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Sunday, June 28, 2015

Talitha Getty: os excessos da hippie mais chic


Quando se pensa em hippie chic - uma tendência que voltou intensamente este Verão, com calças boca de sino, vestidos longos, saias (e outras peças) de camurça e acessórios com franjas- o nome de Talitha Getty vem imediatamente à ideia de qualquer fashionista que conheça bem as suas referências.

Georgia May Jagger abrindo o desfile Marchesa (S/S 2015)
com um look hippie chic

De origem holandesa, Talitha nasceu em Java numa família de artistas (a avó, Dorelia,  foi também uma it girl boémia nos loucos anos 20) e - depois de ter passado a infância num campo de prisioneiros japonês durante a II Guerra-  mudou-se com a mãe para Inglaterra, onde estudou arte dramática.

 Porém, não trabalhou muito como actriz (pouco ficou para a memória além de uma breve participação em Barbarella): considerada uma beldade, os homens não lhe resistiam. Rudolfo Nureyev adorava-a e tentou casar com ela. Porém, teve tão pouca sorte que não pôde comparecer a um jantar onde ficariam sentados juntos...e o anfitrião convidou Paul Getty, o magnata do petróleo, para o seu lugar. Resultado? Paul e Talitha apaixonaram-se, casaram e tornaram-se um dos casais mais emblemáticos dos swinging sixties em Londres.

Talitha e Paul no seu casamento, em 1966

 Ficaram famosas as suas temporadas em Marrocos, com outros ícones da época, como Mick Jagger e a namorada, Marianne Faithfull.

 Porém, os excessos sucediam-se; as reuniões boémias eram coloridas pelas mais belas roupas...e por quantidades impressionantes de ópio. Yves Saint Laurent - que criaria o inesquecível perfume Opium em 1977 - comparou o casal ao romance de Scott Fitzgerald: "belo e amaldiçoado". Com boas razões...

Este retrato do famoso fotógrafo Patrick Anson (Conde de Lichfield) para a Vogue americana, definiria o estilo hippie chic para o futuro-apesar da vida relativamente discreta de Talitha e Paul à época

Apesar de idolatrada pelo marido e de se ter tornado mãe, Talitha teve um caso com um jovem aristocrata francês - e conhecido dealer dos famosos- o Conde Jean de Breteuil. Esse belo rapaz, descrito por Marianne Faifull (que fugiria com ele depois de romper com Mick Jagger) como alguém tão sombrio "que parecia ter rastejado de uma gruta" gabar-se-ia mais tarde de ter fornecido a heroína que matou Jim Morrisson. 

Jean de Breteuil

 A elegante Talitha finar-se-ia em Roma, de causa idêntica, menos de duas semanas depois da morte do Rei Lagarto. Contava apenas 30 anos. E Jean...teve igual destino no mesmo ano, 1971.

 Após a morte da mulher que amava, o marido Paul deixou a vida hedonista, descuidou completamente os negócios e passou a estar num tal isolamento que lhe chamavam "o milionário eremita". Demorou muitos anos a recuperar, e mais de uma década depois os sinais do seu sofrimento ainda eram visíveis. "A dor simplesmente não se evapora" comentava, destroçado.


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