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Monday, June 15, 2015

Eça de Queiroz dixit #5: o dever moral de estar atento



"Para fazer Acácios e Julianas basta uma atenção imparcial,
 e uma perseverança lúcida"

                                               (Eça de Queiroz em carta a Guerra Junqueiro, 1878)


Digo muitas vezes que é uma pena que Eça não ande entre nós, com acesso à blogosfera

O grande romancista pasmaria com a abundância de espécimes mesmo a
 pedi-las, prontinhos a ter o tipo traçado, caricaturado e criticado. Também sempre achei que para escrever, a imaginação pode ser importante, mas... nada faz tanta falta como o poder de observação. 

É  que as fontes de inspiração são tantas, os figurões tão escabrosos ou cómicos, há por aí episódios tão caricatos que mais vale ter espírito de jornalista e registar o que se vê e ouve do que inventar grande coisa...e às vezes nem é preciso sair de casa; com as redes sociais as pessoas revelam-se de cada maneira que mais parecem personagens do Decameron, quanto mais de O Primo Basílio

Claro que nem todos temos o formoso talento de um Eça, mas cabe a cada um o dever moral de dar bengaladas naquilo que é pernicioso, inestético, escandaloso, ridículo...é que se ninguém notar essas coisas, se não lhes der nome, se não houver um "já viram bem isto?" para alertar consciências...olhem que não sei. Claro que com esse dever moral vem também a obrigação de ter delicadeza e caso ser subtil não baste, usar de capacidade de encaixe e sentido de humor, já que quem diz o que quer, pode ouvir o que não quer. Eça tinha disso às carradas, claro.
 Isso e um monóculo super atento...

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