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Wednesday, July 15, 2015

As coisas que eu ouço: o pudor, um reflexo instintivo?




Lia eu há dias, numa das revistas antigas da minha colecção, a frase "o pudor é um reflexo feminino instintivo". E fiquei cá com as minha dúvidas...talvez o seja mais numas do que noutras, e mais acentuado em algumas épocas.

 A frase veio entretanto a propósito numa conversa em que se falou de como algumas mulheres fazem questão de se menear quando entram num local mais frequentado por elementos do sexo oposto - seja certos ginásios, uma oficina, um prédio em obras ou um quartel. 

  Isso pareceu-me assaz estranho, pois acho que a reacção natural será, ao aproximar-se de tais sítios, ainda que não se conte com nenhuma atitude menos respeitosa, vestir o casaco (mesmo que não se traga vestido nada que dê nas vistas) não estabelecer grande contacto visual... em suma, fazer o que é normal quando uma pessoa se sente observada!



 Mas ao que parece há quem adore esse tipo de atenção. Lembrei-me então dessa cândida ideia (escrita nos anos 1960) de o pudor ser um reflexo instintivo de qualquer mulher. O certo é que não é nem era na altura, e tenho provas...

 Uma pessoa minha conhecida tinha, nessa época, uma bela e reluzente oficina de automóveis novinha em folha. Era um homem muito bem parecido e vaidoso, além de bom profissional...

Pois começou logo a ver-se grande sururu de senhoras a acorrer ao estabelecimento, sem fazer caso do óleo de motor que lhes pudesse sujar as toilettes, nem deixar aos maridos tão maçadora incumbência...embonecadas, bamboleantes, dengosas, todas pintadas, com os seus bonitos cabelos armados com laca, era uma alegria.

 A brincadeira só parou quando a vizinhança foi avisar a legítima..."olhe que o seu marido está na conversa horas a fio com a clientela...e quando o empregado lhe diz que vem lá uma senhora, vai a correr buscar o pentezinho para se ajeitar antes de a atender...".

A época que atravessamos pode legitimar, relativizar ou fazer com que certos desconchavos passem despercebidos, mas o descaramento (ou falta dele) sempre existiu. Variava era de acordo com os princípios, natureza e educação de cada uma...

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