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Tuesday, June 30, 2015

Maria Sticco: se todas tivéssemos tão boa professora!



Esta semana citei Maria Sticco, autora italiana que escreveu um livro fascinante: "O Dever e o Sonho" . Encontrei uma edição de 1943 e fiquei agradavelmente surpreendida ao perceber que se pode obter uma versão recente na Fnac. Como ainda não lhe tive acesso, duvido que a tradução seja tão perfeita como a antiga, pelo que recomendo uma voltinha por alfarrabistas ou mesmo por alguns pontos de venda online.

E porquê? Porque à luz da espiritualidade - mas também de Maquiavel, Catulo, Keats, Safo, Dante e outros poetas e pensadores - esta professora universitária de Milão oferece simultaneamente uma prosa divinal e conselhos de enorme bom senso para lidar com todos os desafios.

 E desenganem-se se pensam que são ideias que já não se aplicam...qualquer pessoa sensata (e as mulheres em particular) poderá beneficiar com a sua abordagem ao sofrimento, à harmonia conjugal, às idas e vindas em sociedade, aos deveres e à forma de estar na vida. 




Numa época em que tanta gente se deleita a ler ideias de auto ajuda de gurus suspeitos que "sofreram muito na vida" (esta ouvi ontem, a propósito de um português com grande aceitação nas redes sociais) ou porque escrevem frases picantes - e  sórdidas - para partilhar em facebooks e afins, mais do que nunca faz falta a pluma de uma verdadeira Senhora (e de uma senhora que realmente sabe escrever) para ensinar alguma coisa de válido.

 Aqui entre nós, acho que os conselhos cairiam em saco roto para muito mulherio, já que estão mais na moda os livros, revistas e sites que dizem o que as mulheres querem ouvir, e não o que lhes faz falta aprender . Hoje ninguém gosta muito de falar em "deveres"...mas sem o devido equilíbrio entre o sonho e o dever, é impossível ter uma alma saudável. Ou uma vida feliz. É preciso, para realizar os sonhos de forma benéfica, "fazer com que o sonho se transforme em dever, e dar ao dever o encanto do sonho".

 O livro é tão cativante que para o citar com justiça o post ficaria enorme, mas deixo alguns excertos curiosos.

Sobre o "profiling" dos habitantes através do aspecto da sua casa:



Receita para conservar a "chama" do amor no casal:


A diferença entre a paixão que destrói e o "amor que salva"



Maria Sticco (1891-1981) nasceu em Corciano, Umbria, filha de um médico do exército e de uma condessa. Escritora e professora na Università Cattolica del Sacro Cuore de Milão (onde ensinou Língua e Literatura Italiana durante 40 anos) deixou vários trabalhos inspirados no ideal Franciscano (incluindo uma famosa biografia de S. Francisco de Assis) e na sua terra natal. Porém, também se debruçou sobre Maquiavel (“Lettura del Machiavelli”) e foi co-directora de uma sofisticada e influente revista feminina, "Fiamma Viva". 

 O papel da mulher era, como é fácil de imaginar, uma preocupação sua; a harmonia entre a forma tradicional de estar e a independência, o comportamento senhoril das jovens, a intimidade, o papel das esposas e das mulheres que desejavam uma carreira, a vida doméstica, familiar e espiritual, a vaidade e a beleza, todos esses aspectos são amplamente analisados, e com que lucidez, que mistura de ânimo varonil - que nada tem a ver com masculinizar-se - e graça feminina!

 Se o livro é assim, imagino o privilégio que não terá sido assistir às suas aulas. Como fazem falta professoras destas!







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