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Wednesday, July 22, 2015

Aquelas peças "que não têm jeito nenhum"...mas para nós têm, oras.


por aqui se falou várias vezes naquelas peças que não resistimos a comprar cada vez que aparecem à venda... porque nos ficam bem, são úteis, combinam com o resto do "enxoval" e nem sempre estão disponíveis nas lojas. Isto é muito saudável, desde que se saiba lidar estrategicamente com a táctica.

Mas dentro dessas, há uma categoria ainda mais especial de corrida: AQUELE vestido preto (de todos os vestidos pretos que temos) AQUELES sapatos (entre uma data de pares com o mesmo modelo) AQUELE casaco...percebem a ideia. Já nos acompanharam em milhares de situações sem desiludir e continuam bons como novos, que até parece bruxedo. Assentam sempre na perfeição e nunca causam desconforto.

Temos umas quantas coisas do mesmo género, mas em caso de emergência, viagem, perante uma situação em que precisamos de nos sentir seguras e confiantes, ou face ao dilema "o que é que eu levo?"...zás, lá vamos nós buscar o ai-Jesus. O mais disparatado é que entretanto até se compraram outras versões do mesmo, em alguns casos mais luxuosas e mais caras...mas não é bem a mesma coisa.

Cá em casa até arranjámos um petit nom parvo para essas peças sem nada de especial, mas indispensáveis: o "kido" (querido) casaquinho, as "kidas" sandalinhas, a "kida" carteirinha...percebem a ideia. "Oh não, lá vai ela outra vez com as kidas calcinhas"; "alguém viu os meus kidos botinzinhos?", "por favor, há que dar algum descanso ao kido vestidinho"...etc.

Isto acontece, creio, mesmo a quem não costuma repetir toilettes. Embora eu tenha um ou dois "uniformes" ou silhuetas de eleição, raramente os componho exactamente com as mesmas peças. 



 E no entanto, lá anda o kido vestidinho (um sheath dress preto que a Zara fez duas estações e não repetiu; juro que um dia mando fazer uns dez iguais, em várias cores e tecidos, porque se se estraga vou ficar muito infeliz!) as kidas botinhas matadoras (Casadei, para os dias em que é preciso sacar das big guns) as kidas calcinhas (uma edição especial da Mango estilo amazona que me assentam como nenhumas outras num tecido fabuloso, logo a Mango que nem costuma ser grande coisa em calças!) a kida clutchzinha (uma chain bag Pierre Cardin, vintage); os kidos botinzinhos e os kidos slingbackzinhos (Zara, os dois) a kida saiazinha de Verão (uma Dolce & Gabbana em sarja azul escura). 

Houve ainda um top que até ganhou nome próprio: a camisola maravilhástica. Eu e a minha prima comprámos uma cada, na Bershka. A dela lá se estragou, a minha ainda ali anda mais para memória futura do que outra coisa, mas que ficava fabulosa, isso ficava. Era um simples top preto de manga a 3/4 com um decote em V de ombro a ombro. 

E não esqueçamos uma túnica preta dos anos 70 que a mãe usou, eu usei...um dia não demos com ela. A avó, farta de tal velharia e depois de muito ameaçar, cheia de razão, atirou-a para a lareira. Calou-se bem caladinha e deixou-nos andar à procura dela  para cima e para baixo. Só mais tarde soubemos o destino da valente veterana, de quem nem nos pudemos despedir... 

E o mais sem jeito nenhum: no meio de um número disparatado de camisas de várias cores e feitios (pois acho que nenhum top substitui uma camisa; uso-as de mil maneiras diferentes e só me livro delas se encolherem ou mancharem) há duas ou três da mesma loja, sem marca conhecida, branco sujo, de um algodão acetinado normalíssimo e com leves riscas, com manga a 3/4...que me dão com quase tudo. Anónimas mas altaneiras e sempre impecáveis, não mancham, não borbotam, não encolhem, não enrugam, fazem sempre boa cara e combinam com todos os coordenados em que precise de uma camisa por dentro ou atada à cintura. Tenho-as há tanto tempo que não sei de onde vieram e sobreviveram a todas as triagens camiseiras...vá-se entender!

 Não há nada de mal nisto, pois lá diz o ditado:



Só é preciso sensatez para reconhecer quando realmente uma peça já está tão fanada que não cumpre mais a sua função. Nessa altura há que substitui-la por uma nova versão (ou mais), deitar fora a original e recordá-la como ela. O mais certo é ter sido tão retratada em diferentes momentos que jamais será esquecida. Ando a tentar convencer uma amiga a dar a paz eterna a dois pares iguais de kidas sandalinhas que - apesar de ela ter comprado uma dezena de sandálias parecidas e melhores entretanto, e de o sapateiro ter dito que nem pensar, não se mete a arranjar tal coisa outra vez, não vale a pena - ela não consegue deitar fora. Freud que explique?

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