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Monday, June 8, 2015

As coisas que eu ouço: na Igreja

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Numa Igreja da Baixa, aparece-me uma senhora da aldeia toda espevitada (chapeuzito de andar nas terras e chinelas - provavelmente teria terminado o seu dia junto à banca dos legumes no mercado ali perto, como percebi mais tarde) e a falar tão à vontade como se fora em casa:

- Ó menina...há aqui algum Padre que me benza este santinho? - disse alto e bom som, apontando para um volume embrulhado em papel pardo.

Respondi-lhe em voz baixa que havia um sacerdote no Confessionário; que lho pedisse quando a senhora que lá estava dentro terminasse...

- AI MENINA! - tornou a boa velhota, ainda mais alto do que antes, e depois de me perguntar se eu tinha ouvido que andavam a dizer na televisão que uma visita a determinado santuário garantia o perdão dos pecados - eu estou com tanta pressa para apanhar a carreira! Não pode perguntar se há outro Padre?

Já com vontade de rir, lá fui, a ver se ela ficava satisfeita e parava com aquele banzé. Não havia. Nem havia maneira de a senhora falar mais baixo...deve ter engraçado comigo e não se calava.

- Oh! Mas vejam só! Vão-se confessar? - insistia, com ar de espanto - uma pessoa confessa-se a Deus! "Eles" têm lá poder de perdoar os pecados!

Não me sentindo com vontade de discutir teologia nem doutrina, muito menos com alguém com o diafragma de uma prima donna, capaz de mandar um santo do altar abaixo, lá sussurrei conforme me ocorreu que todos os Católicos devem obedecer ao Papa logo é suposto confessarem-se até ordens em contrário, mesmo que visitem o santuário X ou Y, além de ser uma boa forma de desabafar sobre os problemas de cada um.

- A sério? Na Confissão podemos falar dos nossos problemas? (olhem que trabalhinho de catequista me tinha calhado pela tarde!). E atirou -me mais esta:

- Eu já não me confesso desde me casei vai p´ra quarent´anos! O meu marido faleceu há três meses (olhem que ninguém diria!)

E eu, já que ela não desistia mesmo:

- Então deve ter tido um marido muito bom, que não a fazia perder a cabeça...

- Qual! Ó menina... foi um marido muito mau! Tinha ataques "impiléticos"...

E não contente com isto....

- A menina está aqui porque o seu marido é mau? 

Salva pelo gongo - a confessada que lá estava saiu e a minha estranha companheira, perguntando se as outras pessoas se importavam que passasse à frente só por um instantinho, pediu ao Padre se lhe benzia "este Senhor de barro muito grande que custou 75 euros!".

E enfim, despediu-se de mim e foi à sua vida toda contente, deixando-me cá a pensar-lhe na lógica: se não acreditava que um Padre tem poder de perdoar os pecados, como é que se fia nos seus poderes para abençoar um Senhor que custou 75 euros e tudo?









2 comments:

C. N. Gil said...

É que uma coisa é dar uma benzedura, outra é perdoar pecados...

...são coisas completamente diferentes!

:)

Imperatriz Sissi said...

Falta de informação, mais hábito e crendice do que Fé...mas lá curiosa ficou ela! Pode ser que se lá volte para se esclarecer melhor.

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