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Saturday, June 13, 2015

Prova de Amor à Santos Populares


Hoje, dia de Santo António - que não é só o Santo casamenteiro e encontradeiro, capaz de recuperar o perdido e lembrar o esquecido, mas também o santinho com os milagres (e os castigos) mais espectaculares do calendário - começam a estar por todo o lado, conforme a zona do país, as imagens, as procissões, arraiais, marchas, balões, manjericos, etc.

Pessoalmente marchas não são tanto comigo; a tradição de que mais gosto é a das Fogueiras, com roda e mandador à moda antiga - geralmente um velhinho fanhoso e já com uns valentes copos que lá vai orientando velhos e novos numa espécie de dança de quadrilha medieval ao som de quadras como,

A apanhar o trevo,o trevo na areia/ a apanhar o trevo às escuras da candeia
Quem está bem deixa-se estar e eu não posso estar melhor/estou à beira de quem amo /não há regalo maior.

Claro que as tradições (e crendices) amorosas nesta altura do ano são tão frequentes como as noivas de Santo António (hoje assisti mesmo, sem contar, ao casório de uma...). A avó contava que as raparigas nos anos 50 atiravam alcachofras para a fogueira de S.João e se pela manhã tivessem florescido outra vez (apesar de todas chamuscadas) era sinal de amor correspondido e feliz. Não sei atestar a veracidade, mas podem experimentar porque alcachofras não faltam pelos caminhos...


 Pois a propósito disto tudo dei por mim a pensar que antes de um namoro se tornar muito sério, há outro teste excelente que se pode fazer por altura dos Santos Populares. E não tem nada de sobrenatural - basta que quem o faz deteste tanto como eu o cheirete a sardinhas. É que os danados dos peixinhos são uma delícia e têm um aroma muito apetitoso, mas Deus nos livre que fique entranhado na roupa ou no cabelo. Se vou a um arraial, passo de largo quando há grelhador à vista!

 Ora, se têm dúvidas quanto a quererem passar o resto da vida com a vossa cara metade, basta pensarem com os vossos botões  "será que eu continuava com vontade de o (a) abraçar se ele (a) viesse «perfumado (a) e enfarruscado (a)» de uma sardinhada?». 

Se a vossa resposta for "então não queria? Até lhe chamava «minha sardinhinha»" muito bem, o amor é firme. Se pensarem "blhec"...não precisam de fazer o teste da alcachofra...

(Assim como assim, "sardinhinha" sempre é uma alcunha mais decente do que "môr"; essa nem Santo António aguenta!).

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