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Wednesday, June 24, 2015

Fidelidade masculina como deve ser (e o conceito terrível de "farfalhar")


Uma senhora muito culta e muito sábia avisava todos os jovens que conhecia que nos amores,  o "farfalho" é um mal a evitar a todo o custo. E o que é farfalhar, perguntam os que não sabem (como eu, até ela mo dizer) o que vem a ser isso? É uma prática terrível, que urge denunciar. Muita gente foi se calhar vítima de tentativas disso sem o sonhar! 

"Farfalho" (acto ou efeito de farfalhar como as folhas das árvores) pode ter duas conotações, e ambas más.

 A primeira, é a boa e velha desvergonha, relações inconsequentes, malandrice.

 A segunda (que vamos tratar aqui hoje)  não deixa de estar relacionada: farfalhar é quando uma pessoa promete mundos e fundos, jura um grande amor, faz mil protestos de devoção...mas só de entusiasmo, da boca para fora e tencionando tanto cumpri-los como ir ao fim do mundo.

Hoje, num livro engraçadíssimo (Joaquim Azpiázu, 1946) encontrei algumas frases que me fizeram lembrar disto...sobretudo no lado masculino da barricada.


"O verdadeiro amor não é o que se manifesta por palavras, mas o que se afirma por obras. O calado é o melhor- costuma dizer o povo". E já por aqui se falou na veracidade disto. Quem muito e rapidamente promete...quase sempre é farfalho e nada sério.  Quem ama mais expressa-o por actos, não necessariamente pelos "amo-tes" que frequentemente são jurados para agradar ou enganar...

 Ora, quase sempre quem farfalha não é fiel. E mesmo quem se considera fiel porque "não faz nada de grave" pode entrar em "farfalho ligeiro" ou "infidelidade leve" por fraqueza, desejo de atenção, ego ou simples desconhecimento das regras básicas - quando bastava pôr em prática o velho e simples "não faças o que não gostavas que te fizessem a ti".

Isto dá-se com ambos os sexos, embora as mulheres possam pecar mais por excesso de delicadeza (e.g: não saber pôr no sítio um galanteador atrevido e melindrar a cara metade por causa disso) ingenuidade ou retaliação do orgulho/amor ferido ou, nos casos piores, por vaidade, frivolidade e fraqueza perante elogios baratos. 

  Já os homens erram sobretudo por egoísmo ("sou homem, nada parece mal") e pelo ego- para provar a si mesmo e aos outros um falso estatuto de Alfa. Muitos não vêem mesmo pecado nenhum numa infidelidade leve - por exemplo, em fazer confidências a uma amiga que só está interessada em causar atritos ao casal. 


 Ora, uma relação só pode crescer saudável na exclusividade, na privacidade, no santuário formado por duas pessoas. Logo, importa estabelecer as devidas e cordiais - mas implacáveis - distâncias porque há sempre quem esteja disposto a estragar a felicidade alheia com intrigas por simples inveja ou conveniência, além dos "amigos do alheio", já que a amizade desinteressada e fraternal entre pessoas do sexo oposto é bastante mais rara do que nos querem fazer crer. É muito comum uma das partes entender a confiança como um convite a outras intimidades. Se eu tivesse cinco euros por cada relação que tenho visto estragada por influência de "amigas" ou por excessiva proximidade nas redes sociais, podia reformar-me em grande estilo.

Logo, quem gosta verdadeiramente de alguém, terá de escolher e pronto: abrir mão de certas "liberdades", de certas "confianças", de determinadas companhias e proximidades. Essa é a essência do compromisso, que não custa nada a cumprir quando se está apaixonado e "não se tem olhos para mais ninguém". 



Sobre isso, diz então Joaquim Azpiázu: 

«Agora todas, sem excepção, passam a ser meninas que hás-de tratar com relativa indiferença e por igual. Já nem sequer há, como podia haver dantes, prima inter pares; agora todas passam pela craveira de simples conhecidas e, por isso mesmo, amigas DELA. 

Não as deves frequentar senão na companhia DELA e tratando-se delas, não deves ir senão onde ELA vá também. Nesse assunto impõe-se a austeridade, desde o primeiro momento. Depressa chegarão aos teus ouvidos  as primeiras tentações sob a forma de sentidas queixas: "o quê? Mas já estás casado? Por fulana te conquistar, já não somos ninguém? ".

 Sereias tentadoras! Que mais deseja o amor próprio senão saborear o prazer, um instante que seja, de reinar em território conquistado? Essa fugaz vitória deixá-las-ia compensadas da derrota total. Precisas de fugir - estar com ELA, junto de quem essas vozes  não se fazem ouvir. A caridade, a amizade, a sociedade, impõem-te a obrigação de amar a todos e a todas, conservando cada um no seu lugar. Tu impões-lhe esse dever a  ELA- pois com igual direito to imponho a ti. Assim deve ser, para garantia da tua felicidade...».

 E um rapaz para quem isto não pareça natural deve - se é um cavalheiro e uma pessoa de bem - esforçar-se por ser assim rigoroso. Afinal, ele também não gostaria que a sua eleita permitisse excessivas liberdades a amigos ou admiradores, ou que os tratasse quase da mesma maneira que o trata a ele. Se um homem diz amar uma, mas quer proceder como se continuasse solteiro ou de coração livre...então meus amigos, não é amor; é farfalho puro e descarado. E não vale mentir à própria consciência...

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