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Thursday, July 16, 2015

As pessoas "venha a nós"



Por aqui já se falou muito em direitos e deveres. Costumo dizer com frequência que se toda a gente pensasse mais nos seus deveres para com os outros e menos nos seus direitos, este mundo era uma alegria, porque somos sempre "os outros" de alguém. 

Os homens pensavam nos seus deveres para com as mulheres; as mulheres, ocupavam-se, por sua vez, a cumprir os seus deveres; os filhos 
preocupavam-se com as suas obrigações para com os pais e os pais, com os seus deveres junto dos filhos; os empregadores, com a sua responsabilidade junto dos empregados e vice versa...punha-se os outros primeiro, e tudo funcionaria às mil maravilhas...

 Mas claro, quem tem deveres, canseiras e obrigações ganha (ou devia ganhar...) automaticamente direitos. Uma coisa pressupõe a outra. 

No entanto, para muita gente as coisas não funcionam bem assim.

 Não faltam casos de pessoas que acham que os outros devem ter todas as canseiras e desvelos para consigo (seja num emprego, projecto, amizade ou relacionamento) mas o acordo não é bilateral: é em modo venha a nós. Fazem as coisas tacitamente, implicitamente, sem ficar preto no branco, e as proximidades, as responsabilidades e exigências vão-se avolumando - sempre para a outra parte -  sem nunca terem correspondência. O que é muito prático e cómodo, pois na hora de dar o peito às balas, assumir responsabilidades, devolver gentilezas, corresponder a cuidados, escolher lados ou proceder correctamente é convenientíssimo dizer "não assinámos nenhum contrato", "não me lembro de nada disso", "não devo explicações", "não quero cá cobranças", etc.



Pessoas assim tornam o mundo mais desconfiado, mais calculista e menos espontâneo. Como passam a vida a fazer jogos, obrigam os outros a 
antecipar-se por sua vez. E esquecem-se do óbvio: embora qualquer interacção com elas se baseie na uniteralidade... a falta de certezas, a instabilidade e a liberdade são bilaterais. Nada é seguro. Um trabalhador freelance dedicadíssimo, mas que não vê perspectivas de ser integrado na empresa, saltará fora à primeira oferta em condições que lhe façam. Não há lealdade se não funcionar de parte a parte. A segurança de quem procede assim é ilusória; baseia-se apenas no ascendente, aura e domínio emocional que julga ter. Mas isso é como bolas de sabão. Frágil. A qualquer momento, ao outro pode dar-lhe para pensar exactamente nos mesmos termos, concluir que as condições não lhe convêm, decidir que não quer as obrigações sem ter os benefícios, pensar em si -  pôr-se, por sua vez, em modo venha a nós. Mas com razão...




1 comment:

C. N. Gil said...

Passas a vida
A queixar-te da vida
Mas não fazes nada
Para mudar o estado em que estás
E nem é por achares que não és capaz
É porque achas que não fizeste nada para nascer
E o mundo tem de olhar por ti,
Cuidar de ti,
Mimar-te em fim...

...fazer-te sentir bem!

Porque é que pensas que és diferente?
Tu és igual a toda a gente!
Toda a gente tem os seus porquês,
mesmo quando não os vês...
Tu és igual a toda a gente,
Não és diferente...

Passas o tempo
Num longo lamento
Mas há uma coisa
Que te falta perceber...

...SE NÃO FIZERES POR TI NINGUÉM VAI FAZER!

(XXL Blues - não és diferente)

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