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Thursday, June 25, 2015

Os estágios curriculares que a vida nos dá


Um estágio curricular, como sabem, é - supostamente - uma experiência de trabalho levada a cabo no intuito de aprender, ao concluir um grau académico ou quando se procura uma mudança de carreira. 

Geralmente esse trabalho não é pago, ou recebe-se um valor simbólico por ele. Com sorte, quem estagia em certas empresas - de moda, de restauração, etc - pode receber algumas ofertas ou ter acesso a descontos. Com mais sorte, pode ser convidado a ficar. Mas à partida não se espera muito desse esforço árduo, a não ser um treino capaz para coisas maiores e desafios mais aliciantes.

 A vida também obriga a muitos períodos de estágio em diferentes aspectos, em diferentes idades. O problema é que por vezes as pessoas não se apercebem disso. Esperam demasiado daquele momento, não compreendendo que estão a estagiar. A treinar. A ser testadas. Que aquilo que lhes está a acontecer não passa de um ensaio.



 Vejamos exemplos: quem está a tentar evoluir na carreira, a montar o seu próprio negócio ou anda numa fase menos boa a nível financeiro, espera todos os dias que as coisas mudem para melhor. E enquanto essa mudança não se dá, enquanto a grande oportunidade não aparece, lamentam-se (o que é perfeitamente natural). 

 Mas há que pensar que isso é um estágio: quem não consegue gerir pequenas quantias, fazer filhoses de água, procurar soluções e fazer nascer boas oportunidades de uma terra estéril, dificilmente fará uma boa gestão da abundância quando ela chegar. Grande nau, grande tormenta. Quem não é capaz de dar conta de um pequeno negócio, ficará perdido num grande. Um cantor pode sentir-se frustrado por a fama não lhe bater à porta, mas cantar para uma plateia diminuta é bem mais difícil do que arrebatar uma sala cheia de gente que veio de propósito para o ouvir. Quem domina as pequenas dificuldades, não receia as maiores.



E no amor? Há quem se chore por ainda não ter encontrado "aquela" pessoa. Mas se não aproveitar enquanto está sozinho para o aperfeiçoamento, para lidar com as próprias falhas, será muito mais difícil consegui esse equilíbrio uma vez a dois. Quem não sabe lidar consigo mesmo, tem muito pouco a dar a outrem.
 Existem ainda os casos dos apaixonados que já encontraram o (ou a) "tal"...mas a relação oferece desafios ou encontra dificuldades, parecendo mais um purgatório do que o paraíso... ora, se se conhece bem o suficiente a cara metade para saber que é digna desses sacrifícios, tanto melhor. O amor pode ser o céu, mas tem uma cruz atrás. Amor indolor não existe. Logo é melhor preparar-se durante essa fase de estágio, limar as arestas antes, porque numa vida de casal - se a ideia é que seja "para sempre"- as cedências, as renúncias, a fé, o perdão e a paciência terão de ser bem maiores. Sem fundo, nem limites. Quem se lamenta agora, das duas uma: ou não está ao lado da pessoa certa, ou não está preparado para as verdadeiras responsabilidades.



Depois há quem - sobretudo mulheres ainda jovens e bonitas - se aflija por ainda não ter filhos. Ou porque as circunstâncias ainda não se proporcionaram (e há o receio de que jamais se proporcionem) ou porque esteve ao lado da pessoa errada e neste momento se encontra só. Essas mães em potencial querem de tal maneira sê-lo que isso as faz sofrer, lhes provoca um grande vazio, em vez de as encher de esperanças e expectativa. Deveriam pensar que estão não sozinhas, mas livres para encontrar o companheiro ideal; porque a seguir a lei da natureza, tudo o que está só ou vazio tende a ser preenchido e completo. Deviam considerar também que na sua infelicidade e ansiedade, estão realmente a estagiar para o papel de mães. Afinal, que mãe não abdica de si própria, não se aflige pelos filhos constantemente, não sai de si mesma para se dar aos outros, não sofre? Quem tem filhos tem cadilhos - antes habituar-se agora aos "cadilhos", para que não pareçam tão pesados mais tarde!

 Na vida, como nos estágios, não há recompensas imediatas - e muito menos garantidas. É preciso let go and let God, como dizem os americanos: apreciar o caminho, fazer o que se pode... e entregar o resto ao Céu, ao destino ou à sorte, consoante as crenças de cada um. Mas uma coisa é certa: se os prémios chegarem antes do tempo, quando não se está preparado e treinado para os apreciar, ter e manter, servem de muito pouco...



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