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Thursday, July 16, 2015

Beleza: bênção ou maldição?



É um lugar comum dizer-se que a beleza abre muitas portas. No entanto, pelo que tenho visto suceder a várias mulheres consideradas realmente bonitas (também acontecerá com homens, mas o caso feminino é muito particular)  acho que dizer isso é uma leviandade. A beleza, tão procurada por toda a gente, devia ser alvo de mais estudos enquanto fenómeno e atributo social. 

A verdade é que muitas vezes, a beleza pode atrapalhar...e até fechar umas quantas portinhas, portões e janelinhas. 

 Lembro-me sempre de uma canção que a avó cantava,

"Ela tem o destino da lua 
Que a todos encanta
E não é de ninguém".

Isto é um extremo, claro. Mas já vi acontecer. Há situações em que dar nas vistas pelo bom aspecto estraga mais do que ajuda e que, não sendo impossíveis de contornar, causam bastantes dissabores.


Maldição 1 (ou maldição básica): Pessoas bonitas (tal como as pessoas ricas, famosas ou poderosas) atraem automaticamente dois tipos de reacção incómoda: ressentimento ou cobiça. Pode ser mais difícil reunir simpatias. Uma mulher sem grande graça que seja tímida é considerada acanhada, coitada; uma beldade que seja igualmente tímida passa por ser antipática ou cheia de si. Se uma rapariga banal se veste com alguma elegância, isso pode não ser notado pela negativa; mas se outra mais atraente faz o mesmo (ainda que de forma discreta) já é espampanante.  E claro, os desgostos e problemas comuns a todos os mortais merecem menos empatia ou solidariedade quando se tem um palminho de cara: as reacções variam entre "ah, ela vai ficar bem", "deprimida, uma rapariga tão gira? Tretas!", etc.
  Depois, é a velha história: pessoas que se aproximam com segundas intenções. Vulgo o que aconteceu há dias "Ronaldo não teria convidado a dona do telemóvel para jantar se ela não fosse bonita", ou alguém parar para acudir na estrada a um pneu furado só porque a condutora é engraçada. O que não causa dano algum em situações superficiais destas, mas noutras pode ser complicado, já lá vamos.




Maldição 2 (não ser levada a sério...ou coisa pior!): apesar de muitos empregadores apontarem a "boa apresentação" como uma mais valia, existe o batido estereótipo "beleza e miolos/competência não caminham juntos". Isto  não é problemático uma vez a pessoa em causa estando inserida numa equipa ou organização. Como qualquer característica superficial, deixa de ser importante uma vez dando-se a conhecer. O mal é ao início! Não raro uma mulher atraente e feminina quase sempre precisa de se esforçar o dobro para provar o que vale e, se gostar de andar bem apresentada, para mostrar que não é uma tonta que só pensa em trapos e cosméticos. Ou seja, ao ser avaliada para um cargo pode encontrar muito mais entraves do que a concorrente apagadita com óculos de fundo de garrafa. 
   Mas a situação ainda consegue piorar: não a quererem contratar por falsos juízos de valor, vulgo "esta vai distrair toda a gente ou arranjar romances no local de trabalho. Próxima!".

 E o piorio do piorio? As almas aproveitadoras que acham que podem juntar o útil ao agradável. Se uma mulher normalíssima ou para o desengraçado propõe um projecto, uma parceria ou se candidata a uma função, tudo bem; o caso é avaliado profissionalmente e mais nada. Se for agradável aos olhos...a aceitação da ideia pode vir acompanhada de um convite para jantar ou proposta de namoro como quem não quer a coisa, e isto no cenário menos mauzinho. Claro que se a mulher for gente séria e de brio e recordar, ainda que mais educadamente do que o parvalhão merecia, que estão ali para falar de trabalho, o malandro fica magoadinho como se tivesse sido rejeitado num encontro amoroso (a lata!) e adeus, minhas encomendas. Ser bonita *e* virtuosa fecha mais portas do que abre. Se tivesse um euro por cada mulher atraente que vi ser preterida em termos profissionais por defender a sua dignidade feminina, já me tinha reformado. Triste, mas acontece muito.




Maldição 3 (insegurança masculina): muitos homens ciumentos fariam melhor em propor a si próprios "não me vou relacionar senão com camafeus" porque acreditam na falsa ideia de que uma mulher bonita é uma dor de cabeça, como vimos em detalhe aqui. 

Por mais discreta que ela seja, por muito que ela se vista com sóbria elegância e não dê qualquer troco a galanteios, nunca estão descansados. Nem ao menos percebem que ser bem comportada ou não vai da personalidade e valores de cada uma: há raparigas bonitas levianas e raparigas feiotas muito piores e vice-versa, etc. 

   Na maior parte dos casos que tenho visto, as mais bonitas até são mais exigentes, seguras de si e menos permeáveis à lisonja. Como toda a vida ouviram elogios e tiveram pessoas a tentar aproximar-se, ganham uma natural reserva. Nunca lhes faltaram pretendentes nem atenção, por isso não precisam de facilitar ou incentivar namoricos. Em suma (salvo em casos de personalidades muito frágeis e carentes, que se detectam com facilidade nos primeiros contactos pela forma como uma rapariga fala, veste e se comporta) quando uma mulher que facilmente encontrava outra pessoa está com o Manel ou o Joaquim, é porque escolheu estar com o Manel ou o Joaquim e não por falta de opções, logo isso devia ser um motivo de descanso e não o contrário...
 Quem não aceita isso porque simplesmente não suporta os olhares que a pessoa não fez por provocar ou as imaginações lá da sua cabeça, mais lhe vale crer na máxima "à falta de virtude, a fealdade é meio caminho andado". Mas lá dizia o outro, se uma mulher bonita é um perigo, uma mulher feia é um perigo e uma desgraça...ou seja, de ser enganado ninguém está livre e não é lá pela boniteza.

Moral da história: cada um com os seus problemas, e ninguém pode dizer que é completamente feliz neste mundo...




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