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Tuesday, July 21, 2015

As coisas que eu ouço: ah noiva valente!



Esta história passou-se numa certa paróquia há mais de 70 anos, e quem ma contou não mente...

Uma noiva de família muito Católica, querendo preparar-se mental e espiritualmente para receber esse Sacramento, tomou a decisão invulgar de entrar na Igreja antes do noivo - não por estar com muita pressa, mas para rezar um bocadinho antes de dar o grande passo.

Entretanto o futuro marido, que até ali nunca lhe tinha dado desilusões e parecia ser um doce de pessoa, chegou também e vendo-a ajoelhada num dos últimos bancos, sem mais aquelas
 sussurrou-lhe ao ouvido "reza, reza, que é a última vez que aqui entras".

Não sei se o que lhe terá dado tal assomo de sinceridade: teria apanhado uma forte intoxicação na despedida de solteiro e ainda estava sob o efeito dos vapores? Teria andado a fingir-se de santo durante o namoro e agora, achando-se seguro, revelava a sua verdadeira face (ou seja, daqueles que não crêem nem deixam crer) ? Ou alguma coisa mais sinistra?

O certo é que a rapariga ouviu e calou. Terminou a sua meditação, dirigiu-se ao altar e a cerimónia começou sem novidade, com a Igreja a abarrotar de ilustres convidados, até que o Padre lhe perguntou como era suposto "fulana de tal, aceita sicrano por marido, etc"?.

Resposta dela, alta e clara: Não!

O sacerdote, assarapantado, insistiu: desculpe, menina?

E a noiva tornou: disse que não caso com este cavalheiro, porque eu estava ali ajoelhada a rezar e ele disse-me  "reza, reza, que é a última vez que aqui entras".



E assim se desmanchou o casório ali mesmo,  envergonhando o fingido diante de toda a assistência. Houve escândalo, mas toda a gente louvou a sua coragem...

Admirável sangue frio! Extraordinária dignidade feminina! Senão, reparem: decerto ela gostaria do rapaz, ou não estaria para casar com ele; depois havia toda uma maçada de sonhos desfeitos, de tempo perdido, de preparativos inutilizados, para não falar nos mexericos que se hoje não seriam agradáveis, naquele tempo eram muito piores.

Quantas, mesmo agora, recuariam ao descobrir que o noivo não era a pessoa que demonstrara ser? Conheço muitas que são tão inseguras, andam tão desesperadas (e em alguns casos, são tão gananciosas) que casariam com o próprio diabo desde que o diabo as carregasse...(e se as carregasse em grande estilo, melhor ainda).

 Neste caso específico, a noiva rompeu porque ele, sabendo-a religiosa, fingira ser outro tanto, ou pelo menos respeitar as crenças dela, para afinal revelar valores totalmente opostos; pior ainda, mostrava ser um déspota, no mínimo. No entanto, há os que, com o mesmo descaramento e maior antecedência, apresentam claramente defeitos sem remédio: uns são infiéis, outros forretas, outros perdulários, estroinas, agressivos ou ciumentos patológicos...e elas, ou por amor, ou por tolice, ou por receio de ficarem para tias, vão pensando "pode ser que depois de casado não seja assim!".

 Ora, se um defeito é insuportável, irreconciliável, não se deve esperar que melhore. Se é coisa com que se possa lidar, bom (e cada uma tem o seu ponto de ruptura; o que é tolerável para uma mulher, pode ser o fim do mundo para outra); ninguém é perfeito. Se é algo mais grave...há que pensar na sábia frase de S. Tomás de Aquino: parvus error in principio magnus erit in fine.  

Um pequeno erro no princípio será um grande erro no fim...






3 comments:

TheEmpress said...

E ainda diz que não é feminista, eu cá acho que é, à sua maneira.
Bem haja.

A said...

Com todo o respeito e não me querendo intrometer mas já intrometendo, TheEmpress, gostaria de saber que imagem tem da mulher tradicional, à "moda antiga". Uma fraca, uma mole, sem vontade nem amor próprios? Que permite que alguém (ainda para mais o cônjuge) viole desta forma as suas crenças, as suas ideologias, que fazem parte da sua essência? Não aceitar isso, desculpe, não é ser feminista, é ter um bocadinho de amor próprio. Eu também defendo os pequenos hábitos e comportamentos que se ajustam às diferenças (biológicas, psicológicas, etc.) entre homem e mulher que sempre existiram e continuarão a existir, o que não me impede de ser igualmente apologista da igualdade de direitos e oportunidades (yada, yada, yada) e de darmo-nos ao respeito.
E isso não me parece que seja ser-se feminista. ;)

Imperatriz Sissi said...

As mulheres mais tradicionais e femininas sempre souberam bater o pé quando era preciso, desde a noite dos tempos. Chamava-se a isso ter brio, dignidade, honra...e sim, há muita confusão quanto àquilo que uma mulher "à moda antiga" tolera e não tolera.

Percebo a confusão da Empress- é normal, pois nem as feministas se entendem! Divulgou-se muito a ideia de mulher feminina=tapete, quando era precisamente o contrário.

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