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Wednesday, June 24, 2015

Soror Juana Inés de la Cruz dixit: quando eles se queixam por sua própria culpa


Este poema lúcido e bem humorado de Soror Juana Inés de la Cruz é uma boa conclusão (ou resposta) para o post desta manhã

Que se saiba, a religiosa e intelectual mexicana do século XVII (que era uma leitora voraz, devorou todos os clássicos, aprendeu português e latim sozinha, levantou grande poeirada ao analisar um sermão de Padre António Vieira, coleccionava instrumentos científicos e deixou vasta obra literária, de versos a peças de teatro) nunca se terá apaixonado por homem algum antes de se tornar monja.   De facto, até foi autora de uma comédia chamada "O amor é mais confusão". 



 Mas tal como para conhecer os efeitos do vinho não é preciso prová-lo (bastando para ficar informada observar os borrachos que passam na rua) suponho que a Irmãzinha se baseasse no que via as outras mulheres sofrer para formar o seu juízo.

  Os versos podem adaptar-se a vários comportamentos masculinos disparatados. Porém, caem como uma luva aos cavalheiros que, esquecendo-se de que o são e da hombridade que se espera deles, se dão ao luxo de proceder com leviandade. Ou seja, acham-se no direito de fazer pouco caso da pessoa que lhes importa para gastarem tempo precioso com companhias indignas, "porque podem", por tradição, agir como galos na capoeira...

E em seguida, quando daí advêm algumas consequências menos felizes, lá se lembram dos "direitos" que não souberam cuidar, sentindo-se muito ofendidos,  com autoridade e moral para desfiar um rosário de acusações.

 Acho que a maioria julga que as mulheres são adivinhas e tem uma confiança infinita em si próprios, ou na tendência feminina para o heroísmo (que é bom e louvável, mas não inesgotável).






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