5- Peep toes 


Em relação a estes, vale o que foi dito acima sobre as sandálias: procure uns bastante abertos nos dedos e correrá tudo bem. Caso contrário, mesmo que o salto seja baixo calçá-los pode ser um purgatório - especialmente em materiais mais rígidos, como o verniz. Curiosamente, seguindo esta regra já encontrei boas aquisições mesmo em lojas onde habitualmente não confio tanto no calçado, como Mango ou Seaside. Se quer bom e barato, tente na Zara: de colecção para colecção, costumam repetir um modelo bonito com salto fino e plataforma frontal. Para um investimento sofisticado sem erro: LK Bennett ou melhor ainda, Sergio Rossi.


6- D´Orsay




Basta observar este modelo com atenção para perceber que temos de ser exigentes com ele: afinal, a parte frontal do sapato depende apenas de um prodígio de engenharia para se manter no sítio. Se forem demasiado largos, apertados ou de um material menos fiável podem saltar (magoando os dedos) descalçar-se (o que cansa imenso os tornozelos, na tentativa de os segurar, fora o risco de queda) ou no mínimo, fazer vincos dolorosos na pele. Isto vale para os designs enviesados, como o da imagem, ou para as versões mais tradicionais, com frente a direito, que são um pouco mais de fiar. Existem alguns com fivelas no tornozelo, o que facilita, mas se quiser um d´orsay típico, procure um par Paulo Brandão - fantástica qualidade-preço e nem se sentem. Pena que nem sempre apareçam!  Pode também, se quiser investir, tentar uns Casadei ou Jimmy Choo, mas já sabe: tal como no ponto acima, seja rigorosa ao testá-los na loja.


Votos de boas compras no futuro, com poucas dores e queixumes!



4 comments:

Whatsername said...

No que toca a sabrinas, tenho umas da mango em pele, muitissimo confortáveis, já vão fazer 3 anos, ando com elas praticamente todas as semanas e estão impecaveis (obvio que há que substituir capas). Quando os outros sapatos fazem bolha é o único calçado que consigo usar até curar.
Portanto penso que em termos de sabrina de pele a Mango as faz muito bem, o único senão passa pela parte da sola no calcanhar que a meu ver com mais um ou dois cm seria o ideal :)

Imperatriz Sissi said...

Eu prefiro sempre sabrinas com alguma alturinha atrás...

Fiquei curiosa com as da Mango. É das marcas (de fast fashion) em que confio menos para calçado - designs lindos, sem dúvida, mas na maioria muito desconfortáveis e que se estragam com facilidade. Em todo o caso, vou estar atenta. You never know...

Géraldine said...

Comprei uns botins de salto texano na mango há cerca de 3 anos e para além de confortáveis estão impecáveis. Tenho tido sorte com calçado adquirido na mango, mas compro mais calçado da geox em detrimento de outras marcas...

Imperatriz Sissi said...

@Geraldine, é curioso, devo ter pouca sorte com a Mango. Para calçado acessível prefiro realmente a Zara (tudo o que tenho de lá é confortável e dura anos) mas os pares que tenho da Mango têm-me dado desgostos. Uns D´Orsay nude magoam-me imenso; o mesmo para uns slingbacks perfeitamente inofensivos e baixos, em pele; uns pumps de verniz, esses sairam confortáveis, mas riscaram logo. Até ver só tive sorte com uns peep toes de camurça. Then again, botins desses costumam ser confortáveis em todas as marcas.

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