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Friday, June 12, 2015

As orelhas de abano do ídolos - e dos ouvidos leves em geral.


Hoje o rapaz que foi alvo de troça na televisão por ter orelhas de abano veio mostrar aos jornalistas o seu novo visual.

Pondo de parte questões que não são para aqui chamadas - cada um sabe de si e se não se sentia bem com esse pormenor, corta-se (ou neste caso,
 costura-se) o mal pela raiz e pronto, não se fala mais nisso - eu acho que não era necessário. 

 Primeiro, porque ouvi dizer que uma operação às orelhas dói que se farta ( basta alguma vez ter adormecido a pressionar as orelhas com força contra a almofada para calcular que sim, auch!); segundo, porque num homem as orelhas não contam lá muito. O Eric Bana tem orelhas de abano (isto em português até parece um estribilho) e não deixa de ser um rapaz bem apessoado lá por causa disso. E o Mr. Spock? E o Legolas? Nunca lhes faltaram fãs à conta das orelhas em bico.

O problema é que muitos rapazitos agora querem usar o cabelo espetado, curtinho, com gel, à jogador da bola (o que para começar, não é grande ideia) sem ter orelhas para isso (e quando não têm queixo para isso pior se torna- parecem uns urubus com um ouriço na cabeça...).  Ou seja, se o  Daniel usasse o cabelo mais comprido e menos no ar ninguém tinha dado pelo detalhe.


 Volto a dizer, num homem, desde que em tudo o resto seja harmonioso e use um penteado que não realce esse pormenor, as orelhas não contam. O que é realmente mau é quando um rapaz ou um cavalheiro tem as orelhas equipadas com radar, ou acha que sim: traduzindo, quando dá ouvidos a toda e qualquer mentira que lhe contem, quando é inclinado a escutar mexericos e  todo o "espírito santo de orelha" que lhe sussurre o que ele quer ouvir, ou o que dá jeito a certas pessoas que ele ouça.


 O mal não é ter as orelhas grandes ou de abano: o mal é ter os ouvidos leves, deixar-se influenciar por tudo e todos como um fantoche, fazendo justiça à frase de Heródoto "os homens acreditam mais nos seus ouvidos do que nos seus olhos". E há senhores que são assim, mesmo tendo orelhas perfeitamente normais. Isso sim é pouco masculino e nada apelativo, porque um homem deve julgar pelos factos e segundo a sua consciência, em vez de dar ouvidos às vozes maliciosas que o vento traz, como uma alcoviteira. Em tempos idos, isso era tão mal visto que  até havia um castigo para quem tinha orelhas como o Rei Midas (não orelhas grandes, mas orelhas sensíveis à intriga): a máscara dos parvos.

 Logo, não é o formato das orelhas que conta, mas o que se faz com elas... espero que o Daniel perceba isso e de futuro deixe de dar ouvidos a palavras de burro, que nunca têm em mente o interesse do visado.

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