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Tuesday, June 2, 2015

Antonio Banderas dixit: no amor, como na dança


Bom, não foi exactamente o Banderas, foi a personagem que ele interpretava num filme que estava a dar no outro dia... mas como gosto muito do actor espanhol, seja. Em boa verdade, deixei-me olhar para o enredo só porque adoro vê-lo dançar e ouvi-lo (e porque a história, apesar da tradução lamechas do título em português, falava sobre danças respeitáveis e era cheia de bons princípios de antiga elegância; se começassem cá com soneros latinos calientes para trás e para a frente, não havia paciência).

Mas o que me chamou a atenção foi terem realçado que o que acontece na dança (se não quisermos pisar os pés ao partenaire) segue exactamente o ritmo tradicional da dinâmica homem-mulher. O ritmo da Natureza desde que o mundo é mundo.

Explicava o professor de danças de salão "o homem guia; a função da mulher é seguir". E responde a aluna - com uma dúvida comum, que impede muitas mulheres hoje em dia de dançar bem e/ou amar bem: "mas se o homem liderar, vai pensar que ele é que manda!"


- "Não é assim - replica o Banderas, com aquela voz do Gato das Botas - sabe, o homem propõe o passo. A mulher ESCOLHE segui-lo. E seguir exige tanta força como liderar. O homem poderia usar toda a sua força, mas escolhe levar a mulher numa viagem em vez de a dominar. Se e como aceita a viagem, depende dela. Se a mulher PERMITE ao homem guiar, ela está a confiar nele. Mas mais do que isso, está a confiar nela mesma".


É preciso ter força para se dar ao luxo de ser vulnerável. E a vulnerabilidade feminina tem um poder enorme - é uma das nossas maiores forças, principalmente no solo privado.


Afinal, o Criador "pôs as coisas frágeis na Terra para conquistar as fortes". A mulher que está sempre na defensiva, que precisa constantemente de provar que é igual ao homem em tudo, que é indomável, que não abre mão da autoridade simbólica (mas depois se queixa, com razão, que não encontra "um homem a sério", ou se deixa enganar por bad boys fanfarrões)... ou não confia o suficiente em si mesma, ou não está ao lado da pessoa certa. Tal como apenas um homem muito seguro da sua masculinidade não receia dar ouvidos à sua mulher, só uma mulher poderosa não receia ser doce, feminina, perder o medo e fazer a escolha - porque É uma escolha - de entregar a dança nas mãos de outrem. Não há maior prova de autodeterminação do que essa: só quem tem poder pode cedê-lo. Como dizia Santo Inácio de Loyola, não é difícil seguir, quando se ama a quem se segue.

E o mal da dança - e do resto - parece ser já ninguém saber qual é o papel que lhe compete, e cada um puxar para seu lado. Não admira que os bailes à moda antiga estejam quase extintos...


1 comment:

Sandra Marques de Paiva said...

Adoro este filme. Já o vi imensas vezes e fico vidrada na cena da dança, das minhas cenas favoritas de sempre :)

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