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Monday, May 25, 2015

Top 6 dos melhores "Jesus" no ecrã


Como hoje se assinala o Dia de Pentecostes, lembrei-me que já há tempos desejava fazer um mini ranking das que são - para mim, vá- as mais interessantes interpretações de Jesus Cristo no cinema. Não é uma escolha fácil, porque desde pequena tinha um enorme fraquinho pelos "filmes Bíblicos" que passavam pelo Natal e Páscoa. Devo ter devorado a maior parte dos "obrigatórios" mas gostaria de ver ou rever alguns clássicos importantes. Por isso vou basear-me apenas nas minhas impressões e no impacto emocional/visual de cada versão. De resto, interpretar o Divino Redentor no ecrã, embora seja um prémio para qualquer actor, é realmente estar um pouco na pele de Cristo, até no aspecto de não se agradar a todos. Ou porque o filme tem algo de controverso, ou porque cada um imagina a figura de Jesus lá à sua maneira e é impossível corresponder a tais expectativas... 

 Aqui fica então o top 6, terminando com o meu favorito.

6 - Diogo Morgado - Son of God (2014)


Aqui estou a fazer um bocadinho de batota patriótica, confesso. Falta-me ver boa parte da série. Mas quando um actor português conquista o papel icónico dos papéis icónicos  e consegue boas críticas, merece algum crédito. Mais importante, Diogo Morgado tem uma figura majestosa e ao mesmo tempo, um sorriso doce que vão bem ao Rei dos Reis


 5- Christian Bale - Mary, Mother of Jesus (1999)


Este foi o filme que vi mais recentemente, e deixa a desejar - com uma interpretação no mínimo muito livre dos acontecimentos e da personalidade quer de Jesus, quer da Virgem Maria. Não estou a imaginar a mãe de Jesus, um modelo de força serena e de doçura, a acusar os Apóstolos, a gritar com guardas e sacerdotes para impedir que lapidassem uma mulher (por muita razão que houvesse nisso) nem Jesus a ser pouco amável com a própria mãe porque andava entregue à sua vida de pregação junto dos discípulos. Mas a película vale por duas razões: Christian Bale (que além de fazer um lindo Jesus, é virtualmente incapaz de desempenhar mal um papel por mais fraco que o material seja) e uma sequência da Crucificação verdadeiramente artística, baseada no imaginário da Pintura.


4- Ralph Fiennes - The Miracle Maker (2000)


Sou suspeita, mas tinha de incluir Ralph Fiennes na lista apesar de neste caso, ter apenas emprestado a sua poderosa voz à versão stop motion do Messias (se estão recordados, Fiennes saiu-se lindamente a cantar como Faraó em O Príncipe do Egipto, mas é refrescante não o ver a fazer um vilão, para variar). Aliás, sou duplamente suspeita porque gosto muito de filmes em stop motion com marionetas bonitas (Jesus está muito bem conseguido, com uma presença majestosa em vez da figura franzina preferida por alguns autores) e se tiverem temas bíblicos, melhor ainda. Fica a sugestão para um serão familiar, até porque as cenas violentas foram reduzidas ao mínimo. Child friendly, mas muito interessante.


3- Robert Powell, Jesus of Nazareth (1977)


Um daqueles clássicos-que-passava-sempre-na-Páscoa (agora já é raro apanhar-se um filme apropriado à quadra...bons tempos!) esta super série italo-britânica (que também esteve nas salas de cinema) contou com um elenco estelar, de Laurence Olivier (Nicodemus) a Peter Ustinov (Herodes, comme il faut) passando por Anthony Quinn, não faltando mesmo Claudia Cardinale como a mulher adúltera. Embora ande com vontade de o rever com atenção, recomendo-o principalmente por tanto a Virgem Maria (Olivia Hussey) como Jesus (Robert Powell) parecerem tirados a papel químico das imagens tradicionais (e passarem realmente por mãe e filho, com o mesmo tipo de rosto e olhos claros). 

2 - Jim Caviezel - The Passion of The Christ (2004)



A versão de Mel Gibson, largamente baseada nas visões místicas de Anne Catherine Emmerich e da Venerável Maria de Jesus de Ágreda sobre a Paixão, dispensa apresentações. É um transporte artístico e devocional ao mesmo tempo, um filme que ou se adora ou se detesta. Eu acho-o difícil de ver, mas emocionante (tão emocionante que o facto de ter ido ao cinema com um amigo tolo que me perguntou se o Judas "era o mau" não estragou tudo; só a mim!). No entanto, já era fã de Jim Caviezel antes e percebi perfeitamente que tivesse sido escolhido para o papel pelo seu olhar grave e triste, perfil aquilino e figura imponente. Só achei pena terem-lhe alterado ligeiramente o nariz e os olhos (com a intenção de o assemelhar o mais possível à imagem no Santo Sudário de Turim) - a meu ver, o rosto de Caviezel era perfeito como estava. O facto de o actor se entregar de corpo e alma a este trabalho, com um zelo só possível num Católico devoto como ele (adoeceu várias vezes, foi atingido por um raio e intoxicado com o gás do cenário enquanto estava pendurado na Cruz,etc) também ajudou, com certeza.

1- Ted Neeley, Jesus Christ Superstar (1973)


Este é possivelmente o filme da minha vida. Rodado na Terra Santa com poucos recursos (e muita, muita criatividade; é preciso manter a mente aberta para não estranhar legionários com metralhadoras e outras inovações) mas realizado com uma perfeição rara. A iluminação,a fotografia, a direcção de actores, a edição, é tudo extraordinário. Sei a banda sonora de cor, sem exagero, e recuso-me a ver qualquer versão do musical em palco. Por muito boa que seja, é sempre um assassinato. Adiante: hippies, danças e polémicas associadas ao elenco à parte (os actores que interpretavam Pedro e Pilatos tinham estilos de vida pouco condizentes com a temática, digamos assim...) o libretto é bastante fiel aos Evangelhos, embora preencha alguns "campos em branco" com o que Jesus e Judas terão sentido ou pensado em determinadas situações. Temos também a oportunidade de imaginar o que Anás e Caifás (este jovem e bem parecido, com uma voz espantosa) terão conspirado entre si, de sentir a imponência do poder de Roma na Casa de Pilatos (aquela música!) e a decadência cómica na de Herodes (o que calculo, não andaria longe da verdade, mais cantiga menos cantiga...).
 Mas vamos a Ted Neeley: além de uma voz absolutamente fabulosa - com uma extensão incrível- que consegue num trecho expressar meiguice, poder, tristeza e raiva (a cena dos vendilhões do Templo é épica, e foi rodada num take só porque não havia mais adereços para partir, tão parco era o orçamento) tem ar de anjo, com os olhos mais lindos e doces. Posto em termos queirosianos, "é uma pintura de Nosso Senhor Jesus Cristo!", logo o meu preferido, sem desfeita aos restantes...




3 comments:

Elisabete Susana Alves Ribeiro said...

De todos os filmes falados, só não tive oportunidade de ver (ainda ;) ) o The Miracle Maker e o Jesus Christ Superstar de 1973.
Tirando estes, não podia estar mais de acordo com top apresentado.
Jim Caviezel desde sempre foi para mim o que melhor interpretou o papel.
Quanto ao Diogo Morgado, por mais que queira gostar, sempre me pareceu que lhe falta aquele je ne sais quoi para me fazer sentir que está a interpretar a figura especial de Jesus. Mas também a série não me cativou de todo...

UmaMaria said...

Ó Imperatriz! Também eu adoro este Jesus. Vi o filme 10 (!!) vezes no cinema Berna, de boa memória, comprei o LP duplo e, ainda hoje, sei TODAS as músicas de cor! Como eu te compreendo.....

Imperatriz Sissi said...

@Elisabete, falta-me ver o resto para opinar com propriedade, mas é uma série ao estilo documentário, sem a emoção do cinema. Eu quando se trata destes temas não sou muito exigente, vejo tudo :D...acho que ele vai repetir o papel noutra produção, não é?

@Maria, nunca encontrei outra pessoa sem ser cá em casa (ou os actores que tenham desempenhado papéis no musical) que o soubesse de cor :D

Os pais não sei se o viram 10 vezes (no Teatro Gil Vicente ou no extinto Avenida, não estou certa) mas andou lá perto. Tenho o LP desse tempo, o CD e o DVD. Certa vez, era eu pequena, fizemos uma road trip pelo Leste da Europa num carro alugado que não tinha rádio...fui eu a fazer de rádio, a cantar as personagens todas com o resto da família a acompanhar :D.

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