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Saturday, June 13, 2015

Momento National Geographic #5 (Ou a frase que torna uma mulher em persona non grata)

E agora até têm revistas próprias- fujam para as barricadas!

Recordam-se de termos falado em mulheres que envergonham todas as outras?

E de como a pegada digital de cada um(a) diz praticamente tudo o que se precisa de saber sobre o carácter de alguém, caso haja dúvidas?

Perder um bocadinho nas redes sociais, a reparar nos mais remotos conhecidos-de-conhecidos-de-conhecidos que dão à costa pode revelar coisas antropologicamente fascinantes, mas deprimentes do ponto de vista humano.

 É como estudar a árvore genealógica de alguém, mas em mau: quanto mais nos afastamos no grau de parentesco, mais surpresas se descobrem. Em suma, reparam-se em tipos de homo sapiens (salvo seja) que nem sonhávamos que existiam. E com hábitos bem esquisitos. 

  É sabido que este espécime, já aqui documentado, tem um perfil bem definido: tomando uma amostra considerável de periguetes de bairro
percebe-se rapidamente que todas vestem da mesma maneira, usam os mesmos cabelos, as mesmas unhacas, os mesmos brincos grandes, frequentam os mesmos antros, gostam das mesmas danças selvagens, estão ligadas a seitas de cosméticos com frases motivadoras, usam termos brasileiros, dão erros ortográficos e quando têm filhos com o Carlão do Ginásio, mesmo que sejam orgulhosamente mães- solteiras-que-não-deixam-de-ir-à-discoteca-da-cachaça-todas-as-semanas adoram mostrar o quanto são extremosas; o que para elas se traduz em publicar intermináveis retratos dos seus rebentos, a quem tratam sem excepção- se forem meninas, logo futuras periguetes- por "princesa".

  O que eu já desconfiava, mas não queria crer, é que além das citações motivadoras dos batidos, das frases brasileiras sobre ser leoa, loba ou deusa ("beijinho no ombro!") e, para aquelas com pretensões intelectuais, deste nosso amigo, há algumas que chegam à desfaçatez de publicar isto:


É daquelas coisas que nem a brincar. Alguém que publique tal é para ser posta logo em modo damnatio memoriae. Nas brincadeiras que se toleram ou se fazem está quase sempre, ainda que em hipérbole, aquilo que se acha admissível ou normal.

Uma coisa é ser enfim, leviana, pouco culta, pouco elegante, não ter obrigação para mais; outra é ser má pessoa, gananciosa e cobiçar o alheio. Pelourinho ainda era pouco; Letra Escarlate era o mínimo. Agora calculem a quantidade de mulheres bem comportadas que será preciso criar para desfazer a má imagem feminina na sociedade. Mas pôr à margem quem diz coisas destas - se possível, fazendo-as saber porquê- já é um bom começo. 



1 comment:

Urso Misha said...

com aquele vestido, depois estão de 5 em 5 segundos a puxá-lo para baixo e o decote para cima, que figurinhas...

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