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Thursday, June 4, 2015

Para os mulherengos: a alegoria das favas


Vou contar-vos um segredo: para chamar as coisas pelos nomes, "sempre me meteu cá um nojo" ouvir desculpar a libertinagem de certos homens femeeiros (ora aí está outra palavra fora de moda!) com o estribilho: coitado! Gosta muito de mulheres!  estribilho a que às vezes se segue "oh! mas é um perfeito cavalheiro!"

Assim como quem diz: gosta muito de queijos, gosta muito de vinhos... ou como que a justificar "não se controla, à maneira dos bêbedos...".

Pior do que isso, só um mulherengo empedernido a dizê-lo de si próprio, com ar baboso: ah! Eu cá adoro mulheres! Como quem se orgulha de ser um fraco e um devasso.

Um ponto pela sinceridade, vá, mas quem o diz não adora mulheres, porque não gosta realmente de nenhuma; adora mulheres como quem adora coleccionar selos, ou como a Imelda Marcos gostava de sapatos... e ainda por cima, tem-se geralmente em grande conta (mesmo que já não vá para novo e nunca tenha sido nenhum Sean Connery) achando que todas as mulheres o apreciam também...presunção e água benta, cada qual toma a que quer. Tão pouco quem afirma isto pode ser um cavalheiro, quanto mais um perfeito cavalheiro, porque carece do auto domínio que é apanágio do cavalheirismo. E se há coisa que me tira do sério é gente sem auto domínio. 

Claro que isto só é realmente uma coisa grave quando quem diz adorar mulheres e procede deste modo, se acha no direito de ter AINDA uma namorada/esposa legítima a quem engana descaradamente; e/ ou  se cobiça as mulheres do próximo.

De resto, há apenas que notar o ridículo da personagem e, caso se caia no radar de tais pessoas, rechaçá-las sem dó nem piedade.

  Gente dessa lembra-me aquele conto de Fadas muito antigo, de um jovem fidalgo que agarrou uma grande "paixão" pela Rainha. Acentuado D.Juan, sem um pingo de vergonha (nem de medo) andava pela corte a dizer que não descansava enquanto não juntasse a consorte do Rei ao seu rol de conquistas, e que dava tudo para passar uma noite com ela.



O dito de mau gosto foi ter aos ouvidos do monarca que, fiado na honestidade da esposa e sem vontade de sujar as mãos de sangue, decidiu dar-lhe uma lição mais civilizada.

Convidou o estouvado para uma ceia e ele claro, foi, julgando que o Rei, que ele planeava fazer de paspalho, lhe estava a dar uma grande honra...

 Sentaram-se e comeram, tudo muito bem servido e acompanhado dos vinhos mais raros, mas...todos os pratos eram à base de favas. Sopa de favas, favas cozidas, favas estufadas, guisado de caça com favas...e assim por diante. Ao início o mariola lançou-se às iguarias com apetite, mas passado um bocado começou a fartar-se.

E o Rei perguntou-lhe, a fazer-se de novas:

- Então, não comeis mais? Os pratos não são do vosso agrado?

- Majestade, está tudo uma delícia...mas espanta-me que não haja senão favas.

- Pois bem, é para vos servir de lição: que eu nunca mais vos ouça dizer que quereis dormir com a Rainha. Ficai sabendo que favas, todas são favas; e mulheres, todas são mulheres...







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