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Monday, July 27, 2015

Cavalheiros: é favor não complicar, que as mulheres são umas criaturas muito simples.


Uma coisa curiosa quando se trata de homens e mulheres: em artigos sobre o sexo oposto ambos filosofam, acessorizam e geralmente complicam. Talvez cada artigo sobre "como entender as mulheres" em revistas masculinas devesse ser revisto por um painel de mulheres, e vice versa.

Por vezes leio certos artigos desse estilo em revistas femininas, ponho-me no lugar dos homens...e só penso que adoraria que viesse um grupo de marmanjos refutar tudo aquilo, porque dificilmente algum homem pensa com tanto floreado.

Mas constato que ao analisar as mulheres, os homens também floreiam

É como se para as revistas femininas, os homens fossem umas mulheres de barba e calças, cheios de romantiquices (quando em geral, eles romanceiam mais tarde; a início, até conhecerem bem uma mulher, os seus pensamentos são bastante mais básicos, directos e bastante menos idealistas do que os delas). E para as revistas masculinas, as mulheres são umas criaturas sonhadoras e hipersensíveis que é preciso tratar com pinças, que querem acima de tudo ser compreendidas, cujas necessidades é preciso estudar em laboratório...quando na realidade até somos uns seres bem simples de entender.



É claro que há emoções que ambos sentem de forma igual: a insegurança, a paixão, o entusiasmo, o arrebatamento, a dor, a sensação de identificação e pertença (que vem da partilha profunda entre duas almas muito semelhantes e que se conhecem muito bem) a preocupação com o outro, o aguilhão do ciúme, são sensações que transcendem sexos.

 Por exemplo, alguns homens mais à moda antiga, quando estão armados em parvos, relativizam os ciúmes femininos (falo apenas dos ciúmes com razão de ser, claro) porque estatística, histórica e socialmente, cai menos mal um homem ser namoradeiro e os devaneios masculinos (os menos graves, pelo menos) devem ser descartados como simples rapaziadas. Já se uma mulher faz o mesmo, é o fim do mundo.

É a velha história: um homem sente-se mais ofendido se a traição for física, uma mulher se a sua posição estiver realmente ameaçada. Ora, tretas.

Quando se trata da dor provocada pela deslealdade, seja de muita ou pouca monta, não há cá tradição, nem género, nem padrões de comportamento, nem análises "será que ele gosta mesmo daquela pindérica?" ou "ela até podia estar apaixonadíssima pelo outro, mas se foi platónico está tudo bem".



 As pessoas ficam possuídas de raiva e pronto. Já vi mulheres a sofrer horrores perante aqueles casos "foi só uma one-night-stand, ela não significa nada para mim" e homens fora de si, a dizer "o pior é que ela parecia gostar mesmo daquele anormal". O veneno do ciúme poderá lá ter algumas diferenças no feminino e no masculino quando analisado a frio, mas provoca sintomas iguais. Dor no peito e taquicardia? Check. Faces a arder? Check. Vontade de desfazer o (a) rival em pó? Check. Tonturas e desejo de trancafiar o (a) infiel numa masmorra, deitar fora a chave e nunca mais lhe olhar para a cara? Percebem a ideia...

 Isto a propósito de um desses artigos que complicam bastante as mulheres. De 10 maneiras de afastar uma mulher, só dois ou três dos erros masculinos enunciados pelo autor são realmente preocupantes- essencialmente, ser inconsistente (ou não saber o que quer) e tratar o relacionamento como um part time que não se leva muito a sério. Tudo o resto é  irrelevante, já que se resolve aplicando as velhas fórmulas "seja você mesmo" e "seja honesto". 



 Com aquela hombridade e verdadeiro cavalheirismo que ou se tem ou não se tem e que traça a fronteira entre os homens e os rapazes, portanto. A sério, uma mulher não se podia ralar menos se um homem lhe dá "elogios errados". Acham mesmo que o mulherio não tem mais nada em que pensar? É claro que qualquer uma que tenha dois dedos de testa distingue um elogio sincero de conversa para adormecer meninos (ou meninas, neste caso), mas percebe que um homem que não a conheça bem vai elogiar a sua beleza primeiro. Ele não vai falar de coisas que ainda não viu como a sensibilidade, a bondade ou mesmo a cultura dela.  

 De toda a crónica, houve apenas uma informação que se aproveitou, e que qualquer homem decente deve guardar ou recordar para seu governo: a gentleman will never allow a woman to fall if he does not intend on catching her.



Ou seja, o que todas as mulheres querem é uma atitude e intenção recta. Força, honradez, palavra e coragem. Firmeza de sentimentos e de gestos, em todos os momentos. Não há nada mais feio do que prometer mundos e fundos, elaborar todo um crime perfeito de sedução (lá dizia Bob Marley, o maior cobarde de todos é o homem que se faz amar por uma mulher sem intenções de a amar de volta) quando não se tem certezas, ou há certezas mas falta integridade para agir de acordo.

Ou seja, quem age como um homem a sério está sempre a salvo. Porque nenhuma mulher a sério se rala com tanto fru fru. E isso de flores, elogios constantes e compreensão no sentido científico do termo vem por acréscimo, se vier, como um extra. Palavra de honra.

1 comment:

C. N. Gil said...

Pá, assim que olhei para o título desatei a rir...

...não é por nada, mas...

LOL

:)

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